OVNIs no Piauí: luzes misteriosas continuam a assustar moradores e desafiar explicações

OVNIs no Piauí: luzes misteriosas continuam a assustar moradores e desafiar explicações
Objeto estático no céu registrado pela equipe do canal Belém de Arrepiar na Comunidade Lameirão, em Barras, no Piauí (Reprodução - Youtube - Canal Belém de Arrepiar)

Desde dezembro de 2025, uma onda massiva de avistamentos de objetos voadores não identificados (OVNIs) tem gerado pânico e alterado a rotina de moradores em diversas localidades do Piauí como Barras, Esperantina e outros municípios. O fenômeno ganhou destaque com os primeiros relatos mas acabou em segundo plano na cena ufológica, diante do turbilhão de polêmicas em torno do Caso Varginha, que completou 30 anos. Não ajudou o fato de uma equipe de ufólogos ter visitado a região de Barras e registrado satélites Starlinks que acabaram sendo divulgados como supostos registros de um fenômeno insólito.

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Apesar disso, as manifestações misteriosas parecem continuar acontecendo em profusão e nem sempre podem ser facilmente explicadas. É o que mostra o trabalho de divulgação que vem sendo realizado pelo youtuber Nathan de Moura, do canal Belém de Arrepiar. Ele e sua equipe têm visitado diversas localidades no estado e colhido depoimentos — e registros em vídeo — consistentes com objetos luminosos que surgem repentinamente e perseguem pessoas em estradas de terra ou áreas rurais isoladas. A dramaticidade dos relatos é acentuada pelo fato de os moradores evitarem sair de casa à noite, temendo ataques ou abduções por essas luzes que, segundo as testemunhas, demonstram um comportamento de monitoramento constante e inteligente sobre a população local.

Os moradores chamam de “o fogo”. Alguns relatos falam em luzes que passam rapidamente e duram pouco tempo, ficando mais brilhantes no percurso para desapareceram em seguida. Este é, de fato, um comportamento típico de Starlinks. No entanto, às vezes permanecem muito tempo paradas no céu, para se deslocarem em seguida ou descerem próximas ao solo. Apresentam cores diferentes, entre branco, amarelo, vermelho e azul.

A incursão do canal Belém de Arrepiar na região para documentar os episódios e coletar evidências diretas acabou gerando a chance de registrar, pelo menos uma vez, um objeto realmente intrigante. Além disso, serve como uma voz em defesa da investigação aprofundada sobre que estaria acontecendo na região, justificando-se pela aparente hostilidade relatada pelos moradores.

No detalhe, luminosidade amarelada do objeto registrado pelo Canal Belém de Arrepiar. OVNI ou Júpiter? (Reprodução - Youtube - Canal Belém de Arrepiar)
No detalhe, luminosidade amarelada do objeto registrado pelo Canal Belém de Arrepiar. OVNI ou Júpiter? (Reprodução – Youtube – Canal Belém de Arrepiar)

O fenômeno parece ter se intensificado nas últimas semanas, com luzes que descem a baixas altitudes e emitem clarões intensos, forçando trabalhadores rurais a buscarem abrigo sob árvores. Tanto que muitos pesquisadores já começaram a associar o “modus operandi” das luzes no Piauí com o fenômeno do “chupa-chupa”, no Pará, Maranhão e no próprio Piauí, nos anos de 1976 e 1977, que acabou resultando na famosa Operação Prato.

O registro detalhado do “fogo” em Lameirão

Durante uma incursão na comunidade Lameirão, em Barras, a equipe de Nathan de Moura, composta pelos irmãos Assís (Boy) e Samuel Carvalho, presenciou uma dessas aparições. Enquanto entrevistavam o senhor Dário sob o alpendre de sua residência, uma luz intensa surgiu no céu, movendo-se em uma trajetória horizontal perfeita e em alta velocidade por cima das árvores. O momento foi marcado por uma euforia imediata, com Samuel avistando o objeto primeiro e alertando o irmão para que preparasse os equipamentos de gravação. Não houve tempo para o registro.

No entanto, na sequência de vídeo (intitulado “O que foi isso que ele filmaram no Piauí?”), já no final da gravação feita ao ar livre, a equipe conseguiu um dos registros visuais mais curiosos dessa onda. Alertado pelos moradores, Assís corre para registrar um novo objeto, dessa vez incompatível com um satélite ou um meteoro ou “estrela cadente”.

