A NASA e sua admissão oficial de lidar (em segredo) com UAPs nos documentos da iniciativa PURSUE

A NASA e sua admissão oficial de lidar (em segredo) com UAPs nos documentos da iniciativa PURSUE
Detalhamos a histórica liberação de arquivos da NASA pela iniciativa PURSUE, com a agência admitindo oficialmente o tratamento secreto de UAPs e revelando relatos de astronautas e debates científicos sobre os registros.

No dia 8 de maio de 2026, o cenário da pesquisa aeroespacial e da ufologia mundial sofreu uma transformação radical com a desclassificação massiva de arquivos através do portal war.gov/UFO. Sob uma diretiva direta da presidência dos Estados Unidos, o Departamento de Guerra inaugurou a iniciativa PURSUE (Sistema Presidencial de Desarquivamento e Relatório de Encontros de UAPs), liberando um lote inicial de 162 registros que antes estavam protegidos por rígidos protocolos de segurança. Nestes documentos, pela primeira vez, a NASA admite de maneira oficial o tratamento secreto de informações e discussões internas envolvendo Fenômenos Anômalos Não Identificados (UAPs), confirmando que avistamentos realizados por astronautas eventualmente são rotulados e analisados fora do alcance do escrutínio público.

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A liberação coordenada por figuras como o Secretário de Guerra, Pete Hegseth, e a Diretora de Inteligência Nacional, Tulsi Gabbard, revelou que a agência espacial não apenas documenta esses encontros, mas mantém registros manuscritos e áudios que contradizem décadas de negativas oficiais. Conforme declarado por Hegseth, “esses arquivos, escondidos sob classificações, há muito alimentam especulações justificadas — e é hora de o povo americano ver por si mesmo”. O movimento de transparência governamental força uma revisão histórica de missões clássicas, onde o que antes era descartado como “lixo espacial” ou “gelo” imediatamente agora surge nos documentos com o rótulo explícito de avistamento de OVNI (ou UAP).

A obtenção desses registros foi fruto de uma complexa manobra burocrática e política que envolveu a coordenação de dezenas de agências de inteligência, incluindo o FBI e o Departamento de Estado. O esforço de desclassificação em massa é contínuo, com a promessa de que novos lotes de documentos sejam publicados em um sistema de fluxo contínuo, abrangendo milhões de registros que datam desde a década de 1940 até os dias atuais. Há agora uma expectativa de que essa abertura eleve o debate sobre os UAPs de uma curiosidade de nicho para uma questão de registro histórico nacional e acadêmico.

NASA-UAP-VM5, Apollo 12, 1969
NASA-UAP-VM5, Apollo 12, 1969

Embora o governo ainda mantenha trechos censurados por questões de segurança nacional, a quantidade de dados brutos — incluindo transcrições de áudio e fotos — permitiu que investigadores independentes e cientistas iniciassem uma autópsia detalhada da conduta da NASA, além dos próprios registros. O debate que se segue não é apenas sobre a natureza dos objetos avistados, mas sobre por que a agência escolheu manter essas discussões em sigilo absoluto por mais de meio século. Agora, com as cartas sobre a mesa, a comunidade acadêmica se vê diante do desafio de reinterpretar o legado das missões Gemini, Apollo e Skylab sob a ótica desses novos fatos documentados.

O registro da Gemini 7 e o protocolo do silêncio

Um dos pilares da nova documentação é o dossiê da missão Gemini 7, lançada em dezembro de 1965. O documento NASA-UAP-D003, uma transcrição das comunicações entre a cápsula e o Centro de Voos Espaciais em Houston, contém uma anotação manuscrita no canto superior direito que se tornou viral: “UFO Sighting by Borman” (Avistamento de OVNI por Borman). O astronauta Frank Borman, comandante da missão, reportou de forma técnica: “Um bogey às dez horas alto”. Ao ser questionado se era o estágio propulsor (booster), Borman foi enfático em sua resposta: “Temos detritos aqui em cima — este é um avistamento real“.

A narração detalhada de Borman descreveu o que ele chamou de “centenas de pequenas partículas” passando pela esquerda da nave a uma distância estimada de quatro milhas. Enquanto Houston tentava racionalizar o evento, o astronauta Jim Lovell complementou a descrição visual de forma poética e técnica, afirmando observar um “corpo brilhante no sol contra um fundo preto com trilhões de partículas nele”. O uso recorrente do termo militar bogey — gíria para aeronave desconhecida — e a confirmação de que os astronautas tinham o propulsor original em vista simultaneamente ao objeto anômalo descartam a hipótese de confusão simples com componentes da própria nave.

