Pesquisador revê análise de UAP da Síria e demonstra que pode ser até um balão

Pesquisador revê análise de UAP da Síria e demonstra que pode ser até um balão
Novo vídeo de UAP vazado pelos jornalistas George Knapp e Jeremy Corbell (Reprodução - Weaponized - Youtube)

O pesquisador e analista de imagens Jorge Uesu, do canal OVNIs e Mistérios em Geral, publicou recentemente uma atualização significativa sobre sua análise do vídeo de um UAP capturado por um drone na Síria em 2021. Inicialmente, Uesu havia sugerido, com base nos dados em tela, que o objeto poderia estar demonstrando uma condução inteligente e velocidades extremamente elevadas. Essa interpretação preliminar ecoava as afirmações dos jornalistas Jeremy Corbell e George Knapp, que descreveram o fenômeno como um exemplo de tecnologia com aceleração instantânea e controle inteligente. No entanto, após uma revisão mais criteriosa dos dados de telemetria e das dinâmicas de imagem, a percepção do analista mudou drasticamente.

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A conclusão de Uesu foca no fenômeno óptico conhecido como efeito paralaxe, que ocorre quando o movimento de uma plataforma de observação distorce a posição real de um objeto. Ele explicou que, se o objeto estivesse flutuando quase parado no ar, o movimento da câmera do drone contra um fundo distante criaria a ilusão de que o UAP estava mudando de direção. Esse efeito é comum em registros militares feitos a partir de plataformas móveis, onde a percepção de velocidade é frequentemente enganosa devido aos diferentes planos de profundidade. Uesu fez uma simulação bastante didática em um novo vídeo para demonstrar como um objeto estático pode parecer voar velozmente apenas pelo deslocamento da lente que o registra.

Para fundamentar essa revisão, o pesquisador considerou as distâncias relativas estimadas entre o drone, o objeto e o terreno ao fundo. Ele observou que o objeto poderia estar a cerca de 15 quilômetros do drone, enquanto a paisagem de fundo estava a 60 quilômetros de distância. Nessa configuração, qualquer manobra de curva feita pela aeronave captora faria com que o ponto no sensor parecesse inverter sua trajetória de forma reativa. Assim, o que antes era visto como um “baile nos americanos” poderia muito bem ser interpretado apenas como uma consequência geométrica do voo do próprio drone Reaper.

A objetividade técnica de Uesu em um campo muitas vezes dominado por interpretações sensacionalistas é de extrema importância para separação do prosaico e do insólito. A natureza extraordinária do voo foi severamente questionada, já que a revisão mostra que o objeto não necessariamente possui sistemas de propulsão exóticos, podendo ser apenas um corpo flutuante à deriva, como um balão. Esse novo entendimento altera completamente o peso do vídeo da Síria como prova de tecnologia não identificada de origem desconhecida.

Uesu ainda considerou intrigante o fato de o drone ter perdido o travamento da mira no final do vídeo e dar a impressão de sair em velocidade, mas afirmou ao Portal Vigília que mesmo isso pode ter sido efeito de uma dificuldade do equipamento de rastreamento causada pela momentânea perda de contraste entre a imagem de fundo, do solo, e o objeto em si.

As implicações técnicas para a natureza do voo

A desconstrução da suposta “aceleração instantânea” é um dos pontos centrais da nova análise de Uesu e de outros técnicos que se debruçaram sobre o material. No post original, Corbell e Knapp afirmavam que o objeto disparava para fora do quadro com uma velocidade sobre-humana.

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Outra implicação crucial diz respeito ao tamanho e à altitude do objeto, que influenciam diretamente o cálculo de sua velocidade. Uesu havia notado anteriormente que a marcação de 5 metros na tela referia-se à área no solo e que o objeto, por estar mais perto da câmera, seria consideravelmente menor. Com a nova hipótese de que o objeto estaria quase parado, a velocidade estimada de 500 ou 1.000 km/h torna-se irrelevante, pois o deslocamento observado seria apenas o reflexo da velocidade do próprio drone Reaper. Isso transforma o suposto UAP de uma aeronave hipersônica em algo potencialmente tão simples quanto um balão meteorológico ou de vigilância.

Dessa forma, a “condução inteligente” que Uesu acreditava ver anteriormente foi reavaliada como uma consequência da falta de dados precisos sobre a distância. Sem saber exatamente onde o objeto está no espaço tridimensional, qualquer afirmação sobre manobras deliberadas torna-se meramente especulativa. A revisão técnica sugere que o objeto não estava reagindo à presença do drone, mas que as trajetórias pareciam se cruzar apenas pela perspectiva visual da câmera em movimento. A natureza do voo, portanto, deixa de ser anômala para se tornar mecanicamente explicável pelas leis da óptica e do funcionamento de sensores militares.

A convergência com o ceticismo de Mick West

Ao concluir que o vídeo da Síria é provavelmente um caso de paralaxe, a análise de Jorge Uesu se aproxima significativamente da opinião do conhecido cético Mick West, fundador do fórum Metabunk.org. Em sua conta no X.com, West afirmou que não havia evidências claras de movimento anômalo naquelas imagens, descrevendo o caso como “balão + paralaxe”. Para o cético americano, o vídeo nada mais era do que a combinação de um objeto flutuante com o efeito visual gerado pelo deslocamento da plataforma captora. Uesu, ao simular o efeito e rever seus cálculos de velocidade, demonstrou como chegar a essa conclusão lógica sobre a natureza do objeto.


Casos anteriores, como o do Afeganistão, já haviam mostrado que o que parecia ser um disco voador era, na verdade, um reflexo solar na lente, uma desmistificação que ambos também compartilharam… A ideia de que “nem tudo que reluz é UAP” ganha força quando analistas independentes concordam que ilusões ópticas e falhas de sensores são os principais culpados por trás dos mistérios aparentes.

Redação Vigília

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