CIA silencia sobre o objeto interestelar 3I/ATLAS e acirra suspeitas

Conforme apurado pelo pesquisador John Greenewald Jr. e publicado originalmente em seu perfil “The Black Vault” no X.com, a Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA) emitiu uma resposta oficial em 31 de dezembro de 2025 que levanta novas questões sobre a natureza do objeto interestelar conhecido como 3I/ATLAS. Através de um pedido baseado na Lei de Liberdade de Informação (FOIA), Greenewald solicitou acesso a qualquer avaliação, relatório ou comunicação mantida pela agência referente ao objeto desde junho de 2025 até o presente.
A resposta da agência, no entanto, não confirmou nem negou a posse de tais documentos, utilizando uma manobra jurídica conhecida como resposta “Glomar”. Segundo o documento assinado pelo Coordenador de Informações e Privacidade da CIA, a agência “não pode confirmar nem negar a existência ou inexistência de registros responsivos ao seu pedido”, alegando que o próprio fato de tais registros existirem ou não é, por si só, uma informação classificada como secreta para proteger fontes e métodos de inteligência.
🚨The CIA will “neither confirm nor deny the existence or nonexistence of records” pertaining to interstellar object 3I/ATLAS.
The fact of documents existing or not existing is classified. pic.twitter.com/UNWXUL2Av0
— John Greenewald, Jr. (@theblackvault) January 5, 2026
O “apelido” da resposta é uma referência a um episódio da década de 1970, devido ao navio Hughes Glomar Explorer. O navio foi construído pela CIA, sob a fachada de uma operação de mineração do bilionário Howard Hughes, para uma missão secreta (Projeto AZORIAN) visando resgatar um submarino soviético afundado (K-129). Quando jornalistas descobriram a história e solicitaram documentos via FOIA, a CIA formulou a agora famosa resposta de que “não podia confirmar nem negar” a existência de registros sobre o assunto, dando origem ao precedente jurídico conhecido como “Resposta Glomar”.
A intrigante natureza da negação governamental
Esta decisão da CIA de não admitir sequer se possui informações sobre um objeto que é publicamente monitorado por agências civis como a NASA causou estranheza na comunidade de pesquisadores. Em declaração publicada em sua conta na rede social X, John Greenewald Jr., fundador do The Black Vault, explicou que a agência costuma dar respostas de “nenhum registro encontrado” mesmo para temas sensíveis de inteligência, o que torna o uso da resposta Glomar para o 3I/ATLAS algo fora do comum. “O fato de documentos existirem ou não existirem é classificado”, ressaltou o pesquisador ao qualificar a postura da agência como um indicativo de que pode haver algo mais profundo por trás do assunto.

Greenewald reforçou que, embora a proteção de “fontes e métodos” seja uma justificativa padrão, ela nem sempre é aplicada de forma legítima em todos os casos de negação. Ele apresentou provas de outros pedidos de FOIA onde a CIA admitiu não ter registros sobre eventos altamente sensíveis, como um ataque terrorista planejado contra a embaixada dos EUA na Colômbia ou a queda de um caça F-14 iraniano que investigava um objeto voador. Para o pesquisador, o fato de o 3I/ATLAS ter recebido um tratamento diferenciado sugere que a agência pode estar monitorando o objeto de uma maneira que não deseja revelar.
O documento oficial da CIA cita as isenções (b)(1) e (b)(3) da lei FOIA para justificar o sigilo, baseando-se na Ordem Executiva 13526 e na Lei da CIA de 1949. Essas leis permitem que a agência oculte informações que possam revelar capacidades técnicas ou operacionais de coleta de inteligência. De acordo com discussões levantadas em fóruns de investigação como o Reddit, essa postura é interpretada por muitos como uma confirmação implícita de que a CIA possui dados sobre o 3I/ATLAS que excedem o conhecimento público disponível nas redes de astronomia civil.
Ao analisar a resposta, Greenewald reiterou que não se deve ser “preguiçoso” ao aceitar as justificativas de fontes e métodos como uma resposta definitiva para tudo. Em suas palavras publicadas no The Black Vault, ele afirmou: “Cair na facilidade de dizer que a CIA faz isso em todos os pedidos de FOIA por causa de ‘fontes e métodos’ é uma postura datada e imprecisa, provada errada repetidas vezes”. Essa análise sugere que o mistério em torno do 3I/ATLAS pode envolver tecnologias de vigilância espacial de última geração que o governo americano prefere manter longe do escrutínio público.
Anomalias espaciais e o debate científico
Enquanto a CIA se fecha em copas, o objeto interestelar 3I/ATLAS continua a intrigar astrônomos e o público em geral devido ao seu comportamento considerado anômalo. O astrofísico de Harvard, Avi Loeb, tem sido uma das vozes mais proeminentes ao destacar que o objeto apresentou um desvio de sua trajetória prevista após passar pelo periélio. Em entrevista concedida ao canal Newsmax, Loeb declarou que o objeto “manobrou” e que “o impulso em sua velocidade foi equivalente a um jato carregando cinco bilhões de toneladas de matéria”, sugerindo uma aceleração que desafia as explicações gravitacionais simples para um cometa comum.
Além da aceleração, outros dados científicos apontam para a singularidade do 3I/ATLAS, como a ausência de uma cauda visível ou de assinaturas espectrais de gás ao seu redor, características que seriam esperadas em um cometa tradicional. Estudos recentes mencionam que o objeto possui uma “assinatura de luz” diferente de qualquer coisa já vista, distinguindo-o até mesmo de outros visitantes interestelares famosos, como o Oumuamua e o Borisov. Essas observações levaram a especulações de que o 3I/ATLAS poderia não ser apenas uma rocha espacial, mas possivelmente um artefato tecnológico de origem não humana.

