Revista UFO é vendida para Grupo Dakila causando crise e divisão na Ufologia

O anúncio da transição societária revela uma crise financeira profunda e divide opiniões
A comunidade ufológica brasileira foi atingida por uma notícia que muitos descrevem como uma avalanche de proporções históricas: a venda da Revista UFO para o grupo UFO Intermediações, que integra o ecossistema empresarial do Grupo Dakila Pesquisas. A confirmação foi feita por Daniel Gevaerd, filho e herdeiro do fundador da publicação, Ademar José Gevaerd, em declarações que circularam rapidamente pelos bastidores antes de uma revelação oficial. Em nota oficial enviada por Daniel ao Portal Vigília, ele afirmou que a operação foi planejada com “foco na continuidade, sustentabilidade e fortalecimento da ufologia brasileira”. Segundo ele, o negócio não foi apenas uma venda simples, mas uma “transição necessária para garantir que o projeto de seu pai não desaparecesse” diante de dificuldades insuperáveis.
Em entrevista exclusiva ao Portal Vigília, Daniel revelou que a negociação, que durou aproximadamente seis meses e envolveu complexas análises jurídicas e financeiras, foi motivada por uma situação financeira dramática deixada após a partida de A. J. Gevaerd, em 2022. Daniel revelou que assumiu a revista enfrentando uma “dívida próxima de um milhão de reais, agravada pela pandemia, paralisação da revista e despesas acumuladas”. Ele explicou que, sem esse aporte financeiro, “não ia existir a continuidade da revista”.
Para Daniel, a aceitação de Urandir em integrá-lo à equipe foi interpretada de forma pessoal, sendo descrita por ele como “um pedido de perdão ao meu pai”.
“Eu tinha uma imagem distorcida dele, até medo passava. Mas fui conhecendo tudo ao redor, muitas pessoas aqui ligadas aos negócios dele, até então o próprio. Um cara muito simples, humilde, leve. Me aceitou na equipe, isso pra mim foi um pedido de perdão ao meu pai. Não dependem de verba pública e ajudam muita gente com filantropia, geração de empregos e acesso a conhecimento fora do convencional”, declarou.
Apesar da transparência alegada por Daniel, a informação chegou de forma fragmentada e tardia aos membros mais próximos do conselho editorial, gerando um profundo mal-estar. Marco Antonio Petit, coeditor da publicação há décadas e um dos amigos mais íntimos de Gevaerd, afirmou em entrevista que “em nenhum momento fui informado por Daniel Gevaerd que a venda da revista teria qualquer ligação com o grupo Dakila”. Petit relatou que só soube da venda em dezembro de 2025, após ouvir rumores de terceiros, e que mesmo quando confrontado, Daniel “em nenhum momento fez qualquer alusão ao nome do Urandir”. A surpresa de Petit foi compartilhada por outros veteranos que dedicaram a vida à linha editorial clássica da revista.
O ex-editor-chefe Thiago Ticchetti, que conduzia a revista desde o falecimento de Gevaerd em 2022, também foi pego de surpresa na fase final do processo, embora já soubesse que as tratativas de venda estavam em curso. Ele relatou ter sido convocado para uma videoconferência na última sexta-feira, 30 de janeiro de 2026, na qual participaram Daniel e um diretor da Dakila, onde a revelação sobre o novo proprietários foi finalmente feita. Ticchetti admitiu que, em um primeiro momento, “se empolgou com a proposta em prol da UFO, do investimento nela e das possibilidades”, chegando a cogitar permanecer no cargo para manter o legado “raiz”. No entanto, após refletir sobre a natureza do grupo comprador, decidiu que seu afastamento era a única via ética possível.
