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Pentágono divulga quarto lote de documentos sobre UAPs pela iniciativa Pursue

Pentágono libera o quarto lote de documentos da iniciativa PURSUE, revelando vídeos inéditos e relatórios de aviadores sobre UAPs, mas acende novos alertas sobre "qualidade" da transparência

A intrigante imagem do caso DOW-UAP-PR116, sobre o oceano Atlântico em 2020 (Reprodução)

A intrigante imagem do caso DOW-UAP-PR116, sobre o oceano Atlântico em 2020, em vídeo liberado no novo lote de documentos (Reprodução)

Hoje, 10 de julho de 2026, o governo dos Estados Unidos deu mais um passo em sua política de transparência ao publicar o quarto lote de arquivos desclassificados sobre Fenômenos Anômalos Não Identificados (UAPs). Em etapas, a liberação está sendo coordenada pelo Departamento de Guerra e pelo Escritório de Resolução de Anomalias em Todos os Domínios (AARO), que disponibilizaram ao público um conjunto de 40 novos registros que incluem documentos históricos, áudios operacionais e vídeos captados por sensores militares de última geração. Esta nova leva de dados reforça o esforço do governo em centralizar informações que antes estavam dispersas ou ocultas sob rígidos protocolos de sigilo.

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O material é parte integrante do PURSUE (Sistema Presidencial de Abertura e Relato de Encontros com UAPs), uma iniciativa direta da administração Donald Trump para investigar casos que permanecem sem explicação técnica definitiva. Desde o seu lançamento em maio deste ano, o portal oficial WAR.GOV/UFO tornou-se um fenômeno global, acumulando mais de 1,7 bilhão de acessos de cidadãos e pesquisadores em busca de respostas sobre o que sobrevoa os céus do planeta. O Secretário de Guerra, Pete Hegseth, enfatizou que esses arquivos, por décadas escondidos, alimentaram especulações e que agora “é hora de o povo americano ver por si mesmo”.

Entre os documentos liberados, um dos destaques mais impressionantes envolve o relato de um aviador militar com décadas de experiência que descreveu um encontro com um objeto cujas características desafiariam o conhecimento convencional. O aviador afirmou que o fenômeno era “diferente de tudo o que já tinha visto” em seus 28 anos de serviço na Força Aérea e na Marinha, descrevendo um objeto pequeno e retangular que se movia a uma velocidade tão extrema que o zoom da câmera não conseguiu acompanhar. Esse tipo de testemunho qualificado tem sido o motor por trás da pressão pública e legislativa por mais clareza.

A estrutura do lançamento de hoje revela uma abordagem de “todo o governo”, contando não apenas com dados do Pentágono, mas também com contribuições da NASA, CIA, FBI e do Departamento de Energia (DOE). Dos 40 arquivos, 19 são vídeos que mostram desde objetos luminosos sobre o Mar da China Meridional até rastros térmicos inexplicados captados por sensores infravermelhos.

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Embora a maioria dos materiais ainda deixe muito à imaginação devido à natureza borrada das imagens, a riqueza de detalhes nos relatórios de acompanhamento oferece um vislumbre intrigante sobre os procedimentos de interceptação e monitoramento militar… bem como da grande probabilidade de eventos triviais acabarem sendo classificados como inexplicados.

O enigma do mar amarelo e a estrela de seis pontas

DOW UAP PR104 Unresolved UAP Report Yellow Sea 2025
DOW-UAP-PR104_Unresolved-UAP-Report_Yellow-Sea_2025

Um dos vídeos que mais gerou debates técnicos imediatos nesta liberação foi o registro identificado como DOW-UAP-PR104, captado em 2025 na região do Mar Amarelo. As imagens, obtidas por um sensor infravermelho a bordo de uma plataforma do Comando Indo-Pacífico, mostram o rastreamento de uma área de contraste que as autoridades descreveram como semelhante a uma “estrela de seis pontas”.

Por 18 segundos, o sensor luta para manter o objeto centralizado, enquanto este parece manter uma forma geométrica incomum e uma luminosidade constante contra o fundo marítimo. Reproduzindo o que já havia acontecido no Release 03 em uma imagem similar, os analistas recomendam cautela: a imagem gerada em si deve ser causada por distorções nos sensores, não pela forma do objeto em si.

