O rigor técnico contra o viral: pesquisador prova que “OVNI de Campinas” era balão

O rigor técnico contra o viral: pesquisador prova que “OVNI de Campinas” era balão
Jorge Uesu Jr mostra que balão, sua suspeita inicial, era de fato a explicação para o objeto filmado em Jundiaí (Reprodução/ Instagram @jorgeuesu)

No dia 25 de dezembro de 2025, um vídeo capturado na Rodovia Anhanguera rapidamente tomou as redes sociais, sendo rotulado como o “OVNI de Campinas”. Nas imagens, uma testemunha emocionada exclamava: “É uma nave, gato” e “Olha, ele tá indo muito rápido”, alimentando o frenesi digital sobre uma suposta visita extraterrestre. Muitos canais e perfis dedicados à ufologia passaram a compartilhar o material, que se assemelhava muito a um balão estrela, sem sequer mencionar a similaridade.

----publicidade----

O debate online aumentou quando começaram a circular na Internet imagens “aprimoradas” com uso de inteligência artificial que, no final, apenas imprimiram as características dos autores dos “prompts” a uma ampliação borrada e com pouca definição de algo parecido com um losango. O objeto então virou uma espécie de “nave espacial” de sucata, cheia de reentrâncias, saliências, janelas e traços de aparência tecnológica confusa e sem simetria.

Reinterpretacao por inteligencia artificial do ovni apenas gerou mais confusao

No entanto, o trabalho meticuloso do analista Jorge Uesu Jr., do canal OVNIS e Mistérios em Geral – OMG, trouxe o caso de volta à terra firme ao revelar que o objeto era, na de fato, um balão estrela de 12 metros que havia se desprendido de um condomínio em Jundiaí.

Uesu, colaborador frequente do Portal Vigília, obteve imagens exclusivas do balão e utilizou softwares de edição, Google Maps e o Google Street View para reconstituir os fatos, geolocalizar os elementos e desmistificar completamente o avistamento. Ele demonstrou que a suposta velocidade do objeto era apenas um efeito óptico conhecido como paralaxe, similar a observar a Lua pela janela de um carro em movimento.

Diante de uma brincadeira de um seguidor entusiasta, que comentou “O INIMIGO NÚMERO UM DA UFOLOGIA ATACA NOVAMENTE! (Continue Uesu!)”, o analista foi enfático em suas redes sociais: “Eu sou o melhor amigo da Ufologia!”, mostrando que a verdadeira pesquisa ufológica deve ser pautada em fatos e não em suposições. Em sua conclusão sobre o ocorrido, ele foi categórico: “OVNI de Campinas. CASO ENCERRADO”.

 

----publicidade----

O ciclo da emoção e a percepção falha

Este episódio não é isolado e reflete um padrão problemático na Ufologia moderna: a empolgação das testemunhas frequentemente distorce a realidade dos fatos. Jorge Uesu Jr. relembrou um caso semelhante ocorrido em junho de 2024, quando uma doutoranda de odontologia filmou o que acreditava ser um “objeto enorme e triangular” na Rodovia dos Bandeirantes, em Campinas. Na época, o relato viralizou e muitos entusiastas ignoraram as luzes de navegação e a silhueta visível de uma aeronave convencional. A análise técnica provou que o “fenômeno” era, na verdade, um Boeing 747 em procedimento de pouso para o aeroporto de Viracopos.

A pesquisa de Uesu destaca que o ser humano falha miseravelmente ao tentar determinar dados como altitude e velocidade de objetos celestes, luzes noturnas ou sem pontos de referência. Termos como “enorme”, “muito perto” ou “muito rápido” são descrições qualitativas enganadoras que podem transformar um pequeno drone ou um satélite Starlink em uma ameaça interplanetária na mente de quem observa.

----publicidade----

O perigo da divulgação irresponsável

A era das redes sociais agravou esse cenário, criando uma pressão por cliques que favorece narrativas excitantes em detrimento da análise rigorosa. A divulgação sem filtro e crítica prejudica a credibilidade da área. Muitos perfis dedicados ao tema evitam confrontar percepções equivocadas com explicações convencionais por medo de perder seguidores, perpetuando o chamado fenômeno de “supressão de descrença”. Outros, por desconhecimento de técnicas de pesquisa adequadas ou das ferramentas necessárias.

Essa postura dificulta o trabalho de separar o que pode ser realmente insólito daquilo que é evidentemente explicável. Quando imagens geradas por inteligência artificial do suposto objeto de Jundiaí começaram a circular como se fossem reais, o desafio da pesquisa aumentou drasticamente.

É um consenso entre a maioria dos pesquisadores sérios em contato com o Portal Vigília que a Ufologia só avançará se mantiver um ceticismo saudável e uma base científica, tratando cada relato com o rigor necessário para que os mistérios genuínos não sejam sufocados pelo ruído de balões, drones, aviões, satélites e etc.

Você também pode gostar de:
Nem Todo OVNI é Extraterrestre” propõe uma visão mais crítica para a Ufologia moderna

Jeferson Martinho

Jornalista, o autor é empresário de comunicação, dono de agência de marketing digital e assessoria de imprensa, publisher de um portal de notícias regionais na Grande São Paulo, fundador e editor do Portal Vigília. Apaixonado por Ufologia de um ponto de vista científico, é autor do livro "Nem Todo OVNI é Extraterrestre - Um guia para entusiastas da ufologia que não querem ser iludidos", disponível na Amazon.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

×