Presidente da Dakila construiu um império polêmico
O novo proprietário da Revista UFO é uma das figuras mais controversas da história recente do Brasil, autoidentificando-se como paranormal e contatado por seres extraterrestres. Ele ganhou notoriedade nacional e internacional através de projetos como a criação da Cidade Zigurats, no Mato Grosso do Sul, onde afirma realizar pesquisas científicas fora do convencional, e mais recentemente o grupo Dakila Pesquisas. Urandir é o mentor por trás de fenômenos midiáticos como o “ET Bilu“, um suposto ser interdimensional, e o documentário “Terra Convexa“, que desafia a esfericidade do planeta. Mais recentemente, ele impulsionou a narrativa de “Ratanabá“, uma suposta cidade perdida na Amazônia que teria sido a capital do mundo há 450 milhões de anos, antes mesmo de os dinossauros terem habitado a Terra.
Suas ações recentemente ganharam mais visibilidade na mídia, depois que veículos tradicionais noticiaram de contatos e potenciais parcerias com o poder público, incluindo o governo do ex-presidente Bolsonaro, atualmente preso, e o Governo dos Estado de São Paulo, sob o comando de Tarcísio de Freitas (Republicanos).
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O histórico do presidente do Grupo Dakila é marcado por acusações feitas exaustivamente pela Revista UFO ao longo dos anos. Em diversas matérias publicadas sob a gestão de A. J. Gevaerd, a revista detalhou casos de pessoas que teriam sido lesadas por promessas de curas milagrosas e investimentos em terras sem registros legais. Em 1997, reproduzindo informações da imprensa local, a revista reportou que Urandir chegou a ser detido em Porto Alegre.
A detenção, sob acusações de estelionato e falsidade ideológica, duraria apenas 2 dias. Até onde apurou esta reportagem, não chegou a haver um processo legal contra ele, que foi liberado com a ficha limpa. Testemunhos e publicações diversas veiculadas nas redes ligadas ao empresário ou de seus apoiadores afirmavam que tratava-se de uma armação.
Apesar disso, Gevaerd frequentemente o qualificava como um “artista de circo” que utilizava “truques de prestidigitação” para enganar seguidores ingênuos. O alvo das acusações, no entanto, sempre se defendeu dizendo ser vítima de uma perseguição por parte de Gevaerd e da Revista UFO.
Um dos pontos mais sensíveis da trajetória do novo proprietário da Revista UFO — segundo as matérias da própria revista — é a revelação de que ele teria “copiado” suas experiências e histórias de outros pesquisadores, especificamente de Lúcio Barbosa. Em matérias de 1997 e 1998 (Revistas UFO nº 52 e nº56 – julho 97 e janeiro de 98), Gevaerd afirmava que “o suposto contatado tem copiado as experiências de outras pessoas” e que teria procurado Barbosa, um ex-professor de Campo Grande, para aprender sobre ufologia antes de começar suas próprias atividades.
Barbosa, em depoimento à época, declarou com indignação que “Urandir simplesmente assimilou minhas histórias e até minha vida” para enriquecer suas próprias apresentações públicas. A revista reforçava que Urandir “não entendia nada do assunto e nunca tinha tido experiência com UFOs” antes desse contato.
Além das polêmicas ufológicas, o império do suposto paranormal expandiu-se para um ecossistema empresarial que inclui banco digital, a criação de uma criptomoeda, vinícolas e até empresas de cosméticos sob o guarda-chuva da holding Ecossistema Dakila. Ele defende que suas iniciativas são meritórias e trazem contribuição econômica ao estado do Mato Grosso do Sul, o que lhe rendeu homenagens de políticos locais, apesar do ceticismo da comunidade científica.
Para seus críticos, no entanto, essas atividades são apenas uma fachada para a manutenção de um sistema que Gevaerd desqualificava frequentemente em seus editoriais mais combativos. Por isso a aquisição da revista causou tamanha estranheza. Para muitos ufólogos consultados pelo Portal Vigília, ela é vista como a uma espécie de tentativa final do suposto paranormal de obter a legitimidade que a publicação sempre lhe negou.
