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Caso Janiel: o menino de Itarema (CE) que relatou um ataque brutal por seres desconhecidos

Conheça o Caso Janiel, o menino de Itarema, no Ceará, que alegou ter sido atacado por seres desconhecidos. Um mergulho nos mistérios e contradições deste intrigante episódio ufológico.

Caso Janiel o menino de Itarema (CE) que relatou um ataque brutal por seres desconhecidos (Ilustração criada por IA)

Caso Janiel o menino de Itarema (CE) que relatou um ataque brutal por seres desconhecidos (Ilustração criada por IA)

A pacata zona rural de Itarema, no litoral do Ceará, tornou-se o cenário de um dos relatos mais inquietantes da ufologia brasileira no dia 2 de novembro de 2008. Na localidade de Córrego do Salgado, o sol já se punha quando três crianças — Janiel (6 anos), seu irmão Chiumak (10) e o primo José Felipe (8) — brincavam em um terreno próximo à residência da família. O ambiente, isolado e sem energia elétrica na época, era propício para a livre imaginação infantil, mas o que se seguiu rompeu a normalidade daquelas vidas de forma irreversível.

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De acordo com as narrativas colhidas na época, pela imprensa local e pesquisadores da região, uma estranha bola de fogo ou objeto circular luminoso teria surgido no céu, descendo rapidamente em direção ao solo. Enquanto o brilho se intensificava, um vento forte e repentino teria atingido os meninos, dificultando seus movimentos. Assustados, Chiumak e José Felipe supostamente buscaram refúgio subindo em um cajueiro próximo, enquanto o pequeno Janiel, no chão, teria sido o foco principal da aproximação do misterioso artefato.

Do alto da árvore, as outras crianças afirmaram ter visto o objeto pairando baixo, emitindo um som que Janiel mais tarde descreveria como um chiado de chuva ou de gordura fritando. Segundo o relato dramatizado pelo pesquisador Jorge Uesu Jr, que revisitou o caso anos depois, duas figuras teriam descido da suposta nave. Uma delas teria permanecido em uma espécie de vigia junto à porta, enquanto a outra se aproximou de forma decidida do garoto que estava caído e vulnerável.

O contato físico teria sido abrupto e aterrador para a criança de apenas seis anos. Janiel alegou ter sido agarrado pelo ombro por um ser cujas mãos não pareciam humanas, sendo descrito com unhas longas, comparáveis às esporas de um galo. Em um movimento rápido e clínico, a criatura teria utilizado um objeto não identificado para realizar um corte profundo na região da axila direita do menino.

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Enquanto os primos corriam em busca de socorro, Janiel teria ficado paralisado sob a influência do que descreveu como uma luz anestesiante. O episódio, embora curto em duração, deixou marcas que transcenderiam o físico. Quando a família finalmente chegou ao local, o objeto já havia supostamente desaparecido no horizonte, deixando para trás apenas o silêncio do sertão e uma criança ferida.

As marcas do inexplicável sob a pele

Ao retornar para casa, Janiel apresentava um quadro que desafiava o senso comum daquela família de agricultores. A avó do menino, Dona Maria Nascimento, foi a primeira a examinar o neto e relatou uma cena bizarra: um corte profundo e largo sob o braço, mas que não vertia sangue. A ausência de hemorragia em um ferimento daquela magnitude — cerca de sete centímetros — foi um dos pontos que mais intrigou os primeiros pesquisadores e a própria família.

O avô de Janiel, Seu Nelson Ribeiro, expressou sua perplexidade em entrevista registrada pelo jornal Diário do Nordeste em 2008:

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“Eu na hora não quis acreditar na história, mas como o meu neto estava cortado e não saia sangue nem nada, né? Eu até pensei que ele teria se cortado no arame, mas como, se não sangrava. Daí meu outro netinho mais novo do que ele disse que viu quando dois homens lhe pegaram e um deles tirou um objeto da boca e passou a furar Janiel”, relatou o avô dos garotos ao veículo de imprensa.

Levado ao hospital da cidade, o menino recebeu nove pontos para fechar a incisão. O prontuário médico, embora mantido sob certa reserva na época, indicava um corte limpo e reto, incompatível com as escoriações típicas causadas por cercas de arame farpado ou ataques de animais silvestres da região. Além do corte principal, o corpo de Janiel exibia arranhões superficiais no braço e nas costas, todos localizados no lado direito.