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A natureza do objeto rapidamente dividiu as opiniões entre observadores atentos e a comunidade de analistas independentes em fóruns como o Metabunk. Enquanto entusiastas apontam a forma estelar como uma possível evidência de tecnologia não humana ou aeronave experimental, especialistas em óptica sugerem uma explicação muito mais mundana: o fenômeno dos picos de difração (diffraction spikes). Esse efeito ocorre quando a luz de uma fonte pontual intensa interage com a estrutura física do sensor da câmera, criando o padrão estelar que pode ser confundido com a forma real do objeto.

O relatório oficial da AARO que acompanha o vídeo é cauteloso e se limita a descrever a mecânica do que o sensor captou, sem oferecer uma conclusão definitiva. “O sensor luta para rastrear uma área de contraste lembrando uma estrela de seis pontas, mantendo-a geralmente centralizada”, diz a descrição técnica, que termina com o aviso padrão de que o texto não deve ser interpretado como um julgamento investigativo.

Essa ausência de hipóteses institucionais em casos recentes é um padrão notado por analistas de dados, que veem uma resistência do governo em especular sobre eventos ocorridos nos últimos anos.

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A frustração de parte do público reside justamente nesse vácuo analítico para vídeos captados com tecnologia moderna. No caso do Mar Amarelo, se a origem foi um artefato de câmera ou um objeto físico real, o Pentágono optou por manter o rótulo de “não resolvido”, incentivando o setor privado a aplicar sua expertise na análise. O debate sobre este vídeo sublinha o desafio constante da iniciativa PURSUE: separar anomalias ópticas de fenômenos físicos genuínos em um ambiente de dados altamente complexo e, por vezes, ruidoso.

Pantex e a rara reversão da censura governamental

Um dos achados mais intrigantes deste quarto release não está apenas no que foi revelado, mas em como a informação foi “liberada” de uma censura anterior. O documento DOE-UAP-D005 detalha uma intrusão ocorrida em setembro de 2015 sobre a usina Pantex, no Texas, uma instalação ultra-sensível onde são montadas e desmontadas armas nucleares. O que torna este arquivo especial é que partes dele haviam sido publicadas em maio de forma fortemente redigida, e agora o governo optou por “des-redigir” o conteúdo, revelando detalhes que antes estavam sob tarjas pretas.

O incidente em si parece, à primeira vista, saído de um roteiro de ficção científica: a usina entrou em estado de lockdown enquanto dois policiais perseguiam um objeto invasor que violou o espaço aéreo restrito. Os oficiais relataram que o objeto era completamente silencioso e não apresentava nenhum sistema de propulsão visível, mesmo quando observado de perto com binóculos de alta potência. O relatório do Departamento de Energia (DOE) capturou o momento de tensão através do seguinte depoimento:

“Embora não tenham conseguido alcançar o objeto, eles pararam o veículo e saíram. Do lado de fora, notaram que o objeto não emitia nenhum som. Além disso, os [policiais] afirmaram que não conseguiram identificar nenhum tipo de sistema de propulsão no objeto enquanto o observavam com binóculos para avaliar o objeto. Após visualizá-lo por 1 ou 2 minutos, o objeto então continuou para o norte, saindo do local”.

A hipótese de que o objeto pudesse ser um drone espião de uma potência estrangeira ou um dispositivo de vigilância avançado foi considerada, mas a falta de ruído e de meios visíveis de sustentação desafia as explicações convencionais para a época. A proximidade com instalações nucleares é um padrão histórico recorrente que tem sido destacado por figuras públicas da Ufologia. Alguns documentos apontam que essa atividade persiste há pelo menos 77 anos. A segurança nacional, neste caso, foi colocada em xeque por um intruso que simplesmente desapareceu no horizonte.

DOE UAP D005 Pantex Unidentified Object Incident Report 2015
DOE-UAP-D005_Pantex-Unidentified-Object-Incident-Report_2015

Este caso é citado por analistas como uma quebra na narrativa de que as liberações do PURSUE são apenas “mais do mesmo”. A reversão da redação sugere que existe um processo interno de reavaliação de riscos, onde informações antes consideradas sensíveis demais para o público estão sendo reclassificadas como seguras para divulgação. Para os pesquisadores, o caso Pantex seria uma prova de que a pressão por transparência está surtindo efeito, forçando o governo a mostrar as mãos em incidentes que tocam o cerne da segurança atômica dos Estados Unidos.