Décadas de rivalidade, confrontos públicos e batalhas judiciais
A inimizade entre o fundador e o novo proprietário da Revista UFO remonta aos anos 80 e perdurou até a morte do editor em 2022, sendo descrita como uma “rixa histórica” e uma “história de inimizade”.
Gevaerd dedicou grande parte de sua carreira a desmascarar o que considerava fraudes, utilizando a Revista UFO como plataforma para suas denuncias. Mas não só: a disputa ocorria na imprensa “leiga” também. Em 1999, um episódio famoso ocorreu durante o programa do Ratinho, onde o empresário acusou Gevaerd de forjar OVNIs para desacreditá-lo, enquanto o editor sustentava que as luzes na fazenda de Urandir eram apenas “truques primários produzidos por canetas a laser”. O apontamento era fruto da incursão de Gevaerd à fazenda do suposto contatado, descrita na Revista UFO nº52, em que ele alegou ter reproduzido as mesmas luzes já observadas usando instrumentos simples.
O então editor da revista afirmava categoricamente que as mentiras eram tão absurdas que “nem o meu gato Bilu acredita nelas”. Essa frase, mais tarde, reclamaria ele, teria dado origem ao nome do suposto extraterrestre criado pelo autodenominado paranormal.
Mas essa rivalidade não se limitou a debates televisivos, escalando para batalhas judiciais em que ambos lançavam mão de muita munição processual. O então editor da UFO costumava celebrar suas vitórias nos tribunais, afirmando que o rival “perdeu todas” e que a justiça frequentemente reconhecia a natureza de suas críticas como legítimo exercício de denúncia.
Apesar disso, sofreu uma derrota importante, relacionada a uma matéria na qual associaria a prática de “charlatanismo e estelionato” à atuação de seu rival. Foi obrigado a retirar a matéria do site da Revista UFO, entre outras obrigações. Em contrapartida, Urandir alegava ser vítima de perseguição sistemática por parte de Gevaerd, o que teria resultado, segundo ele, em condenações por danos morais contra o editor.

A condenação renderia uma espécie de trégua nas investidas de Gevaerd durante um longo período. Mas em um de seus últimos vídeos publicados no canal oficial da própria revista sobre o assunto, já em 2018, intitulado “ET BILÚ, POLÍTICOS IDIOTAS E COISAS TRÁGICAS PARA A UFOLOGIA BRASILEIRA“, Gevaerd fez um novo desabafo contundente contra políticos do Mato Grosso do Sul que homenagearam o suposto contatado.
Ele criticou duramente a concessão de títulos de cidadania e comendas a um homem que ele voltava a chamar publicamente de “charlatão”. Visivelmente indignado, Gevaerd afirmou que “políticos no brasil são realmente uma raça terrível” e que o fato de Urandir ser homenageado na semana de divisão do estado era uma “cagada” e uma “chacota nacional”. Para o editor, tais honrarias eram compradas e serviam apenas para “glamorizar eles próprios diante da imprensa”. Até o fechamento dessa matéria, esse vídeo ainda estava disponível no canal da Revista UFO no Youtube neste link.
A natureza da divergência era profunda e envolvia a própria essência da ufologia defendida por Gevaerd, que buscava mostrar um distanciamento total do misticismo e de seitas ufológicas. Em seus escritos, Gevaerd alertava que “o fanatismo é a pior forma de manifestação de uma predileção qualquer” e que gurus “iludem as pessoas” com promessas vazias. Ele mantinha uma “posição de desafiante”, reforçando que nunca encontrou evidências legítimas nos fenômenos apresentados pelo rival, os quais classificava como “incontida manipulação”.
Esta divergência ética e metodológica tornou a notícia da venda da revista para o grupo Dakila um choque impossível de ser absorvido pela chamada “velha guarda” da comunidade ufológica, sobretudo aquela pertencente ao círculo mais diretamente ligado à produção editorial.
