Estudo científico histórico propõe esforço geracional para desvendar UAPs

Um fenômeno global e de longa data, antes conhecido como Objetos Voadores Não Identificados (OVNIs), e agora formalmente como Fenômenos Aeroespaciais-Submarinos Não Identificados (UAP), tem sido não apenas observado por engenheiros, cientistas e astrônomos profissionais, mas também estudado por eles ao longo da história. Mas é preciso fazer mais, e por gerações, para chegarmos a uma resposta definitiva. Essa é a proposta central de um extenso estudo publicado em junho de 2025 no periódico Progress in Aerospace Sciences (Volume 156, id.101097), ainda disponível em versão pré-print (antes da revisão por pares) no repositório ArXiv (https://arxiv.org/abs/2502.06794).
Para os autores, após décadas de desconsideração e sigilo, tornou-se evidente que um número significativo de governos em todo o mundo leva os UAP a sério, embora pareça ainda saber pouco sobre eles. Essa mudança de percepção, particularmente acentuada desde 2017, com a revelação de programas governamentais secretos nos EUA, impulsionou um renovado e sério interesse científico, resultando em esforços acadêmicos e privados para investigar os UAP usando instrumentação diversa, análoga à astronomia chamada “multi-mensageira”. Tais investigações, que abrangem desde o desenvolvimento de estações de campo até a coleta e análise de relatos de testemunhas, estão desafiando a concepção comum de que os UAP são um fenômeno exclusivamente norte-americano e demonstram que podem, e têm sido, cientificamente investigados em escala global.
A verdadeira relevância da nova publicação não reside apenas em suas conclusões, mas em quem a assina. O estudo de 194 páginas é o resultado de uma colaboração internacional de dezenas de cientistas, engenheiros e pesquisadores afiliados a algumas das mais respeitadas instituições acadêmicas e de pesquisa do planeta.
São nomes como o astrofísico Avi Loeb, da Universidade de Harvard, e seu Projeto Galileo; o geneticista e imunologista Garry P. Nolan, da Universidade de Stanford (EUA) e Fundação SOL; a astrofísica Beatriz Villarroel, do Instituto de Física Teórica da Universidade de Estocolmo, na Suécia e Jacques Vallée, investidor e matemático conhecido da Ufologia atualmente ligado à Fundação SOL. Há ainda pesquisadores ligados à Interdisciplinary Research Center for Extraterrestrial Studies (IFEX), da Universidade de Würzburg, na Alemanha, e a colaboração da iniciativa UAlbany-UAPx, da Universidade de Albany, apenas para mencionar alguns que representam a linha de frente dessa nova ciência.

Para quem acompanha a Ufologia, é fácil notar que a maior parte dos autores, senão todos, são membros de uma relativamente pequena — mas ativa — resistência contra a indiferença da Academia ao tema UAP. Mas a presença massiva de especialistas de alto calibre, cujas carreiras foram construídas sobre o rigor metodológico, todos juntos, confere um peso sem precedentes ao campo. Isso sinaliza uma mudança de paradigma fundamental: o estudo dos UAPs está, de forma decisiva, migrando da periferia da antes considerada pseudociência para o centro do debate científico legítimo.
Cada autor e instituição listados no artigo funcionam como um endosso, tornando as conclusões – de que uma parcela significativa de casos (entre 4% e 40%) permanece inexplicável mesmo após análise cuidadosa – exponencialmente mais difíceis de serem ignoradas pela comunidade acadêmica e por agências governamentais. O que antes era taxativamente descartado como “ufologia”, num sentido pejorativo, agora se apresenta como um problema científico complexo, validado por aqueles cujo trabalho é, por definição, buscar respostas baseadas em evidências.
