Vídeo de influenciadora registra fenômeno curioso sobre agroglifo em Wiltshire

A influenciadora digital Gabi Rubi (Gabriela Costa) atraiu a atenção da comunidade ufológica ao compartilhar um registro em vídeo capturado durante uma visita turística à região de Wiltshire, na Inglaterra. As imagens em seu Instagram (@gabirubi_) mostram o que parece ser um movimento espiralado de ar deslocando-se sobre um agroglifo — círculos em plantações —, o que gerou imediata discussão sobre a natureza do evento e sua possível conexão com “atividades não humanas”.
O fenômeno, descrito pela autora como uma “energia muito forte”, ocorreu em um campo aberto sob condições climáticas específicas, levantando questionamentos sobre se o vídeo capturou a formação em tempo real de uma dessas marcas ou apenas um evento meteorológico fortuito. O caso ganhou tração nas redes sociais após a publicação original, sendo interpretado por muitos entusiastas como uma evidência física rara da presença de inteligências operando no local.
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A repercussão do conteúdo dividiu opiniões entre céticos e estudiosos do fenômeno ufológico, especialmente pelo fato de Wiltshire ser o epicentro global do surgimento de agroglifos. Houve até quem celebrasse a suposta filmagem inédita da “criação de um círculo”. Em grupos de entusiastas da ufologia logo apareceram “especialistas” afirmando categoricamente que o vídeo é “fake”, uma criação de IA, supostamente um vídeo antigo “reciclado” nas redes.
Bem é claro que o circulo na plantação em si provavelmente é falso, uma obra “contratada” e preservada justamente porque o local é destinado à visitação turística. No entanto, a explicação simplista está incorreta e descontextualizada. A gravação foi captada pela própria autora em viagem turística pela região. E o registro — que nada tem de extraterrestre ou paranormal — é na verdade um exemplo que que é chamado na região de “dust evil” (“demônio de poeira”, em tradução livre). No Brasil, nós o conhecemos como redemoinho de vento.
Relato da testemunha descreve sensações físicas intensas
No vídeo gravado no local, a influenciadora Gabi Rubi expressa uma profunda intriga com o movimento do vórtice, afirmando que o fenômeno estava se movendo deliberadamente em direção ao agroglifo. Ela relatou “sensações físicas” incomuns durante a gravação, como uma tontura acentuada e uma pressão na região abdominal. “Eu estou sentindo um negócio muito louco na barriga, puxando a barriga assim”, declarou a influenciadora em sua postagem original no Instagram, sugerindo que algo além do vento estava presente naquela tarde.
A narração de Rubi enfatiza a ausência de objetos visíveis no céu e a exclusividade do movimento do ar em um ponto específico do campo. Para ela, a evidência era clara o suficiente para ser classificada como uma manifestação anômala, chegando a afirmar que “para mim é a maior prova de extraterrestre que tem” enquanto o vórtice se aproximava do círculo. Essa percepção de uma presença invisível foi reforçada pela crença de que os responsáveis pela marca ainda estariam no local, invisíveis aos olhos, mas perceptíveis aos sentidos.
Contudo, a análise do comportamento desse “vórtice de energia” revela que ele agia de forma errática, uma característica comum de massas de ar em movimento em áreas abertas e aquecidas. O vídeo mostra o redemoinho deslocando-se pelo terreno e interagindo com a plantação já amassada, o que foi interpretado por alguns seguidores como a fase final da criação do padrão geométrico. A comoção gerada pelo vídeo destaca como a experiência sensorial da testemunha pode influenciar decisivamente a interpretação de fenômenos naturais.
A reação dos internautas variou desde o espanto até o ceticismo absoluto, com comentários afirmando que esta seria a “primeira filmagem que captura em tempo real a formação de agroglifo”. Por outro lado, vozes críticas sugeriram que a descoberta não passava de um fenômeno comum, ironizando a surpresa diante do que chamaram de “descobrimento do vento”. Essa polarização reflete o constante desafio da ufologia moderna em separar relatos subjetivos de fatos objetivos passíveis de análise científica.
