Arquivos russos vazados revelam investigações sobre OVNIs

Documentos de inteligência russos, contrabandeados sob a vigilância da KGB em 1993, revelam décadas de pesquisas secretas da União Soviética sobre objetos voadores não identificados. O material foi divulgado recentemente pelo jornalista George Knapp e expõe que o governo soviético investigou milhares de avistamentos enquanto publicamente ridicularizava o tema como propaganda ocidental.
Conforme matéria do New York Post sobre o tema, os arquivos detalham programas militares sistemáticos iniciados no final dos anos 70, que visavam decifrar a natureza de tecnologias supostamente extraterrestres. A investigação demonstra que o Kremlin tratava o fenômeno com extrema seriedade institucional, mobilizando cientistas, militares e astrônomos para catalogar encontros que iam de luzes anômalas a casos documentados de abdução.
Os dados revelam uma estrutura muito mais robusta e menos fantasiosa de pesquisa do que o teatro que, vários anos atrás, tentou vender o documentário “The KGB Ufo Files“, uma peça ficcional distribuída ao mundo através da Turner Network Television (TNT). Naquela oportunidade, tratou-se de uma tentativa de criar uma espécie de Roswell soviético, mas a encenação foi rapidamente desmascarada por especialistas e pesquisadores brasileiros.

A face oculta da espionagem soviética e os OVNIs
A história por trás da revelação desses documentos remonta ao colapso da União Soviética em 1991, quando o jornalista George Knapp viajou à Rússia para obter registros antes ocultos pelo regime comunista. Segundo a reportagem do New York Post, Knapp conseguiu contrabandear os arquivos em 1993, agindo discretamente para evitar a apreensão do material pelos agentes da KGB. Os documentos agora públicos mostram que, apesar de o governo ter classificado oficialmente os OVNIs como uma invenção de “imperialistas americanos” em 1953, os bastidores militares seguiam um caminho oposto de monitoramento constante.
As investigações oficiais eram organizadas em uma estrutura burocrática intrincada, com programas sucessivos que garantiam a continuidade da coleta de dados. O primeiro grande esforço documentado foi o programa “Network-AN”, lançado em 1979, seguido pelo “Galaxy-MD” entre os anos de 1981 e 1985. Posteriormente, o governo implementou o “Pluton 7” no final da década de 80, culminando no programa “Thread 3”, que, de acordo com os registros, permanece ativo sob a atual Federação Russa.
Um dado central desses relatórios é o aumento exponencial na frequência de incidentes registrados, sugerindo uma mudança na atividade desses objetos no espaço aéreo soviético. Um relatório específico datado de 1993 afirma que os avistamentos e interações com OVNIs “aumentaram significativamente” após o ano de 1978. Esse crescimento motivou o Estado a considerar muitos desses relatos como credíveis o suficiente para justificar investigações de campo detalhadas por parte da inteligência russa.
A estratégia de negação pública servia como uma camada de proteção para que a União Soviética pudesse estudar o fenômeno sem pressões externas ou pânico social. Enquanto a propaganda oficial desviava a atenção da população, o exército e a comunidade científica buscavam entender se os objetos representavam uma ameaça tecnológica ou uma oportunidade de avanço militar. A divulgação desses documentos agora permite que pesquisadores comparem as experiências soviéticas com os registros mantidos por outras potências durante o período da Guerra Fria.
Incidentes detalhados nos registros militares
Entre os casos de maior relevância catalogados nos arquivos está o avistamento massivo ocorrido sobre a cidade de Nalchik, em 13 de fevereiro de 1989. Naquela data, centenas de pessoas testemunharam um objeto em forma de água viva, com aproximadamente 137 metros de largura, pairando a apenas 90 metros do solo. O evento não foi reportado apenas por civis, mas também por militares, funcionários do aeroporto local e astrônomos, o que conferiu uma base sólida de evidências para o relatório de inteligência.

