Governo Trump libera arquivos de OVNIs

O governo dos Estados Unidos, sob ordem direta do presidente Donald Trump, desclassificou e publicou nesta sexta-feira, 8 de maio de 2026, um compêndio histórico de 162 arquivos relacionados a Fenômenos Anômalos Não Identificados (UAPs ou OVNIs). O material, disponibilizado no novo portal oficial war.gov/UFO, inclui uma vasta coleção de vídeos de sensores militares, documentos do FBI em formato PDF e registros fotográficos de missões espaciais da NASA, abrangendo décadas de avistamentos não resolvidos em todo o globo.
A iniciativa é o resultado prático do sistema PURSUE (Sistema Presidencial de Desarquivamento e Relatório de Encontros de UAPs), estabelecido após uma diretiva de fevereiro de 2026, na qual o presidente instruiu o Departamento de Guerra a garantir transparência máxima sobre o tema. De acordo com o governo, este é apenas o primeiro lote de uma série de liberações programadas para ocorrer de forma contínua nas próximas semanas, envolvendo a revisão de dezenas de milhões de registros que antes estavam ocultos sob diferentes níveis de classificação.

Apesar do entusiasmo inicial que cercou o anúncio, a análise técnica dos documentos revela o que muitos críticos e entusiastas já descrevem como um “banho de água fria”. O material não apresenta evidências definitivas de tecnologia alienígena ou de naves que desafiam as leis da física; em vez disso, a coletânea foca em casos não resolvidos onde a falta de dados impede uma conclusão oficial, mantendo o enigma em um estado de dubiedade.
A divulgação também levanta sérias questões sobre a profundidade do conhecimento de parlamentares que pressionavam pelo disclosure. Se estes são os mesmos arquivos que deixaram legisladores “impressionados”, isso depõe contra a capacidade técnica de avaliação do Congresso, uma vez que muitos registros parecem ser explicáveis por fenômenos convencionais, como radiação cósmica, balões ou falhas instrumentais, que a ufologia civil já está acostumada a descartar há décadas.
Registros da NASA e a polêmica da Apollo 17
Um dos pontos centrais da liberação são as fotografias e transcrições das missões Apollo 12 e Apollo 17, que documentam luzes e flashes observados por astronautas na superfície lunar. O material da Apollo 17 detalha como a tripulação registrou três pontos de luz no céu que pareciam “partículas ou fragmentos de forma triangular e muito brilhantes”. Em uma transcrição literal, um dos astronautas descreveu a visão do módulo lunar: “Existem algumas partículas ou fragmentos muito brilhantes ou algo que passa flutuando enquanto manobramos”, ao que o centro de comando respondeu apenas com um lacônico “Entendido”.
Outro operador da missão acrescentou detalhes visuais impressionantes durante a conversa: “Há um monte de coisas grandes na minha janela lá embaixo — apenas brilhantes. Parece o quatro de julho na janela do Ron”. Em resposta, o primeiro operador confirmou a natureza anômala dos objetos: “Sim. Agora você pode ver alguns deles em forma. Eles são fragmentos muito irregulares e angulares que estão tombando”. No entanto, cientistas e analistas sugerem explicações prosaicas, como cristais de gelo se desprendendo da própria nave ou interferência eletromagnética.
A credibilidade dessas imagens como prova de OVNIs foi duramente atingida por usuários de plataformas como o Reddit, que identificaram rapidamente uma foto divulgada como “inconclusiva” como sendo, na verdade, a própria Apollo 17. Ao comparar a versão granulada liberada pelo governo com arquivos de alta fidelidade do Smithsonian Air and Space Museum, tornou-se evidente que o objeto em questão já havia sido identificado pela própria NASA em publicações anteriores. Essa discrepância sugere que o esforço de desclassificação pode estar reciclando materiais conhecidos sob um novo rótulo de “mistério” para satisfazer demandas políticas.