O conselho editorial abandona a publicação em peso por não aceitar a nova diretoria
A reação do conselho editorial da Revista UFO à notícia da venda foi imediata e devastadora, resultando em uma evasão em massa de seus principais colaboradores. Thiago Ticchetti, ao anunciar seu desligamento, foi enfático ao declarar que sua consciência falou mais alto e que não poderia atrelar sua credibilidade “a alguém em quem não confia”.
Em suas redes sociais, ele comunicou que sua saída visava permitir que a nova administração tivesse “plena liberdade para definir, com autonomia, o novo caminho editorial”. Ticchetti desabafou ao Portal Vigília que “não seria honesto comigo nem com o Daniel, estar do mesmo lado de alguém que eu não concordo e que para mim na ufologia não tem crédito algum”.
Marco Antonio Petit também oficializou seu afastamento com “grande tristeza”, reforçando que sua decisão era uma forma de respeitar a memória de seu “grande amigo e irmão” Ademar José Gevaerd. Petit classificou a transição societária como “um grande desrespeito não só à memória do pai, como a todos que fizeram a história da revista”.
Ele enfatizou que seu vínculo com a publicação vinha desde 1985 e que não poderia continuar sob uma gestão que representava tudo o que a revista combateu por décadas. Outros nomes de peso, como o especialista em análise fotográfica Inajar Antonio Kurowski, também anunciaram sua saída por “motivos particulares e pessoais”, deixando a revista sem seu suporte técnico histórico.
A saída dos conselheiros reflete uma convicção unânime sobre como o fundador da revista reagiria a tal negócio se estivesse vivo. Quando questionado sobre o assunto, Marco Antonio Petit foi categórico:
“Se Gevaerd estivesse vivo, mais uma vez, em minha opinião, seria a última coisa que aceitaria”.
A ideia de que a venda foi um “pedido de desculpas” de Urandir, conforme sugerido por Daniel Gevaerd, não foi aceita pelos veteranos. Para eles, a transição representa a entrega do “projeto de toda uma vida” de Gevaerd nas mãos de seu “eterno rival”, um cenário que o editor falecido consideraria, segundo Petit, uma capitulação inaceitável.
O futuro da publicação permanece incerto, com grupos ufológicos, canais e podcasts encerrando parcerias de longa data por não compactuarem com os novos rumos. O grupo CIFE, o podcast “Acredite se Quiser” e Portal Fenomenum foram alguns dos que comunicaram o encerramento imediato de vínculos, afirmando que a decisão decorre da mudança na gestão.
Enquanto Daniel Gevaerd promete uma “nova fase grandiosa e incrível”, a comunidade ufológica tradicional lamenta o que considera o fim de uma era de ufologia “séria e independente” no Brasil. A percepção predominante entre os pesquisadores é de que, embora a revista continue a existir fisicamente, sua alma e o legado combativo de A. J. Gevaerd foram comprometidos pela aliança com seu maior adversário.
ENTREVISTA: Confira, na integra, a entrevista com Daniel Gevaerd:
Portal Vigília: Você confirma que a revista foi vendida para um grupo empresarial? Ou tratou-se de outro tipo de negociação? Pergunto porque uma fonte me disse que você continuará na revista! E inclusive facultou aos membros do conselho a permanecerem…
Daniel Gevaerd: Sim, confirmo que a Revista UFO foi vendida para um grupo empresarial, a UFO Intermediações. No entanto, não se trata apenas de uma venda simples, mas de uma transição estruturada, pensada para garantir a continuidade, sustentabilidade e crescimento da revista.
Eu permaneço à frente da Revista UFO, assim como foi facultada aos membros do conselho a possibilidade de continuarem participando do projeto, respeitando suas decisões individuais.
Portal Vigília: Esse grupo empresarial de fato pertence, ou é ligado, ao grupo Dakila Pesquisas, do Urandir Fernandes de Oliveira? Se sim, você já sabia disso?