Resumo histórico e dados de casos UAP/OVNI emblemáticos
O documento coloca em perspectiva a natureza multifacetada dos UAP, que podem se manifestar no ar, no espaço e debaixo d’água, e tem levado à criação de novas estruturas governamentais e acadêmicas dedicadas à sua compreensão. Iniciativas como o All-Domain Anomaly Resolution Office (AARO) nos Estados Unidos e centros de pesquisa universitários na Alemanha e nos EUA buscam padronizar a coleta e análise de dados, avaliar ameaças potenciais e colaborar internacionalmente para desmistificar esses fenômenos. Embora muitos UAP sejam, em última instância, identificáveis como fenômenos prosaicos ou objetos conhecidos, uma parcela persistente permanece inexplicável após investigações cuidadosas, exibindo características como velocidades hipersônicas sem assinaturas, acelerações instantâneas, e a capacidade de viajar entre diferentes meios, exigindo, possivelmente, explicações que envolvam novas físicas ou engenharia.
E para demonstrar essa realidade, em 154 páginas, os autores se dispuseram a contar a história da investigação dos UAP, ou OVNIs como eram conhecidos, quem remonta a séculos. Contudo, no início, a negação e a falta de seriedade na comunidade científica eram a norma, dificultando o progresso. O texto relembra o Dr. J. Allen Hynek, um astrofísico que foi consultor da Força Aérea dos EUA por anos, um dos principais nomes do Projeto Blue Book, que expressou seu ceticismo inicial, afirmando que “o assunto todo parece absolutamente ridículo”. Ele admitiu ter “esticado ao máximo para dar uma explicação natural” mesmo quando não havia uma óbvia, movido pela convicção de que “tinha que haver uma”.
Essa atitude predominou, com os fenômenos sendo rotulados como mitos, manifestações da religiosidade ou da irracionalidade das testemunhas, conforme abordagens das ciências sociais. O estudo dos UAP, infelizmente, sofre de duas dificuldades principais: sua natureza não repetível nem controlável, o que torna a coleta de dados científicos extremamente desafiadora, e a crença de que os relatos de testemunhas não são dignos de estudo sério. Essa última crença, amplamente promovida por autoridades e pela comunidade científica por mais de 70 anos, impediu a descoberta e a compreensão, mantendo a sociedade em um estado de ignorância.
Apesar do ceticismo, o interesse por fenômenos aéreos incomuns não é novo, com relatos de “ghost flyers” (fantasmas voadores, em tradução livre) sobre a Escandinávia já na década de 1930. Esses incidentes, inicialmente atribuídos a aeronaves de contrabando ou experimentais, geraram centenas de relatórios oficiais. Mais tarde, durante a Segunda Guerra Mundial, pilotos Aliados cunharam o termo “foo fighters” (caças fantasmas) para descrever esferas metálicas ou luzes esféricas que acompanhavam suas aeronaves. Três cientistas proeminentes, H.P. Robertson, Luis Alvarez e David Griggs, foram chamados para investigar esses relatos, com Griggs concluindo que “havia algo real nas observações” e que não estavam relacionadas à tecnologia japonesa. No entanto, um estudo sistemático ainda estava longe de ser alcançado.

Essa fase inicial destaca um padrão recorrente: a ocorrência de fenômenos inexplicáveis que atraíam a atenção militar, seguidos por tentativas de investigação, mas frequentemente terminando sem uma explicação definitiva e com a supressão do interesse científico. A falta de um “estudo científico sério” dos UAP pela Força Aérea dos EUA, como apontado por Berliner et al., é uma crítica central a essa era, onde os estudos foram “superficiais na melhor das hipóteses, ineptos na pior”. Esse ciclo de interesse e supressão é uma característica definidora do período anterior à virada do século XXI.
Governos entram em campo: uma história de ceticismo e revelação
O artigo destaca que a percepção dos UAP mudou dramaticamente a partir de dezembro de 2017, quando o New York Times revelou que a Agência de Inteligência de Defesa dos EUA (DIA) havia conduzido um programa secreto de seis anos, o Advanced Aerospace Threat Identification Program (AATIP), para estudar os UAP. O AATIP, liderado por Luis Elizondo, “encontrou muita coisa”, focando em encontros militares e compilando um vasto armazém de dados de milhares de casos. Este programa operava sob o mais amplo Advanced Aerospace Weapon System Application Program (AAWSAP), financiado com 22 milhões de dólares, que investigava não apenas os UAP, mas também “correlatos psíquicos e paranormais” a suas interações.
