Brevíssimo estudo sobre a definição do Diabo em Apocalipse 12:9, seus desdobramentos e implicações
Por Acauan Guajajara
Religião é Veneno
Apocalipse 12:9 E foi precipitado o grande dragão, a antiga serpente, que se chama o Diabo e Satanás, que engana todo o mundo; foi precipitado na terra, e os seus anjos foram precipitados com ele.
Fundamentalistas cristãos tem o livro do Apocalipse como um sistema de profecias que anunciam o Segundo Advento de Cristo e o fim dos tempos. Outros estudiosos defendem que o último livro do Novo Testamento é um registro das ansiedades e expectativas dos cristãos primitivos que lutavam para fazer sua jovem religião triunfar na hostil Roma Imperial.
Uma outra característica do livro do Apocalipse é que ele se propõe a criar uma costura de última hora entre os preceitos do cristianismo primitivo e as antigas escrituras judaicas, o que conferiria legitimidade teológica a uma doutrina que já nascia exibindo sinais de sincretismo com outras religiões do mundo antigo.
Quando Apocalipse 12: 9 diz que o Diabo Satanás é a Serpente, presumivelmente aquela do Éden, entra em rota de colisão com o Gênesis, onde esta hipótese não é sequer aventada e nem pode ser lida por nenhuma interpretação simbólica.
Gênesis 3:1 Ora, a serpente era o mais astuto de todos os animais do campo, que o Senhor Deus tinha feito. E esta disse à mulher: É assim que Deus disse: Não comereis de toda árvore do jardim?
Gênesis 3:14 Então o Senhor Deus disse à serpente: Porquanto fizeste isso, maldita serás tu dentre todos os animais domésticos, e dentre todos os animais do campo; sobre o teu ventre andarás, e pó comerás todos os dias da tua vida.
Pela interpretação literal do Gênesis não há como conciliar a afirmação de que a serpente era um dos animais do campo com a conclusão do Apocalipse de que ela seria uma forma assumida pelo Diabo. Também fica difícil explicar porque um animal do campo era capaz de falar, mas esta é outra história.
O grande problema que o livro das Revelações precisava resolver era que a figura do Diabo era central na religião cristã, mas não existia na antiga religião judaica, que centrada a partir de certo momento no monoteísmo absoluto do “o Senhor é UM”, não podia admitir a existência de um opositor de Deus.
Em nenhuma passagem do Velho Testamento o Diabo é sequer citado, Satanás é mostrado no livro de Jó mais como um oficial de dia a serviço de Deus do que como um seu inimigo e as poucas referências a demônios no VT, sempre no plural e genéricas, tratam de divindades pagãs dos povos gentios.
Esta interpretação que os antigos judeus davam aos deuses gentios é conseqüência da evolução do judaísmo, originalmente uma monolatria, ou seja, a adoração de um único deus convivendo com a crença na existência de outros, que se torna em monoteísmo pleno, a crença de que existe um único Deus e de que nada pode existir fora dele.
Assim, os demônios do Velho Testamento seriam apenas deuses marginais, muito diferentes da Legião de “espíritos imundos” que Jesus expulsa em Marcos 5.
Para que o cristianismo consolidasse sua doutrina baseada em dicotomias, Deus – Demônio; Céu – Inferno; Salvação – Perdição, a figura de uma entidade que representasse o Mal absoluto era indispensável. Já que tal entidade não existia no Velho Testamento, fazia-se urgente que se a criasse.
Consequentemente, uma passagem de Isaías que faz um chamado poético à uma certa estrela da manhã passou a ser interpretada como referência metafórica à queda de Lúcifer, o que permitiu uma conveniente amarração de significados com o versículo de Apocalipse que fala de estrelas caídas, que seriam então a terça parte dos anjos do céu que teriam seguido o Portador da Luz em sua rebelião.
Isaías 14:12 Como caíste do céu, ó estrela da manhã, filha da alva! como foste lançado por terra tu que prostravas as nações!
Apocalipse 12:4 a sua cauda levava após si a terça parte das estrelas do céu, e lançou-as sobre a terra; e o dragão parou diante da mulher que estava para dar à luz, para que, dando ela à luz, lhe devorasse o filho.
