A Serra do Vulcão, em Nova Iguaçu (Baixada Fluminense), reafirma sua fama como um dos “hotspots” mais ativos da ufologia brasileira. No último domingo, 9 de agosto de 2026, coincidindo com as celebrações do Dia dos Pais, um novo fenômeno aéreo não identificado (UAP) foi registrado em plena luz do dia, por volta das 15 horas, mobilizando pesquisadores e analistas independentes.
O registro foi feito pelo engenheiro Wagner Vital de Lima, mantenedor da iniciativa Mubras (Monitoramento UAP Brasileiro) e desenvolvedor do sistema Skyguard/Redesky. Vital, que já havia capturado uma misteriosa coluna de luz na mesma região em janeiro de 2025, observou o objeto do terraço de sua casa acompanhado por cinco familiares.
O evento teve início com uma observação curiosa: uma nuvem que parecia “cortada ao meio”, como se um objeto sólido tivesse acabado de atravessá-la. Um “distraill”, menos comum de ocorrer que as “contraill” (trilha de condensação), mas igualmente corriqueiro para observadores acostumados com os efeitos da aviação comercial. Pouco depois, no entanto, um ponto escuro — e estático num primeiro momento — foi notado em alta altitude.
Conforme registrado por vários minutos em vídeo por Vital, o objeto — uma esfera de cor escura — iniciou uma série de deslocamentos atípicos, movendo-se de leste a oeste (do Azimute 40 ao 210). Em determinado momento, ao passar próximo à posição do sol, o objeto refletiu intensamente a luz, apresentando um aspecto metálico.
Várias testemunhas, familiares do pesquisador, acompanharam o avistamento, enquanto o objeto ora se deslocava ora permanecia estacionário sobre a região por vários minutos. Vital estimou que o objeto estivesse a uma altitude entre 1.000 e 2.000 metros, muito acima dos 700 metros do cume da Serra do Vulcão.
O registro termina com o objeto de distanciando e seguindo em linha reta, dessa vez mais lento, até sumir de vista.
Manobras contra o vento reforçam hipótese anômala
O caso acabou sendo discutido praticamente em tempo real no grupo “Os Casca Grossa da Ufologia”, que reúne vários pesquisadores independentes e onde análises preliminares trouxeram dados intrigantes. Embora a hipótese inicial de um balão solar (feito de saco de lixo preto) tenha sido levantada devido à aparência do objeto, dados meteorológicos colocaram essa explicação em xeque.

O pesquisador Jorge Uesu aprofundou a investigação ao cruzar o mapa de movimentação do objeto com dados meteorológicos de três estações, incluindo a do Galeão, a mais próxima do local. A análise revelou que, enquanto o vento soprava predominantemente em direção ao Nordeste, o objeto navegava em sentido contrário na maior parte do tempo, realizando manobras que desqualificam um deslocamento passivo. Uesu ressaltou que, mesmo considerando possíveis variações de vento em diferentes altitudes, o padrão observado não condiz com um objeto à deriva, como um balão, especialmente pela ausência de sinais de combustão ou propulsão convencional.
“Eu tendo a achar que é uma coisa anômala, pela trajetória, pelo histórico dele ter filmado outras coisas ali naquele morro […] e também porque a gente está vendo muita imagem dos drones [UAPs] nos Estados Unidos, que é uma bola preta; então, pode ser que seja um tipo de UFO isso aí”.
A avaliação de Uesu também traçou paralelos entre a esfera escura registrada por Vital e a morfologia de UAPs (Fenômenos Anômalos Não Identificados) reportados recentemente — no 5° lote da Iniciativa Pursue — pelo Departamento de Guerra norte-americano. Sem a presença de “fogo de tocha” ou características de balões solares, o objeto se encaixa no padrão de “esferas escuras” que têm sido foco de vigilância internacional.

Um vídeo em especial foi comparado pelo pesquisador à experiência de Vital. O episódio registrado sob código DOW-UAP-PR136, mostra uma ocorrência localizada no Oriente Médio em 2023. O sensor de uma plataforma militar voadora (possivelmente um drone) faz uma imagem panorâmica para acompanhar uma área de contraste, perseguindo um objeto escuro que é mantido no centro do quadro na maior parte do tempo. Uesu comparou ambos frame a frame e identificou sutis mudanças de formato que os fazem extremamente assemelhados em alguns momentos.
Além disso, para o pesquisador, a combinação entre a natureza deliberada dos movimentos e o histórico de atividade ufológica na Serra do Vulcão aponta para um evento de origem genuinamente desconhecida.
DOW-UAP-PR136, Unresolved UAP Report, Middle East, 2023
Contexto da região e a vigilância científica
Este não é o primeiro sucesso de Vital no campo da vigilância científica. Em agosto de 2024, suas estações de monitoramento já haviam corroborado um avistamento em Campo Grande (RJ), confirmando a trajetória anômala de um objeto que também se dirigia à Serra do Mendanha e ao complexo do Gericinó.
O engenheiro continua o desenvolvimento da Mubras/Redesky/Skyguard, uma plataforma que utiliza inteligência artificial para automatizar a detecção de anomalias nos céus. Para Vital, embora seu lado cético considere a possibilidade de balões, o comportamento de “parar, acelerar e mudar de direção” com intenções definidas mantém o caso na categoria de não identificado.
A Serra do Vulcão permanece sob vigilância constante, consolidando-se como um laboratório a céu aberto para a ufologia brasileira contemporânea.