O reconhecimento oficial continuou, com o Pentágono liberando publicamente três vídeos de UAP da Marinha dos EUA em abril de 2020, confirmando que os UAP “operam regularmente em espaço aéreo restrito”. Em junho de 2021, a Força-Tarefa de Fenômenos Aéreos Não Identificados (UAPTF) apresentou um relatório preliminar ao Congresso, reconfirmando que esses UAP “não são de origem americana e é improvável que venham de qualquer outro país”, deixando aberta a possibilidade de serem “naves de origem potencialmente não-humana”.
Esta série de eventos culminou na legislação 50 U.S.C. §3373, que autorizou a criação do All-Domain Anomaly Resolution Office (AARO), encarregado de sincronizar a coleta de dados, avaliar ameaças e consultar aliados sobre os UAP. O almirante reformado da Marinha dos EUA, Tim Gallaudet, ex-chefe da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA), enfatizou que os UAP “poderiam representar uma ameaça à segurança nacional dos Estados Unidos da América”, ressaltando a seriedade da questão.
Em outras nações, como a França, o interesse governamental em UAP também tem uma longa história. Desde a década de 1940, o Bureau Scientifique de l’Armée de l’Air (Bureau Científico da Força Aérea) francês estava envolvido, e em 1977, o Centre National d’Études Spatiales (CNES) criou o Groupe d’Études et d’Informations sur les Phénomènes Aérospatiaux Non-identifiés (GEPAN), mais tarde conhecido como GEIPAN. O Ministro das Forças Armadas francês, Robert Galley, em entrevista com Jean-Claude Bourret em 1974, declarou: “Tivemos um certo número de observações de radar. Em particular, na década de 1950, tivemos um eco de radar inexplicável e ainda sem explicação, durando dez minutos”.
Ele acrescentou que “a acumulação de informações provenientes da gendarmaria aérea, da gendarmaria móvel, da gendarmaria encarregada de investigações territoriais que nos foram transmitidas pelo CNES, é na verdade bastante perturbadora”. Recentemente, a França demonstrou transparência inédita, com o GEIPAN abrindo seus arquivos ao público em 2009, uma iniciativa que atraiu atenção mundial.
Uma nova ciência: esforços acadêmicos e privados
A constatação dos pesquisadores é a de que, apesar do passado de ceticismo oficial, a era atual testemunha um esforço concertado para a investigação científica rigorosa dos UAP, marcando uma transição do que era a “ufologia clássica” para um paradigma de pesquisa observacional e experimental. Projetos acadêmicos de destaque incluem o Projeto Galileo, ainda ligado à Universidade de Harvard, cofundado por Avi Loeb e Frank Laukien, que busca “artefatos extraterrestres no sistema solar” e se dedica à detecção e caracterização de UAP terrestres e por satélite.
Outra iniciativa é o Interdisciplinary Research Center for Extraterrestrial Studies (IFEX) da Universidade Julius Maximilian de Würzburg, na Alemanha, que, sob a liderança do Professor Hakan Kayal, ampliou seu escopo para incluir a pesquisa de UAP, desenvolvendo sistemas de detecção para uso terrestre e em nanossatélites.
A colaboração UAlbany-UAPx, da Universidade de Albany (SUNY) e da organização sem fins lucrativos UAPx, também se destaca por sua abordagem agnóstica e baseada em estatísticas para identificar anomalias. Eles propõem uma metodologia rigorosa, onde uma “ambiguidade que requer estudo posterior é uma coincidência entre dois ou mais detectores ou conjuntos de dados no nível de 3σ ou mais, com uma declaração de anomalia genuína exigindo (inspirado em Física de Altas Energias) 5σ” (Nota do Editor: N sigma, é uma medida de confiança nos resultados usada pelos cientistas usando técnicas estatísticas. 5 sigma é uma medida de grande “certeza” científica). Essa rigorosa quantificação visa atender ao alto padrão exigido pelos físicos de partículas.