O que é óbvio a qualquer leitor destes versículos, seja ele especialista ou não no assunto, é que o tema da rebelião e queda de Lúcifer é central na doutrina cristã, logo chama a atenção o fato de as referências a estes eventos terem que ser tiradas a fórceps de interpretações metafóricas discutíveis, enquanto eventos sem qualquer importância teológica são tratados nos mínimos detalhes ao longo da Bíblia.
Pode-se concluir que a associação entre a Serpente e o Satanás do Antigo Testamento com o Diabo do Novo Testamento são forçadas, um esforço planejado para conferir à uma crença cristã, muito possivelmente apócrifa e sincrética, a respeitabilidade que as Escrituras Judaicas possuíam no Século I.
Igualmente forçada é a tentativa de dar respaldo bíblico ao mito da rebelião de Lúcifer e de sua queda junto de seus anjos rebeldes. Este evento é grandiosamente descrito no poema épico Paradise Lost, de John Milton, mas na Bíblia, o nome de Lúcifer não é citado em uma única passagem sequer.
Questões como estas demonstram a fragilidade do fundamentalismo bíblico, mais dependente de conceitos referendados pela tradição e não pelas Escrituras do que seus defensores aceitam admitir.
Estudo sobre o Diabo em Apocalipse 12:9
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Estudo sobre o Diabo em Apocalipse 12:9
NÃO HÁ DEUS. NEM DESTINO. NEM LIMITE.
SEM FÉ, SOU LIVRE.
Se um Homem começar em certezas / ele terminará em dúvidas.
Mas se ele se contentar em começar com dúvidas / ele deve terminar em acertos (Francis Bacon)

Se um Homem começar em certezas / ele terminará em dúvidas.
Mas se ele se contentar em começar com dúvidas / ele deve terminar em acertos (Francis Bacon)
Muito interessante o texto! Quando se lê a bíblia fica claro a existência de dois modos operacionais de Deus. No primeiro, relatado no velho testamento, Deus é poderoso, demonstra grande capacidade bélica, ira e poder e faz acordos, exigências e ajuda diretamente seus protegidos. No velho testamento Deus é Judeus e exige lealdade como ocorreu no trecho em que manda Abraão sacrificar seu único filho como prova de lealdade. Ora, os terroristas querem lealdade de seus seguidores. No novo testamento Deus é bondoso tolerante nunca utiliza a ira, a vingança ou o poder sobre os inimidos do seu povo e abre uma frestinha para os outros pobres humanos não judeus. No novo testamento Deus continua sendo Judeus mais admite os outros como seus filhos bastardos. A meu ver está claro que uma civilização poderosa ocupou a Terra antiga e era dominada pelo poder armado. Cristo veio depois de muito tempo que estes generais sumiram e trouxe uma nova filosofia de vida - a da tolerância e do perdão. É claro que a cabeça dos Judeus entrou em parafuso, afinal eles queriam um Deus que repelisse os romanos, seus inimigos do momento. A grande questão é: o que se passou com essa poderosa civilização entre os momentos que os generais foram embora e que Cristo chegou?
O futuro está no desenvolvimento da ciência!
Não acho que esta supercivilização tenha passado, acho que ainda estão aí entre nós, bem embaixo de nossos narizes. Acho sim, que alguns povos antigos fizeram acordos bélicos com esta supercivilização - caso dos hebreus liderados por Moisés. Está tudo nas entrelinhas do Velho Testamento.
Editado pela última vez por Euzébio em 26 Mar 2008, 13:13, em um total de 1 vez.
Ad Honorem Extraterrestris
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Eu que pergunto, como foi que essa... "esse tópico" foi ressussitada!? Coisa de páscoa mesmo...


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Penso que temos de evoluir para que não seja o medo a controlar ou comandar as acçoes das pessoas mas sim a lberdade de pensamento e juizo
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Alguém precisa de diabo para se comportam bem é alguém moralmente miserável.
Então você só vai fazer direito quando tem uma câmera filmando? Isso é deprimente. Tio, para o busão que eu quero descer.
