Investigação analisa luzes do Piauí e aponta possível declínio do fenômeno OVNI na região

O fenômeno dos OVNIs ou luzes estranhas na região de Barras, no Piauí, parece já ter ultrapassado seu ápice e entrado em declínio, deixando um rastro de mistério e preocupação. A percepção da perda de intensidade aparece nas buscas pelo tema nas notícias locais e publicações de redes sociais. Mas também corresponde à opinião do pesquisador e youtuber Nathan de Moura, responsável pelo canal Belém de Arrepiar, que encerrou em janeiro de 2026 uma série de incursões nas zonas rurais de Barras e Esperantina.
Desde o início de dezembro de 2025, uma massiva onda de avistamentos de luzes misteriosas alterou a rotina da população local. A pesquisa in loco realizada por Nathan e sua equipe apurou, no entanto, que os primeiros encontros com as estranhas luzes teriam começado bem antes, em março de 2025. Os relatos, marcados por uma dramaticidade intensa, descrevem objetos luminosos que perseguem moradores em estradas de terra, emitem clarões paralisantes e causam pânico generalizado, o que levou muitos trabalhadores a evitarem sair de casa após o anoitecer.
Monitorando o noticiário e o trabalho do canal de Belém de Arrepiar e de outros pesquisadores que visitaram a região, o Portal Vigília tem buscado confrontar o terror narrado pelas testemunhas com as evidências físicas coletadas, tentando filtrar o que seriam tecnologias humanas ou astros celestes de possíveis fenômenos ainda sem explicação.
A onda ufológica parece ter atingido seu ápice em dezembro de 2025, período em que Nathan e os pesquisadores locais Samuel e Assis Carvalho identificaram a maior frequência e agressividade nos encontros. No entanto, ao realizar uma vigília final no sítio de dona Cleusa Melo em 20 de janeiro de 2026, a equipe constatou que o fenômeno apresentava sinais claros de declínio, possivelmente influenciado pelo período de chuvas que fechou o céu piauiense.
Em conversa com o Portal Vigília, Nathan concluiu que, embora a realidade das experiências seja inegável para quem as viveu, o evento “esfriou” de meados de janeiro em diante, não ocorrendo mais com a constância e intensidade diária observada nos meses anteriores.
O declínio da onda e a vigília em Barras
A última incursão do canal Belém de Arrepiar no interior de Barras teve como cenário o sítio de dona Cleusa Melo, local considerado um dos epicentros dos avistamentos devido à recorrência quase diária de luzes entre as 19h30 e a meia-noite. Apesar da expectativa, a vigília realizada em 20 de janeiro de 2026 foi prejudicada por um céu nublado e chuvas persistentes, impedindo que qualquer objeto insólito fosse filmado naquela noite específica.
Dona Cleusa, que antes presenciava as luzes todas as noites, relatou que o último avistamento em sua propriedade ocorreu em 2 de janeiro de 2026, totalizando 18 dias de silêncio absoluto até a visita da equipe. Ela descreveu que as luzes costumavam aparecer como estrelas que baixavam subitamente, mas que, após o dia dois, elas simplesmente desapareceram. Essa ausência súbita reforçou a percepção de Nathan de que a onda massiva havia passado por um momento de transição ou encerramento.
Vídeo de Dona Cleusa. Registros muito menos empolgantes que os relatos: uma constante nos casos do Piauí (imagens Canal Belém de Arrepiar)
Ainda assim, o youtuber ressaltou que a falta de novos avistamentos durante a vigília não invalida os meses de terror vividos pelos moradores, que descreveram encontros físicos muito próximos. Nathan defende que o fenômeno demonstra uma natureza inteligente, capaz de monitorar os observadores e escolher quando se manifestar, o que explicaria por que o uso de equipamentos de monitoramento, como drones, parece afastar os objetos. A análise final da expedição sugere que, embora o fenômeno tenha esfriado, o rastro de depoimentos deixado é consistente e sério demais para ser ignorado.
Durante a conversa com a nossa reportagem, Nathan pontuou que o fenômeno parecia acompanhar cursos d’água específicos, como o riacho Baixa Grande, sugerindo uma preferência geográfica das luzes. Samuel Carvalho também observou esse padrão, notando que as localidades com maior incidência estavam todas situadas próximas a esses riachos. Essa observaçãotenta encontrar uma lógica física para a movimentação dos objetos, que parecem se deslocar de forma sistemática pelo território piauiense.