O relato do aviador veterano e o vácuo de explicações

Um dos testemunhos mais contundentes desta nova leva de arquivos vem de um aviador militar (em uma aeronave civil) que, em 2019, presenciou algo que teria desafiado sua experiência de quase três décadas. Voando sobre a região leste dos Estados Unidos com outros quatro tripulantes, ele avistou um pequeno objeto que viajava em linha reta a uma velocidade vertiginosa, movendo-se na direção oposta à sua plataforma aérea. O encontro foi tão rápido que, no momento em que a tripulação tentou ajustar o zoom do sensor infravermelho para obter uma imagem melhor, o objeto simplesmente saiu do campo de visão e não pôde mais ser localizado.

A precisão do relato e a qualificação das testemunhas elevaram este caso, identificado como DOW-UAP-PR112, a um patamar de alta credibilidade dentro dos arquivos da AARO. Em seu relatório de debriefing, o piloto foi enfático ao registrar sua perplexidade, deixando claro que o que viu não se comportava como nenhuma aeronave conhecida:

“Notei um objeto com características de voo diferentes de tudo o que eu tinha visto em meus 28 anos de atuação para a [Força Aérea] e para a Marinha. Um pequeno objeto estava abaixo de nós e parecia estar viajando em linha reta na direção oposta à nossa, em alta velocidade. Eu o rastreei por aproximadamente 10 a 15 segundos antes de ligarmos o gravador para fornecer o vídeo anexo. Quando dei zoom para tentar obter mais resolução, a velocidade do objeto o tirou do meu campo de visão e não consegui readquiri-lo, mesmo com um zoom menor. Após a análise do voo, o objeto pareceu ser retangular. Outros com igual ou mais experiência também não tinham certeza do que esse objeto poderia ser”.

No campo das hipóteses, o caso permanece em um limbo incômodo. Enquanto alguns analistas céticos sugerem que a velocidade aparente pode ter sido amplificada pelo efeito de paralaxe ou por um erro de percepção da tripulação em relação a um drone de alta performance, o formato retangular e a ausência de asas ou superfícies de controle visíveis dificultam essa atribuição. Além disso, o fato de outros quatro tripulantes experientes não conseguirem identificar o alvo reforça a ideia de que não se tratava de um objeto comum ou de um balão à deriva.

DOW UAP PR112
Caso DOW-UAP-PR112

A falta de um comentário técnico por parte da AARO sobre este vídeo específico é notória. Diferente de outros casos onde o governo sugere “balões” ou “pássaros”, aqui o registro é mantido como “não resolvido”, sem qualquer tentativa de explicação por parte das agências. A essa assimetria no tratamento dos dados sugere que, quanto mais inexplicável é o comportamento de voo, menos as instituições estão dispostas a arriscar hipóteses, deixando o mistério flutuar entre a realidade física e o desconhecido tecnológico.

As luzes de Los Alamos e a ciência da Guerra Fria

A liberação de hoje também mergulhou profundamente no passado com a desclassificação de documentos de 1949 relacionados a uma conferência secreta no Laboratório Científico de Los Alamos. Naquele encontro, mentes brilhantes que ajudaram a desenvolver as primeiras armas nucleares no Projeto Manhattan se reuniram para tentar entender um fenômeno que assolava a região: as chamadas “bolas de fogo verdes”. Esses objetos eram vistos cruzando os céus em trajetórias horizontais incomuns, muitas vezes desaparecendo tão subitamente quanto surgiam, gerando alarme nas autoridades de segurança nacional da época.

Os documentos revelam um debate científico acalorado entre figuras de peso da ciência americana. Uma das hipóteses principais levantadas pelo grupo era de que as luzes poderiam ser meteoros entrando na atmosfera em ângulos rasos, mas essa ideia encontrou resistência de especialistas em balística e astronomia. O Dr. Edward Teller, conhecido como o pai da bomba de hidrogênio, sugeriu uma explicação alternativa ousada para a época: se não fossem corpos materiais, as luzes poderiam ser um “fenômeno eletrônico” de origem desconhecida. A ata da conferência resume o impasse:

“O grupo não chegou a um consenso sobre uma provável atribuição para o fenômeno, embora uma hipótese principal fosse a de que as observações pudessem estar relacionadas a meteoros entrando na atmosfera em um ângulo raso e em alta altitude. O Dr. Edward Teller sugeriu que, se não fosse um ‘corpo material’, um ‘fenômeno eletrônico’ poderia ser a causa, enquanto o Dr. Lincoln LaPaz, um especialista em meteorítica, expressou que ‘nada como isso, até onde sei, jamais foi observado no caso de quedas de meteoritos'”.