Além das imagens, há relatos de flashes de luz vistos por astronautas mesmo com os olhos fechados, fenômeno que a ciência já classificou como efeito da radiação cósmica interagindo com a retina em ambientes de baixa magnetosfera. Embora o material fotográfico mostre áreas de interesse marcadas de 1 a 5 no horizonte lunar, o próprio governo admite que essas marcações têm caráter apenas contextual e “não representam qualquer conclusão analítica ou confirmação sobre a natureza dos objetos observados”.
Vídeos militares e a ausência de tecnologias não humanas
A coletânea inclui vídeos obtidos por sensores infravermelhos de plataformas militares, como o registro de 2024 na região do Indo-Pacífico. O vídeo de nove segundos mostra um objeto com contraste térmico descrito como semelhante a uma “bola de futebol americano” com projeções radiais, mas sem qualquer descrição oral ou escrita dos observadores originais. Casos como este são rotulados pelo AARO (Escritório de Resolução de Anomalias em Todos os Domínios) apenas como informativos, sem representar uma validação da natureza extraterrestre do fenômeno.
Outro registro notável, datado de 2024 e capturado pelo Comando Norte dos EUA, mostra um objeto com formato de “lágrima invertida” sobre o mar, com uma massa linear suspensa abaixo dele. Embora o observador tenha sugerido que o fenômeno poderia ser apenas o reflexo de um objeto na água, o caso permanece oficialmente não resolvido. Esse padrão de vídeos inconclusivos de pequenos objetos que “não desafiam a física” e mantêm atitudes de voo compatíveis com drones convencionais permeia a maior parte do lote inicialmente liberado.

No Oriente Médio, um vídeo de 2023 capturou um objeto com formato de “estrela de oito pontas” que deixava um rastro visível enquanto se movia. Apesar do aspecto incomum, analistas independentes apontam que o formato pode ser um artefato gerado pelo próprio instrumento de captura infravermelho, o chamado “lens flare” ou distorção térmica. O fato de o Exército ter enviado esse material ao AARO como “não explicado” reforça a tese de que o governo está liberando qualquer dado que não tenha uma etiqueta de identificação imediata, independentemente de sua relevância científica.
A análise crítica dos vídeos revela que a maioria das capturas mostra “áreas de contraste térmico” que aumentam e diminuem de tamanho devido às mudanças de foco e zoom do sensor, e não por manobras inteligentes do objeto. Em um vídeo do Exército de quase dois minutos gravado em 2026, o sensor rastreia múltiplos pontos de contraste térmico, mas a descrição oficial reitera que o material é fornecido apenas para fins informativos. Para a ufologia técnica, esses registros são redundantes e não acrescentam dados novos sobre a suposta presença de naves de origem não humana.
A estrutura burocrática da desclassificação em massa
A operação de liberação dos arquivos foi coordenada por figuras de alto escalão do governo, incluindo o Secretário de Guerra Pete Hegseth e a Diretora de Inteligência Nacional Tulsi Gabbard. Em comunicado oficial, Hegseth afirmou que o departamento está em “total sintonia com o presidente Trump para trazer uma transparência sem precedentes sobre o entendimento do nosso governo a respeito de Fenômenos Anômalos Não Identificados”. Ele declarou ainda para o site oficial do governo que “esses arquivos, escondidos sob classificações, há muito alimentam especulações justificadas — e é hora de o povo americano ver por si mesmo”.
A Diretora Tulsi Gabbard reforçou que o esforço envolve a coordenação de dezenas de agências e a revisão de milhões de documentos, muitos dos quais existem apenas em papel. Falando em audiência no Senado, ela destacou: “Sob a liderança do presidente Trump, o Gabinete do Diretor de Inteligência Nacional está coordenando ativamente os esforços de desclassificação da Comunidade de Inteligência com o Departamento de Guerra para garantir uma revisão cuidadosa, abrangente e sem precedentes”. A promessa é de que novas levas de documentos sejam publicadas em um sistema de “fluxo contínuo”.