Além desses, o Projeto Hessdalen na Noruega, liderado por Erling Strand, é um dos estudos instrumentados de “busca direcionada” de UAP de mais longa duração, operando desde 1984 e demonstrando a recorrência e mensurabilidade de fenômenos luminosos correlacionados a distúrbios magnéticos. A comunidade científica está cada vez mais engajada, como exemplificado pela criação do Unidentified Anomalous Phenomena Integration and Outreach Committee (UAPIOC) do American Institute of Aeronautics and Astronautics (AIAA), que visa “mitigar barreiras à investigação científica de UAP” e promover um ambiente de “investigação aberta e baseada em dados”.
Além disso, organizações como a Scientific Coalition for UAP Studies (SCU) também desempenham um papel crucial, com mais de 350 membros de diversas disciplinas científicas, publicando estudos e promovendo conferências. O National Aviation Reporting Center on Anomalous Phenomena (NARCAP), fundado por Richard F. Haines e Ted Roe, oferece um canal seguro para pilotos relatarem encontros com UAP, enfatizando o valor de seus testemunhos treinados e a necessidade de dados sobre efeitos eletromagnéticos. Esses esforços colaborativos, que integram tecnologia avançada e a contribuição de cidadãos cientistas, estão pavimentando o caminho para uma compreensão mais profunda da “complexa e desafiadora” natureza dos UAP.
Caso Ubatuba, no Brasil e outras evidências físicas
Os autores do artigo não se abstêm de apresentar relatos históricos tal como os entusiastas da Ufologia estão acostumados a encontrar na literatura Ufológica tradicional. No entanto, fica evidente que, além do conhecimento profundo da cena OVNI mundial que manifestam, conscientemente, evitaram terrenos espinhosos em casos controversos, ligados a teorias da conspiração, em benefício de uma abordagem orientada a dados mensuráveis.
Segundo o artigo, um dos aspectos mais convincentes, e mais difíceis de obter, na pesquisa de UAP, são as evidências físicas. Embora muitos UAP sejam fugazes, existem casos em que vestígios foram deixados ou colisões ocorreram, fornecendo dados concretos para análise. É neste contexto que é apresentado um único caso brasileiro, o Incidente de Ubatuba, de 1957, exposto como um exemplo notável de uma explosão de OVNI que supostamente resultou em detritos. As amostras foram amplamente estudadas por diversos laboratórios, com os primeiros estudos identificando-as como magnésio puro.

O Colorado Project, embora cético, analisou as amostras, encontrando magnésio, manganês, alumínio, zinco, mercúrio, cromo, cobre, bário e estrôncio.
Outros incidentes, como a colisão do vice-xerife Val Johnson com um UAP em Minnesota, EUA, em 1979, resultaram em danos físicos ao seu carro e efeitos biológicos em seus olhos. O veículo de Johnson foi encontrado perpendicular à estrada, com o capô amassado, para-brisa quebrado e a antena dobrada em um ângulo de 90 graus. O próprio Johnson descreveu o evento: “Sentou lá e parecia estar estacionário. Mas quando me aproximei, boom, estava bem ali, agora mesmo. Ouvi vidro quebrando, vi o interior do carro acender muito forte com luz branca. Era muito, muito extremamente brilhante. Isso é tudo o que consigo lembrar”.
Casos de “cabelo de anjo” – uma substância fibrosa e pegajosa – também foram associados a UAP, como no evento de Florença, Itália, em 1954, onde “filamentos vítreos cintilantes” caíram dos objetos. Análises posteriores, como as realizadas por Phyllis Budinger da Frontier Analysis, Ltd., em várias amostras de “cabelo de anjo”, revelaram que muitas delas eram seda de aranha ou lagarta, embora a presença de materiais não biológicos, como borosilicato de vidro, também tenha sido relatada.