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é o Pop, não poupa ninguém
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Um pouco mais sobre o "coisa ruim":
Segundo a igreja católica, Lúcifer era o mais forte e o mais belo de todos os serafins. Então, Deus lhe deu uma posição de destaque entre todos os seus auxiliares. Segundo a mesma, ele se tornou orgulhoso de seu poder, que não aceitava servir a uma criação de Deus,"O Homem",e revoltou-se contra o Altissímo. O Arcanjo Miguel liderou as hostes de Deus na luta contra Lúcifer e suas legiões de anjos corrompidos; já os anjos leais a Deus o derrotaram e o expulsaram do céu, juntamente com seus seguidores. Desde então, o mundo vive esta guerra eterna entre Deus e o Diabo; de seu lado Lúcifer e suas legiões tentam corromper a mais magnífica das criaturas mortais feitas por Deus, o homem; do outro lado Deus, os anjos, arcanjos, querubins e Santos travam batalhas diárias contra as forças do Mal (personificado em Lúcifer). Que maior vitória obteria o Anticristo frente a Deus do que corromper e condenar as almas dos humanos aos infernos, sua morada verdadeira? A aparência de Lúcifer pode variar; acredita-se que ele (chamado agora de Diabo), pode assumir a forma que desejar, podendo passar-se por qualquer pessoa. Seu aspecto físico fora herdado de várias entidades das mitologias e religiões de diferentes povos antigos (não exatamente ligadas a maldade); Seu reino, os Infernos, sofreu infuência do Tártaro da mitologia grega, morada de Hades, local para onde iam as almas dos mortos, cuja porta de entrada era guardada por Cérbero, o Cão de três cabeças; seus chifres eram de Pam , uma entidade grega protetora da natureza; sua fama de representar uma força eternamente em conflito com Deus veio do Zoroastrismo. Ainda encontramos coincidências com as crenças dos antigos Egipcios, quando se acreditava que o Deus Anubis (o Chacal) carregaria a alma dos mortos cujo coração ao ser pesado numa balança, seria mais pesado que uma pluma.
Durante a " baixa Idade Média",entretanto, que o "Anjo Decaído" ganhou a hedionda aparência com a qual o conhecemos hoje; asas de morcego, pés de bode, olhos de fogo, chifres enormes na cabeça, olhar aterrorizante, etc. A idade das trevas fora um momento fértil para a propagação nas crenças nas ações de forças demoníacas agindo sobre o mundo. Os milhões de mortos nas epidemias de peste negra vieram, juntamente com a ocorrência de guerras sangrentas, de que "o Anticristo estaria atuando no mundo". Foi aí que Lúcifer passou a representar a personificação do mal da forma mais intensa e poderosa que conhecemos hoje. Surge a crença de que para cada ser humano vivo na Terra, Lúcifer criou um Demônio particular, encarregado de corromper aquele indivíduo; já Deus, não poderia deixar por menos, e criou para cada ser humano um "Anjo da Guarda" ao qual incumbia da missão de proteger e zelar pela alma daquela pessoa.
Interessante observar que o próprio Jesus Cristo é a estrela da manhã que ilumina ate o fim dos tempos toda escuridão(trevas), como em Apocalipse 22:16 onde está escrito: "Eu, Jesus,enviei o meu anjo.Ele atestou para vocês todas essas coisas a respeito das Igrejas. Eu sou a raiz e o descendente de Davi, sou a estrela radiosa da manhã.". Assim como em II Pedro 1,19 que diz: "E temos, mui firme, a palavra dos profetas, à qual bem fazeis em estar atentos, como a uma luz que alumia em lugar escuro, até que o dia amanheça, e a estrela D'alva apareça em vossos corações.".
A palavra Lúcifer significa "o portador da luz" ou "o portador do archote" (a palavra tem sua origem no latim, lux ou lucis com o significado de "luz"; ferre com o significado de "carregar"). Ou seja, de acordo com a origem, seu significado é "aquele que carrega a luz". Apesar de Satanás ser originalmente conhecido como Lúcifer, perdeu seu posto ao desejar subir a alturas acima de Deus e de Seu Ungido( JESUS CRISTO ).
A ausência da evidência não significa evidência da ausência.
Carl Sagan
Bem-aventurados os que não viram e creram.
Jesus Cristo
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