O diretor do FBI, Kash Patel, também qualificou a liberação como um marco histórico, afirmando para a rede Fox News que “pela primeira vez na história, o povo americano tem acesso irrestrito a arquivos governamentais desclassificados sobre Fenômenos Anômalos Não Identificados — um nível de transparência que nenhuma administração anterior entregou”. Entretanto, críticos notam que muitos PDFs divulgados ainda apresentam trechos censurados (tarjas pretas), o que o governo justifica como necessário para proteger áreas estratégicas de inteligência e instalações militares sensíveis.
O Administrador da NASA, Jared Isaacman, elogiou o esforço de todo o governo, mas manteve a postura cautelosa da agência espacial: “Na NASA, nosso trabalho é trazer as mentes mais brilhantes e os instrumentos científicos mais avançados para analisar os dados e compartilhar o que aprendemos. Permaneceremos francos sobre o que sabemos ser verdade e o que ainda não compreendemos”. Essa postura sugere que, embora a burocracia política esteja acelerando a abertura de arquivos, o rigor científico da agência ainda não encontrou a “arma fumegante” da vida extraterrestre.
Repercussão global e o ceticismo das mídias
A repercussão dessa divulgação massiva foi imediata e dividiu opiniões entre ceticismo político e entusiasmo ufológico. Até mesmo o popular podcaster Joe Rogan, em seu programa The Joe Rogan Experience, sugeriu uma motivação cínica para o timing da liberação, apontando que a divulgação poderia ser uma “distração” estratégica em relação aos problemas enfrentados na guerra com o Irã. Em conversa com o congressista Tim Burchett, Rogan afirmou para sua audiência: “O que não faz sentido totalmente é por que agora — a divulgação — a menos que, quero dizer, sendo cínico… a guerra do Irã não está indo muito bem. O público americano está muito chateado. Precisamos de algo para nos distrair”.
Por outro lado, o congressista Tim Burchett, um defensor de longa data da transparência, rebateu a ideia de distração, afirmando que “o presidente Trump genuinamente vê que a América precisa saber dessas coisas”, embora tenha criticado duramente os “cafetões da guerra” no Pentágono que, segundo ele, resistem à abertura total. Outro parlamentar que celebrou o evento foi o Senador Chuck Schumer, agora líder da minoria no Senado, que escreveu em sua rede social: “Por décadas, a divulgação de OVNIs tem sido um objeto distante — não identificado e inexplicado. Isso está começando a mudar. Continuarei pressionando até pousarmos na verdade”.
Here is a thread of each of the UFO videos released today by the Department of War.
— John Greenewald, Jr. (@theblackvault) May 8, 2026
Entre os pesquisadores técnicos, o tom foi de cautela extrema. John Greenewald, responsável pelo portal The Black Vault, manteve uma postura factual, agindo como um repositório para os novos vídeos e destacando que todos são classificados como “não resolvidos”, evitando alimentar o hype de uma origem necessariamente não humana. Mesmo assim, o tem de seu fio publicado no X.com foi claramente de crítica quanto à qualidade dos vídeos e ceticismo.
Enquanto isso, o denunciante e ex-oficial de inteligência David Grusch alertou que a transparência real ainda pode enfrentar resistência interna. Em entrevista, Grusch mencionou uma “estratégia de lawfare” (uso de sistemas legais para punir ou atrasar oponentes) que pode estar sendo usada por insiders hostis à divulgação para reter as informações mais significativas.
Na comunidade científica e jornalística, como no relato de Tom Castello para a NBC News, o sentimento foi de que o material é “mais do mesmo”, consistindo em fotografias granulosas e pontos pretos infravermelhos sem explicações detalhadas. Castello resumiu a frustração de muitos ao dizer: “Não aprendemos muito. Parece ser mais do mesmo, fotografias muito granulosas do que parece ser um ponto preto infravermelho no céu”. Essa percepção reforça a ideia de que, embora o governo tenha aberto as comportas da informação, o conteúdo liberado até agora não possui o peso histórico necessário para mudar o paradigma sobre a vida no universo, servindo mais como um palanque político de transparência do que como uma revelação científica definitiva.