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“Olha aí pessoal, ó o contato aí… ó o avistamento!”, exclama ele.

“Foi o horário que vocês falaram que ela começa a aparecer… oito horas, nove horas [da noite]”, complementa Samuel.

Parado no céu noturno, o objeto registrado apresentava uma cor amarelada ao zoom do equipamento. À distância, parecia completamente silencioso — provavelmente porque estava muito distante das testemunhas. A gravação em si tem cerca de dois minutos.

Samuel Carvalho, que acompanhou o avistamento, chegou a gravar o próprio testemunho e comparou a intensidade da luz a “dois cabos de energia dando curto-circuito”, ressaltando que a luminosidade era anormalmente forte para qualquer corpo celeste comum. No entanto, no vídeo, há uma confusão entre o primeiro avistamento — que não foi filmado e no qual a luz descreveu uma trajetória retilínea em velocidade — e o segundo, quando o OVNI foi efetivamente registrado pela filmagem.

Samuel observou ainda que, momentos antes das aparições, o cachorro da família demonstrava uma inquietação incomum, latindo para o céu, o que para ele sugere que o animal teria detectado a presença do objeto antes dos humanos. O detalhe reforçaria a tese de que os objetos emitem frequências ou vibrações que afetam o comportamento animal na região.

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Relatos de perseguição e terror no campo

Um dos depoimentos mais dramáticos coletados pelo canal de Nathan é o de Bernardo Lopes, um agricultor de 58 anos que descreveu um encontro próximo enquanto voltava para casa em uma motocicleta. Ele narra que uma luz, inicialmente do tamanho de uma estrela, cresceu rapidamente até ficar “maior do que a lua cheia” e pairar a baixa altitude. Em pânico, Bernardo e seu companheiro abandonaram o veículo e se esconderam sob os galhos de um cajueiro, sentindo-se caçados pelo objeto que iluminava o chão com tamanha intensidade que seria possível “achar uma agulha” no escuro.

A sensação de perseguição é um elemento recorrente nas falas das testemunhas piauienses. Outro relato impactante envolve caçadores que, ao serem surpreendidos por um clarão imenso na mata, fugiram desesperados em suas motos, chegando a errar o caminho de suas próprias casas devido ao estado de desorientação.

“Rapaz vê um claruzão o aparelho vem pegar a gente para a moto que eu vou descer”, teria dito Bernardo ao seu colega durante o momento de maior tensão, evidenciando o medo de uma captura física.

Há também registros de interações mais agressivas, como o caso de um senhor que teria tentado disparar contra um dos objetos. Segundo relatos locais, o aparelho teria revidado lançando um “líquido oleoso” ou um feixe de luz que teria deixado o homem gravemente enfermo. O testemunho afirma que ele teria sido transferido para Teresina em estado vegetativo, mas nenhum registro disso foi levantado pela equipe. Outros moradores teriam relatado crises de hipertensão e inchaço nos membros após encontros imediatos, o que levanta preocupações sobre os efeitos fisiológicos causados pela proximidade dessas luzes.

Além dos avistamentos aéreos, existem informações sobre possíveis pousos em solo, como o ocorrido na localidade de Buriti dos Britos. Testemunhas afirmam que um objeto metálico, descrito como tendo “parafusos” ou aparência industrial, teria pousado em um campo de futebol no meio de uma tarde (“por volta das 16 horas”), afugentando jogadores que se preparavam para uma partida. Esses eventos sugerem que o fenômeno não é meramente visual, mas possui uma natureza física e material que interage diretamente com o solo piauiense.

OVNI durante vigília religiosa

Somam-se aos registros a gravação obtida por Ana Cristina Vale, residente de Valença, Piauí, que filmou um fenômeno luminoso ocorrido durante uma vigília evangélica na localidade de Caiçara, também em Barras. No vídeo, Ana Cristina descreve uma luz que apresenta um comportamento dinâmico, movendo-se e alternando sua intensidade, ora parecendo “enorme e comprida”, ora diminuindo de tamanho. A testemunha enfatiza que o objeto estava distante, mas sua luminosidade era forte o suficiente para ser captada com clareza, gerando uma atmosfera de nervosismo entre os presentes, que tentavam se acalmar mutuamente enquanto observavam que não havia casas naquela direção.