Na axila de Janiel, a grande cicatriz do profundo ferimento causado pelo suposto ser. Nas costas, mais marcas do ataque (Imagens - Agobar Peixoto, Reprodução Mistérios dos 190 - CNEWS)
Na axila de Janiel, a grande cicatriz do profundo ferimento causado pelo suposto ser. Nas costas, mais marcas do ataque (Imagens: Agobar Peixoto, Reprodução Mistérios dos 190 – CNEWS)

Outro detalhe perturbador mencionado por Dona Maria aos pesquisadores do Centro Sobralense de Pesquisa Ufológica (CSPU) foi a presença de uma espécie de espuma ou secreção sobre a ferida. A camiseta que o menino vestia no momento do suposto ataque também não apresentava manchas de sangue, reforçando a tese de que algum tipo de tecnologia ou fenômeno biológico teria cauterizado ou anestesiado a área instantaneamente.

A reação do menino após o incidente também foi atípica, pois ele não demonstrava sentir dor e parecia estar em um estado de choque anestésico. Para os familiares e vizinhos, a história de “homens com orelhas grandes e unhas de galinha” parecia o delírio de uma criança, mas a cicatriz física permaneceria como uma prova muda de que algo extraordinário ocorrera no Córrego do Salgado.

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Agobar Peixoto registra o primeiro depoimento

A história do suposto ataque a Janiel não permaneceu restrita ao Córrego do Salgado por muito tempo, ganhando visibilidade graças à ação de pesquisadores locais. O pioneiro na divulgação detalhada do caso foi o ufólogo Agobar Peixoto, que documentou em vídeo o depoimento de Janiel logo após o ocorrido.

Foi através das lentes de Peixoto que o mundo teve o primeiro contato com a narrativa do menino, que descrevia os “homens com orelhas grandes” de maneira vívida e assustadora. Paralelamente à documentação ufológica, a imprensa local começou a repercutir o mistério, com o radialista Benedito de Paula realizando as primeiras entrevistas com os envolvidos em Itarema.

A curiosidade despertada pelo radialista ajudou a pautar veículos de maior alcance, como o jornal Diário do Nordeste, que publicou uma matéria extensa em dezembro de 2008. O impacto da notícia foi imediato, atraindo a atenção do Centro Sobralense de Pesquisa Ufológica (CSPU), liderado por Jacinto Pereira.

A divulgação inicial destacou não apenas o relato, mas a prova física: uma incisão de cerca de sete centímetros na axila do menino. A união entre o vídeo pioneiro de Agobar Peixoto, as reportagens de Benedito de Paula e a cobertura do Diário do Nordeste consolidou o caso Janiel na cronologia da ufologia brasileira. A partir daí, o episódio passou a ser estudado por diversas organizações, que incluíram o relato do menino de Itarema em uma análise mais abrangente sobre as intensas ondas ufológicas no Ceará entre 2008 e 2010.

A análise minuciosa de Jorge Uesu Jr

Anos após a poeira assentar sobre o caso, o pesquisador Jorge Uesu Jr, do canal OVNIs e Mistérios em Geral (OMG), empreendeu uma nova investigação, localizando a família em 2020 para colher depoimentos mais detalhados. Uesu destacou que o isolamento das crianças — que não possuíam acesso a televisão ou referências da cultura pop ufológica na época — conferia uma camada extra de credibilidade aos relatos. Os detalhes fornecidos por Janiel, embora descritos com o vocabulário limitado de uma criança, eram consistentes com outros casos de abdução e encontros violentos relatados ao longo dos anos na literatura ufológica.

A descrição dos seres feita por Janiel continha elementos específicos: cabeças grandes, olhos brilhantes, narizes alongados e, crucialmente, as orelhas pontiagudas e as unhas em forma de garra. No entanto, Uesu também notou contradições e variações na narrativa ao longo do tempo, especialmente após a intervenção de diferentes grupos de pesquisa. Em algumas versões, as orelhas eram descritas como imensas; em outras, esse detalhe parecia menos enfatizado, sugerindo que a memória da criança poderia ter sofrido influências externas durante os interrogatórios.

