Reino Unido buscou tecnologia de UAPs para defesa

Reino Unido buscou tecnologia de UAPs para defesa
Documentos secretos revelam que a inteligência militar do Reino Unido investigou e tentou adquirir tecnologia de propulsão de UAPs (Ilustração gerada por IA)

Conforme apurado pelo New York Post, arquivos secretos da década de 1990, recentemente liberados, revelam que as forças militares britânicas tentaram ativamente obter tecnologia extraterrestre para fortalecer suas próprias capacidades de defesa. A inteligência militar do Reino Unido acreditava que inovações de origem desconhecida poderiam oferecer vantagens estratégicas cruciais, levando oficiais a ordenarem investigações profundas sobre o fenômeno.

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A investida institucional foi motivada por uma onda de avistamentos de “fenômenos aéreos não identificados” (UAPs), especialmente após milhares de relatos ocorridos sobre a Bélgica entre o final de 1989 e o início de 1990. De acordo com os documentos agora disponíveis no Arquivo Nacional em Kew, o Estado-Maior de Inteligência de Defesa — hoje conhecido apenas como Inteligência de Defesa — recebeu ordens explícitas para analisar se esses objetos representavam uma base factual que pudesse ser explorada tecnologicamente para a proteção do reino.

O memorando de Charles Halt, coronel da USAF chefe da base aérea ao lado da Floresta Rendlesham
O famoso memorando de Charles Halt, coronel da USAF chefe da base aérea ao lado da Floresta Rendlesham, onde teria ocorrido o “caso Roswell” britânico.

A lógica da defesa nacional

A mentalidade por trás das investigações era pautada por um pragmatismo militar rigoroso diante do desconhecido. “A lógica indicaria que, se números significativos estão relatando ver objetos estranhos no céu, então pode haver uma base em fatos”, afirmou um memorando interno de março de 1997, conforme citado na reportagem de Chris Nesi para o New York Post. Os oficiais argumentavam que, como não se sabia a natureza desses objetos, eles constituíam uma ameaça potencial que exigia uma resposta técnica e analítica à altura.

Durante esse período, o foco recaiu sobre relatos de grandes “triângulos pretos” que voavam baixo e em silêncio, demonstrando capacidades de propulsão que desafiavam qualquer tecnologia de voo conhecida na Terra. Essa disparidade tecnológica acendeu um alerta nas autoridades, que passaram a considerar seriamente a captura desses avanços para fins próprios. A intenção não era apenas observar, mas sim decifrar o funcionamento de máquinas que pareciam operar fora dos padrões convencionais de engenharia.

O objetivo estratégico foi formalizado em documentos que admitiam o interesse na engenharia reversa desses fenômenos. “Uma questão suplementar é a possibilidade de aquisição de tecnologia”, dizia um dos relatórios, segundo informações do Sunday Times reproduzidas pelas fontes. Para a inteligência britânica, ignorar tais manifestações seria desperdiçar a oportunidade de obter um salto tecnológico que nenhum poder hostil terrestre possuía na época.

Essa busca por soberania tecnológica colocou os UAPs no centro de uma disputa silenciosa por inovação. Os oficiais acreditavam que a compreensão desses sistemas poderia revolucionar a defesa aeroespacial do Reino Unido, garantindo uma vantagem permanente em conflitos futuros. Assim, o que era visto pelo público como mistério ou ficção científica, era tratado nos corredores do Ministério da Defesa (MoD) como uma prioridade de inteligência e segurança nacional.

Fenômenos que desafiam a física

Os registros detalham incidentes onde a superioridade técnica dos objetos ficou evidente, como o caso dos “deltas belgas”, que foram confirmados pelo Ministério da Defesa daquele país. Segundo os relatórios britânicos, essas naves pairavam por longos períodos antes de acelerarem rapidamente para velocidades supersônicas, superando facilmente o desempenho de caças F-16. “Os UAPs não parecem usar propulsão de reação convencional”, observou um relatório da época, sugerindo que, se tal tecnologia existisse de fato, deveria ser adquirida.

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Outro pilar das investigações foi o famoso incidente na Floresta de Rendlesham, ocorrido em 1980 em uma base da Força Aérea dos Estados Unidos em Suffolk, Inglaterra. Os arquivos agora revelados descrevem o pouso de uma “nave de origem desconhecida” que brilhava intensamente antes de retornar aos céus. A relevância desse caso para a inteligência britânica residia na sua credibilidade, uma vez que o evento foi “confirmado pelo comandante da unidade dos EUA e outros” presentes no local.

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A natureza desses avistamentos levou os analistas a concluírem que alguns relatos descreviam objetos com manobras, formas e velocidades que estavam “além do nosso conhecimento de engenharia”. Essa conclusão foi fundamental para separar os casos triviais daqueles que realmente interessavam aos militares. O foco estava em fenômenos que não poderiam ser explicados pela ciência convencional ou pelas capacidades das potências rivais da época.

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Diante da complexidade técnica, o MoD enfrentou dificuldades em priorizar e responder rapidamente a esses incidentes. A sofisticação do que era observado sugeria que qualquer preocupação futura, fosse ela terrestre ou extraterrestre, exigiria uma coordenação internacional robusta dentro de alianças de segurança. O reconhecimento de que tais tecnologias operavam fora dos padrões conhecidos solidificou a necessidade de um monitoramento constante, ainda que discreto.

Famosa foto da onda de ufos triangulares na Bélgica (Patrick Maréchal)
Famosa foto da onda de ufos triangulares na Bélgica (de Patrick Maréchal), atualmente considerada uma falsificação.

Cooperação e ceticismo institucional

O interesse pela tecnologia UAP não era uma exclusividade britânica, conforme indicam as comunicações internas da inteligência. Os documentos mencionam que “os franceses sempre tiveram interesse neste tópico” e que existia o conhecimento de um “agrupamento informal de inteligência nos EUA” dedicado ao mesmo fim. Essa rede de interesse sugere que as principais potências ocidentais estavam em uma corrida silenciosa para entender a física por trás desses fenômenos.

Apesar da seriedade do tema nos altos escalões, havia uma preocupação constante com a percepção pública e o estigma dentro da própria comunidade de inteligência. “A menção aos UAPs é garantida como geradora de alegria e uma gama de piadas de homenzinhos verdes, possivelmente devido ao elemento periférico de ‘loucos’ e à falta de informações convencionais de inteligência”, admitia um dos documentos desclassificados. Essa tensão entre a necessidade estratégica e o medo do ridículo moldou a forma como o segredo foi mantido por décadas.

Com o passar dos anos, o posicionamento oficial do governo britânico mudou drasticamente em relação às investigações de campo. Em dezembro de 2024, o ministro para prontidão de defesa do Reino Unido, Luke Pollard, declarou que o Ministério da Defesa havia “cessado de investigar relatos de OVNIs ou UAP em 2009”. Pollard enfatizou que o ministério não possui planos atuais para comprometer recursos na investigação de novos avistamentos, marcando o fim de uma era de busca oficial.

Atualmente, os documentos que detalham esse período de buscas por tecnologia exótica estão sob a guarda do Arquivo Nacional em Kew, no sudoeste de Londres. Embora o governo afirme ter encerrado as atividades, o conteúdo desses arquivos oferece uma visão analítica sobre como o fenômeno foi levado a sério pelas autoridades militares. O esforço dos anos 90 permanece como um testemunho de que, para a defesa, a fronteira entre a ciência e o desconhecido é uma zona de interesse estratégico permanente.

Redação Vigília

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