O contraste entre o terror relatado e as evidências em vídeos
Um dos pontos mais críticos da investigação é o abismo existente entre os relatos orais e o que é efetivamente captado pelas câmeras de testemunhas, dos pesquisadores e youtubers. Parecem efetivamente dois fenômenos completamente diferentes.
Dona Cleusa Melo descreveu uma experiência em que uma luz se aproximou a apenas 4 metros de distância, enquanto ela tentava entrar em sua casa, emitindo um flash tão potente que ela “acreditou que seria abduzida”. “Eu fechei o olho e coloquei a mão assim no lado do rosto… e ela disparou um flash enorme em mim”, relatou a testemunha, descrevendo o objeto como uma “bola de futebol” multicolorida.

Contudo, os vídeos entregues por ela e por outros moradores mostram apenas luzes distantes e pontos luminosos que, sob análise técnica, muitas vezes assemelham-se a corpos celestes ou tecnologias convencionais.
Registros estáticos, como o de Samuel e Assis Carvalho, no Lameirão, e até mesmo o de Ana Cristina Vale, em Caiçara (Esperantina), poderiam ser resultado de erros de interpretação de planetas ou estrelas. Nathan reconhece essa dificuldade, mas pondera que “celular num breu assim, se a luz não tiver bem perto, não vai pegar legal” e que as câmeras comuns não conseguem registrar a “grandeza da luz” ou a vivacidade das cores descritas pelas testemunhas.
As hipóteses céticas ganham força quando se analisa o comportamento dos satélites Starlink, que em áreas rurais de baixa poluição luminosa podem surgir do nada, brilhar intensamente por alguns segundos e desaparecer, mimetizando alguns relatos e, eventualmente, produzindo a interpretação de “clarões”.
Semanas antes, quando outra equipe de ufólogos esteve em Barras, já havia filmado luzes que mais tarde o analista de imagens e parceiro do Portal Vigília Jorge Uesu Jr. confirmaria tratarem-se de satélites Starlink, sendo possível verificar exatamente, inclusive, seus códigos de identificação.
No entanto, Nathan e Samuel rebatem essa explicação generalista para o Piauí. Lembram que satélites não descem ao nível das árvores nem perseguem pessoas em motocicletas, como narrado por Bernardo Lopes, que se escondeu sob um cajueiro enquanto o chão era iluminado por um objeto.
Além disso, a discrepância entre o que é filmado e o que é sentido fisicamente é acentuada por fenômenos anômalos relatados durante as tentativas de gravação, como a interferência em drones. Nathan e Richard Mendonça, este último videomaker da equipe, relataram que, ao tentarem subir um drone na altura em que uma testemunha alegou ter visto uma luz, o equipamento perdia o controle ou “bugava” inexplicavelmente, mesmo estando a poucos metros do operador.
Esse tipo de evidência indireta poderia sugerir a existência de um campo magnético ou interferência que impede o registro claro de encontros mais próximos, mas também poderia representar uma excelente oportunidade de realizar medições objetivas e obtenção de dados concretos.
O esclarecimento de Samuel Carvalho sobre a hipótese de Júpiter
Uma das dúvidas centrais na troca de informações com Nathan e sua equipe envolveu um vídeo gravado por Assis Carvalho na comunidade Lameirão, para o qual o Portal Vigília sugeriu não ser possível descartar o planeta Júpiter, devido ao seu brilho amarelado e posição estática no céu no final de dezembro. Samuel Carvalho, por meio de esclarecimentos repassados a Nathan, refutou essa hipótese com base no comportamento dinâmico observado pela equipe no local. Segundo Samuel, a luz registrada surgiu de repente e permaneceu sobre as casas e um bar por vários minutos, sendo identificada pelos moradores como o mesmo “fogo” que aparecia recorrentemente.
Samuel enfatizou que a luz não era um corpo celeste estático porque reagiu à tentativa de aproximação da equipe.
“Quando resolvemos ir de moto atrás dessa luz para tentar registrar melhor, ela simplesmente desapareceu, e não avistamos mais nada”, esclareceu o pesquisador, apesar desse desaparecimento não ter sido registrado em vídeo.
Esse detalhe da perseguição frustrada é crucial, pois planetas não desaparecem subitamente quando observadores se deslocam por alguns metros no solo, sugerindo que o objeto possuía consciência da presença humana.