Quando visitada pelo pesquisador, a família já não morava mais no mesmo sítio, mas num bairro urbanizado da cidade. E, tantos anos depois, a avó parecia ter dúvidas sobre a reação dos supostos seres: se desceram da nave de fato, ou aquilo que atacou Janiel estaria de alguma forma sentado, ainda ligado ao objeto que partiu para cima do garoto.

Sobre a natureza do ferimento, Dona Maria compartilhou com Uesu uma observação crucial sobre a profundidade do corte em uma entrevista para o seu canal:

“O corte embaixo do braço era profundo e largo, caberiam quatro dedos dentro dele. Era um corte seco, sem sangue, e havia uma espécie de espuma no local”, afirmou a avó, destacando a estranheza do tecido exposto.

O pesquisador também questionou a hipótese do arame, frequentemente levantada por céticos. Embora houvesse um amontoado de arames velhos no terreno, a família teria verificado à época que os fios eram lisos e não farpados. Mais intrigante ainda foi o relato de que, no dia seguinte ao evento, o metal daquela cerca parecia ter sido submetido a um calor intenso, apresentando uma aparência de queimado, reforçando a narrativa das crianças de que o metal “se acendeu” com a proximidade do objeto.

Uesu Jr. ressaltou em suas conclusões que, apesar das pequenas discrepâncias na descrição física dos seres, a marca na axila de Janiel era um fato concreto e inexplicado. O local do corte é anatomicamente significativo, sendo uma área rica em glândulas, o que levou alguns ufólogos a especular sobre a possível coleta de material biológico por parte dos supostos visitantes.

Presságios e contradições de um destino trágico

A trajetória de Janiel, marcada pelo mistério desde a infância, teve um desfecho sombrio e precoce. Em dezembro de 2016, aos 16 anos, o jovem faleceu em um trágico acidente com uma espingarda socadeira de caça em sua residência. O tiro teria saído pela culatra, atingindo-o fatalmente, o que encerrou definitivamente qualquer possibilidade de novos exames ou regressões hipnóticas que pudessem lançar luz sobre o evento de 2008.

As circunstâncias que antecederam sua morte, apuradas por Jorge Uesu Jr junto aos familiares, acrescentaram uma aura de sobrenatural ao caso. Na noite anterior ao acidente, Janiel e seu irmão, apelidado de Schumacher, foram a um ponto da propriedade em busca de sinal de celular para falar com o pai. Após a conversa, Janiel retornou para casa para dormir, enquanto o irmão permaneceu no local por mais alguns minutos.

Schumacher relatou a Uesu que, ao voltar para casa, viu uma figura estranha e alta espiando pela janela. Ele descreveu o ser como um homem de cabeça avantajada e olhos que brilhavam como fogo. Assustado, o jovem correu para o quarto da avó, enquanto Janiel dormia tranquilamente em uma rede na sala, sem perceber a suposta presença que rondava a habitação.

Nessa mesma noite, a irmã de Janiel, Claiane, que morava em outra cidade, teve um sonho perturbador que interpretou como um premonitório. No sonho, Janiel aparecia vestido inteiramente de branco e dizia: “É a minha vez, vou sentir muito a sua falta”. Pela manhã, apreensiva, ela tentou viajar para a casa da avó, mas sua motocicleta quebrou no caminho, impedindo-a de chegar antes do acidente fatal.

O caso Janiel permanece como um dos episódios mais densos da ufologia cearense, mesclando evidências físicas, testemunhos múltiplos e um desfecho carregado de elementos folclóricos e trágicos. Para os pesquisadores, as contradições nos relatos das crianças são naturais dada a idade e o trauma, mas a consistência da marca física e o impacto psicológico na família indicam que, naquela noite de 2008, algo supostamente vindo do céu tocou a realidade de Itarema de forma indelével.

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Jeferson Martinho

Jornalista, o autor é empresário de comunicação, dono de agência de marketing digital e assessoria de imprensa, publisher de um portal de notícias regionais na Grande São Paulo, fundador e editor do Portal Vigília. Apaixonado por Ufologia de um ponto de vista científico, é autor do livro "Nem Todo OVNI é Extraterrestre - Um guia para entusiastas da ufologia que não querem ser iludidos", disponível na Amazon.

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