Daniel Gevaerd: Sim. A UFO Intermediações integra um ecossistema empresarial mais amplo, ligado ao Grupo Dakila Pesquisas, presidido por Urandir Fernandes de Oliveira. Essa informação sempre esteve clara durante todo o processo de negociação, que foi conduzido com transparência, cautela e análises profundas, justamente para assegurar que os valores e os objetivos estivessem alinhados com o bem maior da ufologia brasileira.
Portal Vigília: Há quanto tempo vinha ocorrendo o processo de negociação?
Daniel Gevaerd: O processo durou aproximadamente seis meses, envolvendo análises jurídicas, financeiras e estratégicas. Foi um período longo e cuidadoso, necessário para que a decisão fosse tomada com segurança e responsabilidade.
Portal Vigília: Imagino que isso envolva acordos de confidencialidade, mas todo jornalista gosta de números e sou obrigado a perguntar. Então me perdoe e apenas não responda se preferir não falar. Mas se puder falar em valor do negócio… Ou, sob outra perspectiva, se há, do grupo investidor, um compromisso de aportes (e quanto) para crescimento da revista e das pesquisas…
Daniel Gevaerd: Por questões contratuais, não posso divulgar valores específicos da negociação. O que posso afirmar é que existe, sim, um compromisso claro de investimento, não apenas para a manutenção, mas para o crescimento da Revista UFO, fortalecimento da estrutura, modernização e ampliação das pesquisas e projetos ligados à ufologia.
Portal Vigília: Vi muitos nomes que nasceram no circuito da Revista UFO, ou historicamente ligados a ela, informando sua retirada da revista. Você imaginava que isso pudesse acontecer?
Daniel Gevaerd: Eu sabia que mudanças dessa magnitude poderiam gerar decisões pessoais diferentes. Respeito profundamente cada trajetória e cada escolha. A Revista UFO sempre foi construída por muitas mãos ao longo de décadas, e todas elas têm importância histórica. As portas permaneceram abertas ao diálogo. [Nota do Editor: esclarecimento feito por Daniel após o envio das primeiras respostas] O Thiago Ticchetti reuniu-se comigo e um diretor de Dakila, por mais de 1 hora por vídeo conferência. Ele soube assim, teve choque inicial mas depois considerou continuar como editor com alguns combinados respeitados. 2 dias depois, hoje, ele voltou atrás e decidiu sair. Mas ele foi muito elegante e respeitoso. Um grande profissional e pessoa de muito caráter. Compreendido. Convidamos ele a conhecer o ecossistema de perto, tudo.
Portal Vigília: A partida de seu pai deixou uma grande lacuna na própria organização da Ufologia brasileira no geral, não apenas pela Revista. Como assumir esse legado, para além do luto em si, impactou você?
Daniel Gevaerd: Foi um impacto profundo, pessoal e profissional. Além do luto, houve a responsabilidade imediata de assumir uma estrutura que enfrentava uma dívida próxima de um milhão de reais, agravada pela pandemia, paralisação da revista e despesas acumuladas. Sem isso, não ia existir a continuidade da revista, bom lembrar! Assumir esse legado exigiu decisões difíceis, mas sempre com o objetivo de preservar a obra, a história e a credibilidade que meu pai construiu.
Portal Vigília: Sua participação na Ufologia antes disso era tão próxima como era a do seu pai?
Daniel Gevaerd: Desde bebê estive presente em eventos ufológicos. Ao longo da vida, participei ativamente de congressos no Brasil e no exterior, como Argentina e Estados Unidos, sempre trabalhando e auxiliando meu pai. Profissionalmente, atuei por mais de 30 anos dentro da Revista UFO, começando como assistente, passando por almoxarifado, office boy, até arte-finalista e webdesigner até diagramador, diretor geral. Minha relação com a ufologia sempre foi orgânica e cotidiana.
Portal Vigília: O que pode antecipar dos planos para o futuro da Revista?