O comportamento do objeto em Nalchik foi descrito com precisão técnica nos documentos soviéticos, detalhando manobras de luzes complexas. Uma luz vermelha massiva foi vista descendo sobre a cidade, dividindo-se em luzes verdes equidistantes antes de se fundirem novamente após dez minutos de observação. Pouco tempo depois, o objeto principal retornou acompanhado de uma nave menor e mais ágil, ambas desaparecendo rapidamente no céu noturno da região entre o Mar Negro e o Mar Cáspio.
Além de avistamentos distantes, os arquivos russos exploram casos de interações físicas diretas, como o relato de Anatoly Malishev, ocorrido em julho de 1975. Malishev, então com 18 anos, afirmou ter sido levado a bordo de um disco prateado enquanto desenhava na floresta da vila de Blagoveshenka. Ele descreveu o encontro com três seres humanoides, incluindo uma mulher de cabelos castanhos, que o teriam transportado para um planeta sem estrela própria, iluminado internamente e situado a três anos-luz da Terra.
O detalhamento do exame físico sofrido por Malishev revela o nível de curiosidade dos investigadores russos sobre a fisiologia e o propósito desses seres. O jovem declarou: “Eles prenderam detectores em minhas mãos e pernas, e colocaram em minha cabeça algo parecido com uma coroa”, conforme registrado em sua declaração literal citada pelo New York Post. O investigador russo responsável pelo caso descreveu Malishev como uma pessoa “honesta, gentil e simpática”, sem inclinações para a fantasia, mantendo contato com ele por anos após o ocorrido.
Encontros com gigantes no Cazaquistão
Os arquivos também trazem à tona incidentes ocorridos em outras repúblicas soviéticas, como o caso registrado em Derzhavinsk, no Cazaquistão, em junho de 1979. Um grupo de crianças e instrutores de um acampamento relatou o encontro com seres humanoides que possuíam características físicas impressionantes e atípicas. Segundo os depoimentos, tratava-se de figuras esguias, com cerca de três metros de altura e olhos cor-de-rosa brilhantes, que foram vistas próximas a um monte na região.
A consistência dos relatos coletados pelas autoridades soviéticas reforçou a veracidade do encontro em Derzhavinsk. Quase um ano após o evento, os investigadores voltaram a entrevistar as crianças e constataram que todas mantinham exatamente a mesma lembrança dos fatos, sem contradições. Relatos indicam que, além do avistamento inicial por um grupo de meninos, uma menina e sua professora viram um dos gigantes sentado em uma cadeira perto do acampamento no dia seguinte.
A importância desses registros históricos é enfatizada por especialistas contemporâneos que agora têm acesso ao material. Em declaração dada ao New York Post, o jornalista e cineasta Jeremy Corbell afirmou que “ao liberar esses documentos agora, George Knapp está expandindo o registro público, mostrando não apenas quão seriamente a Rússia enfrentou o fenômeno OVNI”. Para Corbell, a divulgação quebra décadas de sigilo e demonstra que a inteligência russa estava no mesmo patamar de preocupação que as agências ocidentais.
Apesar da riqueza dos detalhes narrativos, os documentos oficiais não chegam a uma conclusão definitiva sobre a natureza dos objetos, preferindo manter a cautela científica e militar. Eles afirmam repetidamente que o fenômeno é real e merece estudos muito mais profundos do que os realizados até então. Essa postura indica que, para o Kremlin, os OVNIs representavam um enigma técnico insolúvel com o conhecimento da época, mas que exigia vigilância estatal constante.
O enigma da cortina de ferro e o mercado de fraudes
A opacidade mantida pela União Soviética durante a Guerra Fria criou um vácuo de informação que, décadas depois, serviu de solo fértil para a proliferação de mitos e fraudes sofisticadas. Um mito histórico dos mais impressionantes que escapou do total obscurantismo foi o suposto encontro da estação espacial Salyut-6, em maio de 1981, onde os cosmonautas Vladimir Kovalyonok e Viktor Savinikh teriam relatado ter orbitado ao lado de uma esfera prateada por quatro dias. Segundo os registros sem provas publicados pela extinta Revista Manchete, os astronautas teriam observado seres de olhos azuis enormes e fixos através de portinholas e chegaram a trocar sinais luminosos baseados em códigos matemáticos binários, recebendo respostas que foram decifradas como logaritmos. Esse evento, embora bombástico, demorou anos para ser discutido abertamente, exemplificando como o sigilo soviético impedia que incidentes espaciais de alta estranheza chegassem ao conhecimento do público global de forma imediata.

Outro marco fundamental na trajetória ufológica russa teria sido o incidente de Petrozavodsk, em 1977, que envolveu um objeto voador massivo e desencadeou uma mudança de postura no alto escalão do Kremlin. O então chefe da KGB, Yuri Andropov, abandonou o ceticismo dominante ao ter acesso a relatórios oficiais e ordenou a criação de um programa de monitoramento que mobilizou cerca de quatro milhões de soldados soviéticos para documentar qualquer anomalia nos céus. Durante 13 anos, esse esforço resultou em milhares de arquivos que, devido ao isolamento político da cortina de ferro, permaneceram envoltos em uma aura de mistério quase mística, alimentando a percepção de que a agência de inteligência possuía segredos definitivos sobre a vida extraterrestre.
Essa mesma mística em torno dos “arquivos secretos da KGB” foi explorada comercialmente em 1998, quando a rede norte-americana TNT exibiu um documentário apresentado pelo ator Roger Moore, alegando mostrar o resgate de um disco voador acidentado em 1968 na região de Yekatrinburg. O filme, que causou grande impacto inicial, foi posteriormente desmascarado por especialistas brasileiros consultados pelo Portal Vigília, que identificaram o uso de câmeras Arri-Flex modernas e a presença de componentes terrestres anacrônicos, como conectores de computador DB-25, nos supostos destroços. A fraude foi tão bem orquestrada que utilizava imagens reais de perseguições de caças russos no início para conferir credibilidade a uma produção que, na verdade, era um entretenimento cinematográfico contemporâneo disfarçado de material de arquivo.

Mais recentemente, em 2011, o vídeo viral do alienígena apelidado de “Skinny Bob” perpetuou essa tendência de associar conteúdos fabricados ao antigo serviço secreto soviético. Análises forenses digitais revelaram que a filmagem, embora simulasse a estética de uma câmera Super 8 da era soviética, utilizava a fonte digital “Consolas” da Microsoft, lançada apenas em 2006, além de efeitos de danos de filme disponíveis em bancos de estoque da internet. Esses episódios reforçam que, embora a Rússia possua um histórico legítimo de investigações militares e encontros espaciais documentados por heróis nacionais, o isolamento histórico do país continua sendo utilizado como uma ferramenta para legitimar farsas que exploram a curiosidade humana sobre o que realmente ocorria por trás das fronteiras vigiadas da antiga URSS.