O ceticismo do Dr. LaPaz baseava-se no fato de que meteoritos reais não se movem de forma horizontal por longas distâncias nem apresentam a cor verde intensa e pura descrita pelas testemunhas. Essa divergência científica entre meteoros e fenômenos exóticos mostra que o governo dos EUA já tratava a questão dos UAPs com seriedade acadêmica e preocupação militar desde o início da era moderna dos discos voadores. O documento também menciona o Projeto Sign, a primeira investigação oficial da Força Aérea, que já catalogava centenas de avistamentos semelhantes entre 1947 e 1948.

DOW UAP D097 Project Sign Progress Report 1948
Registro DOW-UAP-D097_Project-Sign-Progress-Report_1948, que também tratou de aeronaves secretas de formatos conhecidos da Ufologia

Embora esses casos tenham décadas, a sua inclusão no Release 4 do PURSUE serve para contextualizar que o mistério atual é o herdeiro direto de um enigma que a ciência da Guerra Fria não conseguiu decifrar. A persistência desses fenômenos sobre locais nucleares, de Los Alamos em 1949 à Pantex em 2015, poderia sugerir um interesse contínuo de algo — ou alguém — pelas capacidades atômicas dos EUA.

O mistério do objeto marrom-avermelhado sobre o Atlântico

Entre as imagens captadas por sensores infravermelhos e sensores eletro-ópticos, o vídeo identificado como DOW-UAP-PR116 destaca-se por uma descrição visual incomum e pela natureza burocrática de seu registro. O encontro ocorreu em 2020 sobre o Oceano Atlântico, quando a tripulação de uma plataforma aérea da Marinha dos Estados Unidos cruzou o caminho de um intruso que flutuava solitário em alta altitude.

Diferente de outros casos que mostram esferas metálicas ou orbes de luz pulsante, este objeto apresentava uma coloração marrom-avermelhada ou “bordô” e uma estrutura que desafia a identificação imediata, apesar de seu comportamento aparentemente inerte. Embora tenha sido imediatamente relacionado aos casos conhecidos como “jellyfish” (ou água-viva), o zoom intenso aplicado no registro mostra o que se parece muito com um amontoado de balões de formato retangular ou grandes sacos de lixo amarrados a um eixo central.

O relatório de acompanhamento, um formulário padronizado conhecido como Range Fouler Debrief, revela que o objeto tinha dimensões consideráveis, com uma altura estimada entre 3,5 e 4,5 metros (12 a 15 pés). O relato detalha que o fenômeno não demonstrava qualquer comportamento inteligente de voo ou sistema de propulsão ativo, limitando-se a viajar com o vento sem realizar manobras evasivas ou mudanças de direção detectáveis. No entanto, a precisão do registro e a impossibilidade de confirmação visual definitiva no momento crucial da interceptação mantiveram o caso no catálogo de incidentes “não resolvidos” da AARO.

A intrigante imagem do caso DOW-UAP-PR116, sobre o oceano Atlântico em 2020 (Reprodução)
A intrigante imagem do caso DOW-UAP-PR116, sobre o oceano Atlântico em 2020, em vídeo liberado no novo lote de documentos (Reprodução)

A descrição literal do oficial de sistemas de armas da Marinha, contida no documento DOW-UAP-D091, oferece um vislumbre da incerteza técnica que permeou a missão mesmo diante de um alvo de movimento lento. O depoimento, presente nos arquivos do Departamento de Guerra, relata o seguinte:

“Estruturalmente, ele parecia ser um balão grande e um tanto deformado, mas não fomos capazes de verificar isso enquanto passávamos pelo ponto de convergência (merge). Notamos um objeto de cor purpúrea escura, com aproximadamente 12 a 15 pés de altura, que viajava conforme as correntes de vento e não realizava manobras. Em seguida, procedemos de volta ao navio, pousando sem intercorrências.”

Para os analistas céticos, o caso PR116 é um exemplo clássico de como objetos mundanos podem ser catalogados como UAPs devido à falta de dados sensoriais completos ou à incapacidade de recuperação física do objeto. A hipótese de um balão de pesquisa ou um objeto inflável à deriva é a mais aceita, reforçada pela própria observação da tripulação sobre a dinâmica de voo consistente com o vento. Contudo, pesquisadores independentes notam que o documento original ainda contém duas linhas fortemente redigidas (censuradas) logo após a menção ao balão, o que alimenta especulações sobre se haveria algum detalhe adicional na estrutura do objeto que impedisse o governo de encerrar o caso como um simples balão identificado.