Daniel Gevaerd: O futuro envolve expansão, modernização e fortalecimento institucional. A Revista UFO seguirá como referência da ufologia brasileira, agora com uma estrutura capaz de ampliar pesquisas, projetos, eventos e presença internacional, sem perder sua essência, história e compromisso com a investigação séria.
Portal Vigília: Uma última pergunta: seu pai e Urandir sempre tiveram uma rivalidade histórica. Isso não pesou na negociação com o grupo?
Daniel Gevaerd: Sim, com certeza! Eu tinha uma imagem distorcida dele, até medo passava. Mas fui conhecendo tudo ao redor, muitas pessoas aqui ligadas aos negócios dele, até então o próprio. Uma cara muito simples, humilde, leve. Me aceitou na equipe, isso pra mim foi um pedido de perdão ao meu pai. Não dependem de verba pública e ajudam muita gente com filantropia, geração de empregos e acesso a conhecimento fora do convencional.
Nota enviada por Daniel Gevaerd ao Portal Vigília:
NOTA OFICIAL – REVISTA UFO
A Revista UFO informa que concluiu um processo de transição societária, passando a integrar a estrutura da UFO Intermediações, grupo empresarial presidido por Urandir Fernandes de Oliveira. A operação foi realizada de forma planejada, responsável e com foco na continuidade, sustentabilidade e fortalecimento da ufologia brasileira.
A UFO Intermediações faz parte de um ecossistema empresarial composto por 23 empresas, atuantes em diversos segmentos, como agricultura, café, vinho, argila, banco digital, tecnologia avançada, mobilidade aérea, além de projetos científicos e espaciais. Esse ecossistema está ligado ao Grupo Dakila Pesquisas, que desenvolve iniciativas científicas, tecnológicas e de pesquisa em diferentes áreas do conhecimento, incluindo o chamado Ecossistema Dakila, que abrange, entre outros projetos, as cidades de Havalon e Zigurats.
O processo de negociação teve duração aproximada de seis meses, período em que foram realizadas análises jurídicas, financeiras e estratégicas, sempre com total transparência e cautela, visando garantir segurança institucional e preservar o legado histórico da Revista UFO.
O atual diretor da revista, Daniel Gevaerd, único herdeiro de seu fundador, permanece à frente do projeto. Daniel possui uma trajetória de mais de 30 anos dentro da Revista UFO, tendo iniciado sua atuação ainda jovem, passando por diversas funções operacionais e técnicas, como assistente, almoxarifado, arte-finalista e webdesigner. Desde a infância, esteve presente em eventos ufológicos no Brasil e no exterior, colaborando diretamente
com seu pai, o jornalista e pesquisador A. J. Gevaerd, cuja atuação marcou profundamente a ufologia nacional e internacional.
Após o falecimento de seu pai, Daniel assumiu a direção da Revista UFO em um contexto extremamente desafiador, incluindo uma dívida acumulada próxima a um milhão de reais, resultado da paralisação causada pela pandemia e de despesas operacionais mantidas ao longo do período. A decisão pela transição societária foi tomada visando o bem maior da ufologia brasileira, assegurando a continuidade da publicação e sua recuperação estrutural. A Revista UFO reconhece e respeita as decisões individuais de colaboradores e conselheiros que optaram por seguir outros caminhos neste momento de mudança. A história da revista foi construída por muitas mãos ao longo de décadas, e todas elas são parte fundamental desse legado.
Para o futuro, a Revista UFO seguirá seu compromisso com a investigação séria, responsável e independente, agora com uma estrutura fortalecida, que permitirá investimentos em modernização, ampliação das pesquisas, novos projetos editoriais e maior presença nacional e internacional.
A Revista UFO reafirma seu respeito à sua história, ao público leitor e à comunidade ufológica, mantendo-se fiel aos princípios que a consolidaram como a mais tradicional publicação de ufologia do Brasil.







