O cineasta norte-americano James Fox divulgou, em entrevista ao apresentador Alessi Allaman e em publicações digitais, o depoimento inédito do advogado Dr. Thales, representante legal do falecido ex-chefe de polícia de Varginha, Pedro Aguiar. A revelação busca reforçar a tese de uma suposta operação militar secreta para o recolhimento de entidades biológicas não humanas em janeiro de 1996, na cidade de Varginha, no Sul de Minas Gerais, detalhando ações operacionais e desentendimentos entre forças de segurança no local dos fatos.
Segundo a narrativa apresentada como bombástica por Fox, em vídeo original gravado pelo advogado, Pedro Aguiar teria presenciado a captura de uma criatura no bairro Jardim Andere, após confrontar soldados do Exército Brasileiro que isolavam a área. O ex-delegado teria chegado a dar voz de prisão a um recruta armado ao ser impedido de avançar, sendo contido por um comandante superior que classificou o incidente como um assunto de segurança nacional sob jurisdição federal, ordenando seu deslocamento para a Escola de Sargentos das Armas (ESA), em Três Corações.
De acordo com o relato do advogado, o ex-chefe de polícia observou à distância militares lançando uma espécie de rede ou cobertor sobre a entidade para retirá-la do local. A testemunha guardou uma recordação marcante referente a um forte odor de amônia exalado pela criatura, além de relatar um profundo temor em relação à vigilância ostensiva exercida por agentes governamentais paisanos que passaram a monitorar a rotina de sua família nos anos subsequentes.
Segundo o advogado, Pedro Aguiar, acompanhado de um bombeiro, tentou acessar o perímetro, mas foi barrado por militares. O impasse elevou a tensão e, armado, Aguiar chegou a dar voz de prisão a um recruta.
A crise só foi contornada com a chegada do comandante da operação, que classificou a ocorrência como assunto federal. Ele ordenou que o delegado deixasse a cena e seguisse para a Escola de Sargentos das Armas (ESA), em Três Corações, onde receberia orientações.
Apesar do forte apelo gerado na comunidade ufológica internacional pela divulgação do depoimento, pesquisadores brasileiros e canais especializados ressaltam que o testemunho atribuído a Pedro Aguiar não é exatamente novo. A reapresentação do caso reabre discussões históricas e expõe inconsistências narrativas e contradições operacionais que acompanham as sucessivas versões dos fatos registradas ao longo de três décadas.
O histórico das declarações e a suposta novidade
A divulgação do depoimento do Dr. Thales integra a estratégia do documentarista James Fox de manter o Caso Varginha em evidência nos veículos internacionais. Ao disponibilizar o registro em vídeo, o diretor sustentou que a fala da defesa de Pedro Aguiar traz detalhes esclarecedores sobre os bastidores do recolhimento militar. Entretanto, o exame da historiografia ufológica nacional demonstra que a participação do ex-delegado nos bastidores da apuração era conhecida de investigadores brasileiros desde o ano do evento.
Durante a entrevista no programa de áudio de Alessi Allaman, James Fox explicou que buscou contato com os familiares e com o advogado do ex-policial logo após seu falecimento, almejando obter documentos e evidências guardadas pela autoridade. A declaração do Dr. Thales foi apresentada como um elemento de confirmação direta da presença policial na cena do resgate durante a manhã de 20 de janeiro de 1996. O cineasta destacou que a posição institucional da testemunha conferia elevado grau de relevância ao relato.
“Ele contou que o chefe de polícia de Varginha, Pedro Aguiar, chegou ao local onde o ser teria sido encontrado enquanto a área ainda estava preservada e havia alguns soldados do Exército. Ele teria tentado entrar na cena acompanhado de um bombeiro, mas foi impedido pelos militares, o que teria provocado um conflito. Armado, Pedro teria dado voz de prisão a um recruta.” — Dr. Thales, advogado de Pedro Aguiar, em declaração reproduzida pelo cineasta James Fox no canal Alessi.
O depoimento enfatiza a ocorrência de atritos operacionais entre as forças policiais locais e as unidades das Forças Armadas. A defesa do ex-delegado sustentou que seu cliente foi compelido a abandonar o perímetro por determinações hierárquicas superiores, dirigindo-se em seguida à sede militar em Três Corações. A narrativa acrescenta que, apesar do afastamento imposto, o chefe policial conseguiu visualizar a movimentação de contenção do ser e o seu subsequente embarque em veículos de transporte.
As inconsistências apontadas pelo canal Fogo no Céu
A análise crítica promovida pelo canal Operação Fogo no Céu, conduzida pelo pesquisador João Lucas da Silva, contestou o caráter inédito da revelação e submeteu o relato ao escrutínio documental. Em transmissão dedicada ao tema em 4 de abril de 2026, o canal havia resgatado registros contidos no livro O Caso Varginha, publicado em 2001 pelo ufólogo Ubirajara Rodrigues, que já reproduzia matérias do jornal Estado de Minas sobre uma “autoridade judicial” anônima. A comparação das informações permitiu identificar que o personagem referido na época como “o doutor” era o próprio Pedro Aguiar.