Críticos de Loeb, no entanto, argumentam que ele estaria utilizando sua posição acadêmica para gerar “hype” em torno de cenários de baixa probabilidade para promover seus próprios livros e perfil midiático. No subreddit r/UFOs, do Reddit, usuários discutiram que o que Loeb chama de anomalia poderia ser apenas o comportamento de rochas espaciais em trajetórias incomuns que a ciência ainda está começando a catalogar. Apesar das críticas, o fato é que o 3I/ATLAS se tornou alvo de escrutínio governamental, com relatos de que o Congresso dos Estados Unidos estaria interessado nas investigações sobre o objeto.
A possibilidade de o 3I/ATLAS ser um objeto artificial ganha fôlego quando se considera o volume de anomalias apresentadas em conjunto, que não seriam condizentes com um corpo celeste natural. Embora várias dessas anomalias tenham encontrado explicações alternativas, elas alimentam o debate sobre o que as agências de inteligência realmente capturaram com seus sensores avançados. Se o objeto fosse apenas um cometa comum, a insistência da CIA em manter o sigilo absoluto sobre qualquer registro a seu respeito parece desproporcional para muitos investigadores da área.
Vigilância espacial e segredos de estado
A relação entre a CIA e o monitoramento de objetos como o 3I/ATLAS pode estar intrinsecamente ligada à infraestrutura de defesa e espionagem dos Estados Unidos no espaço. A agência, junto com o Escritório Nacional de Reconhecimento (NRO), opera satélites com capacidades de resolução e detecção muito superiores às dos telescópios civis da NASA. O uso de tais ativos para observar um objeto interestelar poderia revelar segredos sobre a precisão dessas câmeras ou a localização de satélites espiões, o que justificaria, sob a ótica da segurança nacional, a resposta negativa ao pedido de FOIA.
Essa necessidade de sigilo sobre as capacidades de observação espacial ecoa denúncias anteriores feitas por pesquisadores como Beatriz Villarroel, que mencionou restrições impostas pelo Pentágono ao acesso de dados astronômicos. O relato do diretor do observatório Vera Rubin, astrônomo Željko Ivezić, também aponta que o Departamento de Defesa exige acesso antecipado a todas as imagens capturadas para garantir que satélites secretos ou tecnologias governamentais não sejam identificados ou divulgados acidentalmente. Esse nível de controle sugere que o interesse da CIA no 3I/ATLAS pode ter menos a ver com alienígenas e mais com a proteção da invisibilidade de sua própria frota orbital.

Historicamente, a CIA tem desempenhado um papel central no gerenciamento de informações sobre Fenômenos Anômalos Não Identificados (UAPs) desde sua criação em 1947, o mesmo ano do incidente de Roswell. Discussões sobre o tema frequentemente trazem à tona o Painel Robertson de 1953, onde a agência teria estabelecido uma política oficial de ridicularização e negação do tema para evitar a sobrecarga dos canais de inteligência e ocultar avanços tecnológicos. No caso do 3I/ATLAS, o silêncio atual pode ser apenas mais um capítulo dessa longa trajetória de controle de narrativa sobre o que ocorre nos céus e no espaço profundo.
Portanto, a questão que permanece no ar é: o que exatamente a CIA capturou em seus sensores que o público não pode saber? Se o 3I/ATLAS fosse apenas uma “rocha interestelar”, a revelação de imagens ou relatórios não deveria, teoricamente, comprometer a segurança nacional, a menos que os meios utilizados para obter tais dados sejam, eles mesmos, o maior segredo. Entre a busca científica por respostas sobre vida extraterrestre e a paranoia de segurança do governo, o 3I/ATLAS segue seu caminho para fora do sistema solar, deixando para trás um rastro de documentos censurados e perguntas sem resposta.
Para entender a complexidade dessa ocultação, imagine que você está em uma sala escura com uma lanterna de alta tecnologia capaz de revelar detalhes invisíveis ao olho nu. Se alguém lhe perguntar o que você viu, e você responder que não pode nem confirmar se ligou a lanterna, o mistério não reside apenas no que estava na escuridão, mas no poder oculto da ferramenta que você segura em suas mãos.