 


Um detalhe intrigante do relato é a descrição visual do objeto através da tela do celular; Ana Cristina chega a afirmar que a imagem capturada se assemelhava a uma “pirâmide todinha”. Os participantes da vigília comparam a aparição com uma luz vista no dia anterior, sugerindo uma persistência do fenômeno na região.

Apesar do relato de Ana registrado durante a gravação, não há indicação clara na filmagem de que o objeto estivesse se movendo, embora a acentuada luminosidade e a altitude aparentemente baixa em relação ao horizonte sejam realmente perceptíveis. Mesmo assim, ela e o grupo de pessoas que a acompanhava na vigília de oração encamparam a natureza insólita da aparição, a ponto de resolverem fazer um filme amador sobre o episódio.

Sem dados confiáveis de data e horário, bem como duração dos fenômenos e direção para as quais as câmeras estavam apontadas, tanto no caso do registro feito por Assís Carvalho, no Lameirão, quanto de Ana Cristina, não é possível descartar plenamente a hipótese de serem apenas objetos celestes comuns e estáticos no céu, como planetas e estrelas. Vale ressaltar que entre final de dezembro de 2025 e início de janeiro de 2026, Júpiter estava bastante visível na região no mesmo horário em que os irmãos Carvalho registraram uma luz “amarelada” parada no céus do Lameirão.

O Portal Vigília tentou contato com o Canal Belém de Arrepiar através do Instagram em busca de mais dados para analisar essa possibilidade, mas até o fechamento dessa reportagem não obtivemos retorno.

Entre a tecnologia humana e o mistério inexplicado

Em reportagem anterior, o Portal Vigília trouxe uma camada de análise técnica ao contexto, revelando que alguns avistamentos recentes podem ter explicações prosaicas. Há cerca de um mês, os pesquisadores Flávio Tobler e Luiz Antônio, da União de Pesquisas Ufológicas do Piauí (UPUPI), registraram luzes durante uma vigília que foram posteriormente identificadas como satélites Starlink. Através do software Sitrec, o analista Jorge Uesu Jr. confirmou que os pontos luminosos correspondiam aos satélites SL-30500 e SL-30866, que atravessavam a região de reflexão solar naquele momento.

 


No entanto, a reportagem já ressaltava que a identificação de satélites em casos específicos não encerra o mistério no Piauí. Os satélites operam em órbitas fixas e distantes, o que é incompatível com os relatos de luzes que descem ao nível das palmeiras, perseguem pessoas em estradas sinuosas ou emitem flashes que causam cegueira temporária. Nathan é enfático ao afirmar que “satélite não tira foto sua nem dispara flash gigante a três metros de distância”, diferenciando o ruído tecnológico de encontros imediatos reais.

Historicamente, o Piauí é apontado como o provável “berço” desse tipo de manifestação no Brasil, com registros de jornais datados de 1976, pouco antes dos registros que deflagrariam a Operação Prato no Pará e Maranhão, em 1977. Esses documentos narram ataques e pousos ocorridos antes da era dos satélites modernos e drones, apresentando características idênticas ao fenômeno “Chupa-chupa”. A persistência dessas aparições ao longo de décadas sugere uma operação sistemática de origem desconhecida que continua a desafiar as autoridades.

Atualmente, o fenômeno parece estar se espalhando para áreas cada vez mais distantes, mantendo o padrão de silêncio absoluto e supostas interações inteligentes. Enquanto a ciência consegue explicar alguns pontos de luz como lixo espacial ou tecnologia privada, a massa de relatos coletada pela imprensa local e canais como o Belém de Arrepiar aponta para a possibilidade algo extraordinário que ainda não tem uma explicação convencional. Enquanto isso, a população continua em alerta, aguardando que investigações oficiais tragam segurança e respostas definitivas para o que sobrevoa os céus do Piauí.

Jeferson Martinho

Jornalista, o autor é empresário de comunicação, dono de agência de marketing digital e assessoria de imprensa, publisher de um portal de notícias regionais na Grande São Paulo, fundador e editor do Portal Vigília. Apaixonado por Ufologia de um ponto de vista científico, é autor do livro "Nem Todo OVNI é Extraterrestre - Um guia para entusiastas da ufologia que não querem ser iludidos", disponível na Amazon.

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