Natureza explica o movimento observado no campo
A explicação científica para o que foi registrado por Gabi Rubi aponta para um fenômeno conhecido internacionalmente como dust devil, ou “demônio de poeira”, que no Brasil é popularmente chamado de redemoinho de vento. Esse evento meteorológico ocorre quando o ar quente próximo à superfície sobe rapidamente através de uma camada de ar mais frio e de baixa pressão, criando um movimento rotativo vertical que se estende para cima. Em Wiltshire, esse fenômeno já foi documentado diversas vezes anteriormente.
O analista de imagens e pesquisador Jorge Uesu Jr. publicou em seu perfil no Instagram comparações que reforçam a semelhança, destacando que redemoinhos são comuns em condições climáticas quentes e secas, como as registradas em Wiltshire recentemente. Embora sejam mais visíveis em terrenos empoeirados, eles também ocorrem sobre áreas gramadas, embora o rastro visual no solo seja menos evidente do que na terra ou areia. A ausência de poeira densa no vídeo de Rubi pode ter contribuído para a aura de mistério, mas o comportamento físico do ar é idêntico ao de um fenômeno térmico típico.
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Especialistas em meteorologia explicam que esses mini-tornados não possuem conexão com tempestades ou atividades paranormais, sendo puramente o resultado de instabilidade térmica local. A sensação de tontura e mal-estar relatada pela influenciadora pode estar associada a fatores psicológicos decorrentes do susto ou talvez até mesmo a mudanças súbitas de pressão próximas ao vórtice, mas não há evidências de que sejam causadas por “fontes de energia não humanas”. Embora visualmente impressionantes, esses redemoinhos são inofensivos.
A identificação do fenômeno como um evento natural é corroborada por registros históricos na mesma região da Inglaterra. A BBC News, por exemplo, já havia reportado um evento similar em Wiltshire onde um redemoinho foi filmado por moradores locais em condições climáticas parecidas. Portanto, a movimentação observada no vídeo de Rubi, embora coincidente com a localização de um agroglifo, segue as leis da física atmosférica, o que desvincula o evento de uma causa necessariamente anômala.
Contexto dos círculos artificiais na região inglesa
É fundamental compreender que Wiltshire é reconhecida mundialmente como um dos centros das atividades de circlemakers, grupos (de humanos!) que criam padrões complexos em plantações como uma forma de expressão artística e técnica. Muitos desses agroglifos são deliberadamente posicionados em locais de fácil acesso para atrair o turismo ufológico, tornando-se pontos de visitação frequentes para entusiastas de todo o mundo. O círculo visitado por Gabi Rubi provavelmente é uma dessas obras, preservada justamente pelo valor turístico que agrega à região.
A ideia de que alguns círculos sejam formados por redemoinhos de vento é uma teoria que remonta aos anos 80, mas foi descartada pela imensa complexidade e precisão geométrica das formações reais. No caso do vídeo viral, o redemoinho estava apenas passando sobre uma marcação já existente no solo, e não criando uma nova estrutura de forma inteligente.
A viralização do vídeo de Rubi demonstra como o desejo por evidências pode levar à interpretação equivocada de processos naturais comuns que ocorrem simultaneamente no mesmo espaço. A confusão entre o fenômeno atmosférico e a origem do agroglifo é alimentada pela atmosfera mística que envolve o condado inglês.
Em última análise, o episódio serve como um lembrete da importância da análise desapaixonada e do rigor científico no campo da ufologia. Embora a experiência subjetiva da testemunha seja legítima em seu contexto emocional e pessoal, a realidade factual quase sempre aponta para a explicação mais prosaica. A ciência e a observação atenta continuam sendo as melhores ferramentas para decifrar os mistérios que surgem nos campos de Wiltshire.