Além disso, Samuel diferenciou o objeto filmado de um primeiro avistamento ocorrido na mesma noite, que descreveu como algo parecido com um “curto-circuito em um cabo de energia” que se movia em alta velocidade por cima das árvores. A confusão entre os dois eventos no vídeo bruto levou a interpretações equivocadas de que o objeto seria apenas uma estrela, mas o testemunho de Samuel sustenta que a luz ocupava uma posição baixa e interagia com o ambiente urbano do Lameirão.

Nathan de Moura apoia a sinceridade de seus colaboradores, observando que, embora a imagem no vídeo pareça imóvel, o contexto narrado por quem estava presente é de um fenômeno que “baixa de altura” e se manifesta de forma súbita. Para o youtuber, o critério de avaliação não deve se basear apenas na imagem sedutora, mas no conjunto de reações físicas e comportamentais, como a inquietação do cachorro da família que latia para o céu antes mesmo de a luz se tornar visível aos humanos.
Novos relatos de terror e o enigma de Esperantina
A investigação trouxe à tona casos que não haviam sido detalhados anteriormente, como o de um pescador conhecido como Miúdo. Ele relatou que, enquanto pescava em uma lagoa com outros quatro colegas, dois objetos apareceram: um permaneceu alto, enquanto o outro desceu a cerca de um metro da superfície da água, realizando movimentos horizontais por mais de uma hora. “Ficaram ali em torno de uma hora de tempo… todos com medo ali”, descreveu Nathan sobre o estado de pavor dos pescadores que se abrigaram sob arbustos.
Outro caso impactante é o de seu Francisco, que foi seguido por uma luz enquanto caminhava com seu irmão. O objeto pairou sobre uma árvore a uma altura estimada em 15 metros, acompanhando-os até a porta de sua residência. Esse “modus operandi” de escoltar as testemunhas até suas casas é um padrão recorrente que reforça a tese de monitoramento inteligente. Histórias similares remontam à década de 1970 na região, como o relato de seu Martinho, que em 1976 viu um objeto pousar em uma estrada e um ser de aparência humana sair de dentro de um aparelho que lembrava um jipe”.
Há também o trágico relato de dona Maria Socó, datado de 1978, que afirma ter sido perseguida por uma luz intensa que emitia um vapor enquanto ela voltava de uma festa religiosa. Grávida de oito meses na época, ela acredita que o estresse extremo causado pela luz, que fazia movimentos circulares sobre ela e seu marido, foi o responsável pela perda de seu bebê logo após o incidente. “O feixe de luz passa por cima dela… ela diz que o feixe de luz não era só uma claridade, tinha um brilho dentro”, detalhou Nathan sobre o trauma histórico que ecoa nos avistamentos atuais.
Uma luz na esquina, na madrugada (Cortesia Canal Belém de Arrepiar)
Separadamente dos avistamentos rurais, Nathan destacou um vídeo de 7 segundos gravado em 8 de janeiro de 2026, no perímetro urbano de Esperantina, às 2 horas da madrugada. As imagens mostram uma luz pequena e multicolorida (vermelho, verde e azul) pulsando rapidamente em uma esquina vazia. A testemunha, um profissional de nível superior que prefere o anonimato, relatou um medo paralisante que o impediu de continuar filmando ou de se aproximar. Nathan considera este um dos registros mais intrigantes por mostrar um objeto aparentemente “pousado” em ambiente urbano, embora mantenha a cautela analítica sobre possíveis explicações convencionais para a luz pulsante.
A trajetória do fenômeno no Piauí desenha um arco intrigante: se a onda teve início paulatinamente em março de 2025 e intensificou-se dramaticamente até o ápice em dezembro, o declínio observado a partir da segunda metade de janeiro de 2026 apenas aprofunda o enigma. Afinal, satélites Starlink, planetas, estrelas, aviões e drones não possuem “data de validade” nem interrompem suas órbitas e rotas por causa de calendários locais.
Na Ufologia, ao contrário, o padrão de ondas que surgem e desaparecem de forma súbita é uma constante histórica. Se as lentes capturaram luzes que o ceticismo tenta rotular, os relatos de perseguições em estradas isoladas e clarões que paralisaram moradores a poucos metros de distância permanecem órfãos de respostas convencionais. O que restou, após o recuo das luzes foi a inquietante incerteza: o que foi, afinal, que assustou o Piauí?