O triângulo fantasma da missão STS-80

A Agência Espacial dos EUA, a NASA, também teve sua contribuição neste lote. E uma polêmica. Em novembro de 1996, o ônibus espacial Columbia orbitava a Terra durante a histórica missão STS-80, sem que a tripulação soubesse que suas lentes capturariam um mistério persistente da era espacial. As imagens desclassificadas hoje sob o selo NASA-UAP-D030 revelam um objeto de formato triangular ou cônico, posicionado de forma intrigante entre a estrutura da nave e a curvatura do planeta. Embora na época o evento tenha passado despercebido por muitos, a sua inclusão no quarto lote do programa PURSUE reacendeu um debate sobre o que realmente flutuava no vácuo ao lado dos astronautas.

NASA UAP D031 STS 80 Unidentified Object Image2 1996
NASA-UAP-D031_STS-80-Unidentified-Object-Image2_1996

A análise técnica que acompanha os arquivos traz detalhes que alimentam tanto o ceticismo quanto a curiosidade dos pesquisadores. Segundo as notas descritivas da própria NASA, o comportamento do intruso — que parece girar ou tombar sobre seu próprio eixo — é “consistente com o comportamento de um objeto em flutuação livre”, sugerindo a presença de um corpo inerte à deriva, ou seja, destroços de algum outro lançamento.

O tom de mistério não convenceu, no entanto, a comunidade de investigadores independentes do Metabunk. Os usuários rapidamente apontaram uma hipótese muito mais pragmática: a Columbia carregava dois satélites que foram liberados e posteriormente recapturados durante aquela missão. O astronauta Tom Jones, que estava a bordo, reforçou o ceticismo ao afirmar categoricamente que “meus colegas de tripulação e eu não vimos qualquer evidência de OVNIs ou naves de origem ou comportamento ‘alienígena'”. A tensão entre o relato da tripulação e a decisão do Pentágono de rotular o caso como um objeto anômalo talvez levante mais dúvidas sobre as intenções do Pentágono e a iniciativa de transparência do que com uma eventual anomalia registrada pela missão STS-80 de fato.

A anatomia dos segredos em números

Com a publicação do quarto lote, o acervo total do programa PURSUE atingiu a marca de 334 registros desclassificados, consolidando uma base de dados que se divide entre a nostalgia documental da Guerra Fria e a frieza técnica das interceptações contemporâneas. A análise quantitativa revela que o Departamento de Guerra (DoW) — renomeado sob a administração Trump — continua a ser o protagonista absoluto da narrativa, sendo responsável por 28 dos 40 novos arquivos, seguido por uma contribuição estratégica da NASA, que disponibilizou sete registros focados em áudios de missões históricas e nas polêmicas imagens da STS-80.

Este volume massivo de dados não é apenas um exercício de transparência burocrática, mas um reflexo da pressão pública (ou do interesse e audiência), evidenciada pelos mais de 1,7 bilhão de acessos que o portal oficial WAR.GOV/UFO registrou desde sua inauguração em maio deste ano.

A relação entre o que é revelado e o que permanece oculto segue um padrão matemático rigoroso, onde a natureza da mídia determina o nível de proteção da informação. No Release 4, a taxa geral de redação (censura) fixou-se em 47,5%, posicionando este lote em um meio-termo relacional entre o “aberto” Release 3 (16,7%) e o altamente restritivo Release 2 (84,4%). No entanto, quando o foco recai sobre os vídeos — o material mais cobiçado por pesquisadores e entusiastas —, a censura dispara para 73,7%, protegendo dados críticos de telemetria e capacidades de sensores militares.

Cronologicamente, os dados totais desenham dois grandes polos de atividade: um mergulho profundo no período entre 1948 e 1955, resgatando os rascunhos originais do Estudo Nº 203 e do Projeto Sign, e um salto tecnológico para a era moderna, com um cluster geográfico concentrado no Leste dos Estados Unidos entre 2019 e 2020.

Essa distribuição relacional tenta criar uma ponte histórica entre os “discos voadores” da era atômica e os UAPs detectados por sensores infravermelhos de última geração. Contudo, a análise aponta para uma lacuna analítica frustrante: apenas 20% dos novos casos carregam qualquer tentativa institucional séria de explicação ou hipótese de trabalho. Enquanto os registros da década de 1950 mostram comitês científicos debatendo meteoros e aeronaves soviéticas, os vídeos recentes permanecem em um estado de vácuo interpretativo.