O levantamento realizado pelo canal demonstrou que as versões prestadas pela testemunha apresentaram modificações substanciais no decorrer dos anos. Na reportagem de 1996, a autoridade afirmava que duas criaturas haviam sido cobertas com lonas plásticas e transportadas para o Hospital Regional de Varginha. Em questionamentos posteriores feitos por investigadores locais, a própria testemunha declarou não se recordar ao certo para qual unidade hospitalar os seres teriam sido encaminhados, fragilizando a precisão dos dados operacionais.
“Tenho pleno e absoluto conhecimento de que realmente houve um fenômeno sobrenatural em Varginha. Embora não tenha visto, ele é categórico em dizer que tudo que foi divulgado até agora é verdade. Sei que o Corpo de Bombeiros e a Polícia Militar estiveram no local e posteriormente a Polícia Civil.” — Pedro Aguiar (identificado como autoridade judicial), em declaração publicada pelo jornal Estado de Minas e citada por Ubirajara Rodrigues.
Além das disparidades sobre os procedimentos de transporte, a investigação do canal Fogo no Céu ressaltou contradições sobre o acionamento inicial das corporações. O ex-delegado afirmava que moradoras do bairro Jardim Andere haviam telefonado em pânico para a Polícia Militar e para os bombeiros ao avistarem a criatura. Contudo, ao ser confrontada pelo pesquisador Ubirajara Rodrigues, Dona Luíza, mãe das testemunhas Liliane e Valquíria Silva, negou categoricamente ter realizado qualquer chamada telefônica para as forças policiais, classificando a alegação como um equívoco.
Fragilidade testemunhal e o papel do jornalismo crítico
A reavaliação das declarações atribuídas a Pedro Aguiar alinha-se a uma série de análises recentes acerca das fragilidades do relato testemunhal associados ao famoso Caso Varginha. Matérias e artigos no próprio Portal Vigília já expuseram essas fragilidades e ponderaram que a manutenção do fascínio em torno do evento muitas vezes se apoia em relatos indiretos ou em lembranças modificadas pela passagem do tempo. Sem a sustentação de provas materiais ou documentação oficial verificável, depoimentos mutáveis correm o risco de consolidar construções fantasiosas.
O percurso das alegações do ex-chefe de polícia exemplifica a transformação de um depoimento indireto concedido em 1996 — fundamentado em relatos ouvidos de terceiros — em um testemunho visual direto de captura apresentado décadas depois. Essa alteração narrativa reflete, novamente, um processo de reconstrução da memória, no qual elementos divulgados pela mídia e hipóteses levantadas por pesquisadores passam a ser assimilados pela testemunha como recordações pessoais. A ausência de registros formais na Polícia Civil reforça as reservas manifestadas por analistas do caso.
“Se o pilar principal de um caso é o relato, e este se mostra mutável e incoerente, o que sobra da realidade física do evento? Por isso, ainda precisamos falar sobre o Caso Varginha. Porque a verdade não pode ser refém do desejo de acreditar.” — Artigo no Portal Vigília, em artigo analítico sobre as inconsistências do caso.
A conduta do jornalismo sério exige que novas alegações sejam confrontadas com o acervo histórico documental antes de serem tomadas como verdades definitivas. A postura de produções audiovisuais internacionais, que muitas vezes evitam esmiuçar lacunas cronológicas em favor do impacto comercial, contrasta com a busca por rigor científico. Para que a Ufologia avance de forma responsável, torna-se indispensável separar o entretenimento espetacular da investigação factual isenta.
Repercussão online e as teses interpretativas dos internautas
A veiculação do depoimento do Dr. Thales por James Fox gerou ampla repercussão nas plataformas digitais, polarizando as opiniões de usuários e entusiastas do fenômeno. Em redes como o X e em fóruns especializados, internautas entusiasmados destacaram que a fala de um ex-chefe de polícia reforça as pressões pela liberação de arquivos sigilosos por parte do governo norte-americano. Apoiadores da veracidade do incidente argumentam que o clima de intimidação militar vivido na época justifica eventuais omissões nos relatos iniciais.
Em contrapartida, comunidades dedicadas ao ceticismo científico e à checagem de fatos apontaram a ausência de elementos inéditos na publicação. Diversos usuários observaram que o conteúdo apresentado pelo advogado representa a repetição de boatos urbanos que circulavam no meio policial de Varginha desde a década de noventa. A tese de que autoridades locais teriam absorvido e recontado rumores populares como experiências próprias ganhou força entre os debatedores que buscam explicações racionais.
Críticos nas redes sociais ressaltaram que audiências internacionais, não familiarizadas com a literatura ufológica brasileira, recebem o relato como uma descoberta recente, ignorando os contrapontos históricos já apurados. Esse descompasso de informação contribui para a manutenção de narrativas hiperbolizadas no meio digital.