A capacidade dos UAP de se moverem entre os domínios aeroespacial e subaquático, a chamada “viagem transmeios” (ou transmídia), é uma de suas características mais importantes e desafiadoras para a compreensão humana. O vídeo “FLIR1” do encontro Nimitz de 2004, por exemplo, mostra um UAP em forma de Tic-Tac pairando sobre a superfície do mar agitada, sugerindo a presença de um UAP submerso maior. Um vídeo da Segurança Interna dos EUA de 2013 mostrou um objeto em forma de elipsoide mergulhando no oceano várias vezes e viajando debaixo d’água “sem diminuir significativamente a velocidade ou criar salpicos, ondas ou outras perturbações”. O Almirante Gallaudet, ex-chefe da NOAA, ressaltou a importância e a dificuldade de estudar os aspectos subaquáticos dos UAP, ou Objetos Submersos Não Identificados (USOs). Estes relatos históricos e modernos, que incluem avistamentos de objetos emergindo do mar e manobrando “inteligentemente” contra o vento, como o descrito pelo Capitão Moore do navio a vapor britânico Siberian em 1887, desafiam as explicações convencionais e sublinham a necessidade de uma investigação que transcenda as fronteiras aéreas.

É importante notar que os cientistas que assinam o estudo não se comprometem coma ideia de uma origem anômala, de fato, para esses episódios. Mas os mencionam como forma de demonstrar a necessidade de uma abordagem multidisciplinar e transparente em busca de soluções e explicações definitivas, sem preconceitos ou vieses.
Dimensão social, implicações para o futuro e estudos transgeracionais
O artigo nota que, apesar do crescente interesse científico nos UAP, foram as ciências sociais que tradicionalmente abordaram o tema, mas quase suspendendo o julgamento sobre sua existência, focando nas crenças e percepções das pessoas, tratando-as como mitos, fenômenos religiosos ou construtos sociológicos. Essa abordagem, embora compreensível para evitar o estigma, corre o risco de “reducionismo social”, negligenciando o “impacto direto na estrutura e prática social” que a existência real dos UAP poderia ter. Alexander Wendt e Raymond Duvall, por exemplo, argumentaram que, se os UAP fossem reais, os governos seriam forçados a negá-los para “manter a soberania do Estado”, pois o reconhecimento implicaria “falta de controle sobre a segurança nacional”. Esta perspectiva oferece um “quadro teórico convincente” para entender o sigilo governamental, mas poucas pesquisas sociais a aprofundaram.
Ainda há uma lacuna na compreensão de como as interações com uma “inteligência não-humana superior” poderiam ter moldado as estruturas sociais, influenciado narrativas culturais e exigido uma reinterpretação dos testemunhos. Pesquisadores como Diana Pasulka e Jeffrey Kripal exploram as semelhanças entre os encontros com UAP e as experiências religiosas ou místicas, sugerindo que uma “abordagem científica puramente física pode ser insuficiente para compreender totalmente os UAP”. Essa perspectiva ressalta a necessidade de “novos conceitos, categorias e metodologias que transcendam as fronteiras disciplinares tradicionais” para uma “apreensão de mais nuances” dos UAP.

A integração de tecnologia de satélites, inteligência artificial e iniciativas de ciência cidadã representa um avanço crucial na pesquisa de UAP, oferecendo novas vias para uma investigação científica rigorosa e baseada em dados. Colaborações entre academia, entidades comerciais e organizações governamentais espaciais, incluindo NASA, ESA, CNES e DLR, serão fundamentais para “avançar na pesquisa de UAP”. Como reconheceu o relatório da própria Equipe de Estudo Independente da NASA sobre UAP de 2023: o uso de “ativos de observação espacial existentes e planejados”, bem como a exploração de dados históricos e atuais, é vital.
O cenário atual representa uma virada decisiva, saindo da dependência de “relatórios de casos UAP” para um paradigma de “pesquisa observacional não forense” que busca dados produzidos por “conjuntos de instrumentos calibrados de forma confiável, bem caracterizados e precisamente sincronizados”. Mas a coleta e análise dos dados, diante da estranheza do fenômeno — que na opinião dos cientistas tem “multiplas origens” — precisará ser um esforço de várias gerações acadêmicas.
Os pesquisadores argumentam que somente “programas de pesquisa universitários sustentados e transgeracionais“, bem financiados, “dedicados à coleta e análise de dados sobre UAP”, podem romper o ciclo de desconsideração pela ciência mainstream. Essa nova ciência não apenas busca desvendar o que são os UAP, mas também como eles interagem com nosso mundo, impulsionando um esforço global e interdisciplinar para enfrentar um dos maiores mistérios da atualidade.