A AARO, escritório do Departamento de Guerra dos Estados Unidos responsável pela investigação de fenômenos anômalos não identificados (UAP), confirmou possuir documentos adicionais relacionados a pelo menos cinco casos cujos vídeos foram parcialmente divulgados ao público neste ano. O acesso ao material, porém, foi negado integralmente sob alegação de classificação.
A informação surgiu a partir de pedidos apresentados por John Greenewald, responsável pelo arquivo documental The Black Vault, por meio da Lei de Liberdade de Informação dos Estados Unidos (Freedom of Information Act, ou FOIA). E ela basicamente confirma uma crítica recorrente que vem sendo feita ao processo de liberação de registros relacionados a UAPs através da iniciativa PURSUE: trata-se de uma iniciativa de transparência que não é tão transparente assim.
Greenewald esclareceu que seu objetivo não era obter apenas novas imagens, mas documentos capazes de fornecer contexto aos episódios, já que muitos dos vídeos divulgados pela AARO foram publicados praticamente sem informações operacionais adicionais. Segundo ele, a resposta oficial confirma a existência de registros relacionados aos cinco casos que vão além do material visual já conhecido. O conteúdo, entretanto, permaneceu integralmente retido.
A ausência desse contexto adicional tem sido bastante prejudicial às iniciativas de pesquisa independente dos registros liberados. Em alguns casos, poderia colocar em xeque a classificação de “anomalias”. De fato, como a pesquisa mostrou, há episódios que mesmo sem este contexto a comunidade Ufológica encontrou indícios de fenômenos já marcados como solucionados ou cujas imagens podem claramente ser interpretadas a partir de fenômenos convencionais ou conhecidos.
Obviamente tais dados podem, eventualmente, confirmar a natureza inexplicável de algumas registros liberados publicamente.
Just to clarify if it wasn’t obvious, my request was for records well beyond just visual imagery of the UAP video cases requested.
I am seeking the CONTEXT of these cases that largely lack context when released by AARO. My post and FOIA case below single-handedly shows that despite likely sensitive data or information that reveals our technical capabilities that should be redacted — the Department of War feels 100% of everything else relating to these UFO cases is exempt from disclosure, and the majority of it remains classified.
Despite Presidential demands, and the whole promise of “transparency” by the Department led by @PeteHegseth; we the people are not getting the whole truth. cc: @POTUS on that one.
I will beat that dead horse for many more months, years, and even decades. This case is one of many.
We’re being lied to about UAP and UFOs. The question is — what’s it really about?
— John Greenewald, Jr. (@theblackvault) October 5, 2026
Vídeos já haviam sido divulgados
A confirmação não significa que a AARO tenha descoberto agora cinco novos casos secretos. Parte das imagens associadas aos episódios foi publicada oficialmente em maio de 2026, depois que parlamentares norte-americanos solicitaram acesso a dezenas de registros potencialmente relacionados a UAP.
Um dos vídeos, identificado como PR067, foi registrado em 25 de março de 2022. Seu título original, atribuído pela pessoa que enviou o arquivo à rede governamental, descrevia “múltiplos UAP/USO esféricos próximos a submarino” e objetos supostamente entrando e saindo da água.
A própria AARO, contudo, evita endossar essa interpretação e descreve apenas áreas de contraste se deslocando pelo campo de visão de um sensor infravermelho.
Outro conjunto de registros, PR065 e PR066, foi obtido em 24 de abril de 2024 por uma plataforma da Guarda Costeira norte-americana. Nos nomes originais dos arquivos, os objetos eram chamados de “Tic Tac”, referência ao formato alongado associado a alguns relatos de UAP. Novamente, a descrição oficial não atribui natureza extraordinária aos objetos.
O que existe além dos vídeos?
Esse é justamente o ponto que Greenewald tenta esclarecer. Seu pedido buscava registros relacionados aos episódios, e não apenas as imagens. Isso poderia incluir relatórios, comunicações internas, informações sobre sensores, depoimentos de tripulações ou outros dados operacionais. Se existiu de fato uma investigação governamental para cada um dos casos, é impossível que esses levantamento não tenham deixado nenhum rastro burocrático.
Por enquanto, no entanto, é impossível dizer que tipo de documentação existe em cada um dos casos.
A classificação também não significa, por si só, que os registros contenham evidências de tecnologia extraordinária. Informações sobre localização de plataformas militares, capacidades de sensores, operações submarinas ou métodos de detecção podem ser classificadas independentemente da natureza do objeto observado.
Pedido foi negado e será contestado
Greenewald esclareceu ainda que o processo não está simplesmente aguardando uma futura revisão para possível liberação. Segundo ele, os documentos foram negados, o pedido foi encerrado e a decisão será objeto de recurso.
A iniciativa faz parte de um esforço maior iniciado depois que a deputada Anna Paulina Luna identificou dezenas de vídeos de UAP em uma carta enviada a Pete Hegseth em março de 2026. O editor do The BlackVault afirma possuir outros pedidos ainda em tramitação relacionados aos demais casos mencionados naquele documento.
Ele também critica a decisão de manter integralmente sob sigilo a documentação. Embora reconheça que informações capazes de revelar capacidades técnicas militares possam precisar ser ocultadas, Greenewald questiona por que nenhum outro trecho relacionado aos episódios poderia ser divulgado.
Essa, contudo, é sua interpretação sobre a política de transparência adotada pelo governo, e não uma demonstração de que os arquivos contenham ou não informações extraordinárias sobre tecnologia potencialmente não-humana.
Títulos chamativos exigem cautela
Há ainda outra ressalva importante. A própria AARO informa que muitos dos materiais localizados em redes classificadas não possuem uma cadeia de custódia plenamente comprovada. Em pelo menos um dos casos divulgados, o órgão afirmou que o vídeo havia sido alterado digitalmente antes de ser armazenado. Com que propósito foi alterado, ninguém sabe.
Mas o fato é que isso também ajuda a colocar em perspectiva expressões presentes nos nomes dos arquivos, como “USO”, “Tic Tac” ou “entrando e saindo da água”. Esses títulos foram atribuídos pelos responsáveis pelos envios dos arquivos e não correspondem necessariamente às conclusões das investigações da AARO.
Por enquanto, a nova resposta permite afirmar algo bem mais limitado, mas ainda assim relevante para a cena UAP dos EUA: o governo norte-americano reconhece possuir documentação contextual adicional sobre cinco desses episódios, mas decidiu mantê-la integralmente sob sigilo.
O que esses arquivos efetivamente contêm continua desconhecido — e é justamente isso que Greenewald pretende tentar descobrir por meio de recurso.