Essa mudança de postura institucional sugere que, quanto mais precisa é a tecnologia de captação, menos o governo está disposto a arriscar um veredito definitivo sobre a origem dos objetos. O Portal Vigília submeteu o conteúdo a uma avaliação de dados por inteligência artificial (Claude Sonnet 5), que destacou essa assimetria temporal de forma contundente ao analisar o comportamento das agências:

“Isso configura uma assimetria temporal clara: quanto mais recente o caso, menos disposição institucional para sequer especular — mesmo informalmente — sobre causa. Os casos de 1949-1955 têm cientistas nomeados brigando sobre hipóteses concorrentes em ata de reunião. Os casos de 2019-2025 têm sensores catalogados e nada além disso. […] O padrão é nítido o suficiente para ser um ponto de partida legítimo de investigação, não um artefato de amostragem — a diferença de tratamento entre 1949 e 2020 é sistemática, não incidental a um ou dois casos isolados”.

Essa sistemática de “silêncio técnico” nos casos modernos é o dado relacional mais revelador da iniciativa PURSUE até o momento. Ela indica que, embora a administração Trump esteja cumprindo a promessa de desclassificação em massa, a interpretação final desses fenômenos está sendo deliberadamente transferida para o público em geral, o setor privado e para a expertise da sociedade civil. Ao manter os incidentes mais recentes no limbo do “não resolvido”, o governo preserva o núcleo de sua inteligência militar enquanto oferece ao público um mosaico de dados brutos que, por si só, ainda não fecham o enigma da tecnologia não humana.

Entre o deslumbramento digital e o ceticismo técnico

Na discussão em campo aberto, nos fóruns especializados e nas redes sociais, a repercussão do quarto lote de documentos da iniciativa PURSUE refletiu o estado atual do debate sobre UAPs: uma mistura de engajamento massivo e crescente frustração técnica. O portal oficial WAR.GOV/UFO consolidou sua posição como um hub global de interesse público, registrando a marca histórica de mais de 1,7 bilhão de acessos desde o seu lançamento em maio de 2026.

No entanto, veículos de mídia especializada, como o “The Debrief — notoriamente pró Hipótese Não Humana (NHI) — observaram que a “clareza continua esquiva”, destacando que a maioria dos novos vídeos ainda apresenta apenas objetos pequenos e borrados captados por sensores eletro-ópticos, o que deixa muito espaço para a imaginação. Essa assimetria entre o volume de dados burocráticos e a qualidade das evidências visuais tem gerado um clima de expectativa contida entre os pesquisadores mais sérios do tema e muita frustação entre os mais apaixonados, adeptos de teorias de acordos secretos, engenharia reversa e recuperações de tecnologias supostamente extraterrestres.

Nos fóruns de análise técnica, como o Metabunk, o clima para variar foi de um ceticismo rigoroso e, por vezes, contundente em relação às lacunas interpretativas do governo. Analistas independentes identificaram rapidamente apontaram explicações prosaicas para o “enigma” da estrela de seis pontas no vídeo PR104 e as imagens da missão STS-80.

Dentro da comunidade ufológica digital, a frustração com o que foi apelidado de “lote dos pássaros” foi palpável. No subreddit r/UFOs, muitos usuários expressaram desapontamento com a inclusão de vídeos como o PR101, amplamente descartado pela comunidade como sendo apenas um bando de pássaros migratórios voando em formação. “Eles conseguiram transformar todo o movimento em uma piada”, desabafou um dos debatedores, sugerindo que a liberação de materiais mundanos ou explicáveis serve apenas como uma manobra de teatro político da administração Trump para distrair o público de questões geopolíticas mais urgentes.

O sentimento de que o governo está “limpando os arquivos” com dados irrelevantes começou a sobrepor-se à empolgação inicial da desclassificação.

Apesar do pessimismo de parte dos analistas, o Pentágono já sinalizou que o fluxo de informações não será interrompido e que um quinto lote de documentos está sendo processado ativamente. O porta-voz Sean Parnell afirmou que os próximos releases farão parte de um esforço de “todo o governo” (whole of government), prometendo uma integração ainda maior de dados provenientes da FAA e da NASA. Essa promessa mantém a chama da curiosidade acesa, enquanto a sociedade civil aguarda para ver se a futura “onda de transparência” trará, finalmente, o arquivo definitivo que moverá a discussão dos UAPs do campo das luzes borradas e pássaros distantes para a realidade de uma tecnologia verdadeiramente exótica.

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Redação Vigília

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