Nesta foto de 15 de dezembro de 1965, a espaçonave Gemini-VII é vista da espaçonave Gemini-VI-A durante sua missão de encontro no espaço (NASA).
Nesta foto de 15 de dezembro de 1965, a espaçonave Gemini-VII é vista da espaçonave Gemini-VI-A durante sua missão de encontro no espaço (NASA).

Pesquisadores notam que, na época, a NASA minimizou o evento, mas os arquivos da PURSUE mostram que o Comando de Controle da Gemini referia-se internamente ao evento como o encontro com um “terceiro objeto não identificado”. “Houve várias referências ao bogey”, diz o comentário da Public Affairs Office (PAO) na época, agora desclassificado, indicando que a presença de algo inexplicado era um fato aceito nos bastidores do controle da missão. Esse nível de detalhamento técnico, acompanhado pela admissão de que os astronautas estavam vendo algo que “parecia estar em uma órbita polar”, demonstra um nível de análise que nunca foi compartilhado com o público durante a Guerra Fria.

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O debate acadêmico sobre este caso específico agora se volta para a comparação com os relatos de Scott Carpenter na missão Mercury-Atlas 7, que identificou “vagalumes” espaciais como cristais de gelo que se soltavam da cápsula. No entanto, a distinção feita por Borman entre as “partículas” e o “bogey” sugere que ele observou dois fenômenos distintos operando em conjunto ou em proximidade. A relevância científica agora reside na capacidade processar esses dados originais sem as filtragens de relações públicas que, por décadas, moldaram a percepção da exploração espacial como um ambiente totalmente compreendido e desprovido de anomalias.

Anomalias lunares e os flashes da Apollo

As missões Apollo também forneceram um volume substancial de relatos que, em tese, desafiariam a normalidade. Na Apollo 11, o astronauta Buzz Aldrin relatou em seu debriefing técnico de 1969 — agora totalmente acessível — a observação de um objeto de “dimensão considerável” a cerca de um dia de distância da Lua. “A primeira coisa incomum que vimos… tinha uma dimensão considerável, então usamos o monóculo para observá-lo”, descreveu Aldrin. A tripulação, que incluía Neil Armstrong, especulou sobre formas que variavam entre um “L”, uma “mala aberta” ou “dois anéis conectados”, evidenciando que o objeto apresentava uma geometria complexa e não condizente com lixo espacial convencional.

Durante a Apollo 17, o comandante Eugene Cernan e o piloto do módulo lunar Harrison “Jack” Schmitt relataram uma série de fenômenos visuais que descreveram como o “quatro de julho” (feriado da independência norte-americana, famoso pelos fogos de artifício) devido à intensidade e brilho das partículas observadas. Cernan reportou um flash tão intenso que “brilhou bem entre meus olhos como um farol de trem vindo em sua direção”. Embora os astronautas tenham tentado atribuir essas visões a fragmentos de tinta ou gelo saindo do estágio S-IVB, eles mesmos admitiram que tal conclusão era um “palpite selvagem”.

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A complexidade das observações aumentou quando Cernan relatou objetos que pareciam rotar de forma rítmica na distância, apresentando flashes brilhantes e opacos de maneira alternada. “É definitivamente um objeto brilhante, e obviamente está girando porque está piscando”, afirmou Cernan, descartando a ideia de que fossem simples partículas próximas à janela. Schmitt também registrou um flash de luz diretamente na superfície lunar, ao norte da cratera Grimaldi, instando o controle em Houston a verificar os sismômetros para possíveis impactos de meteoritos, embora a luminosidade tenha sido excepcionalmente vívida para um evento de pequena escala.

Esses relatos, agora oficiais, pintam um quadro de uma Lua e de um espaço cislunar povoados por fenômenos que os astronautas, apesar de seu treinamento de elite, não conseguiam categorizar com certeza. A admissão da NASA de que Armstrong e sua equipe observaram “múltiplos objetos incomuns” próximos à Lua em 1969, alguns descritos como naves e outros com aparência de “plasma”, altera significativamente a narrativa de que a agência sempre teve explicações simples para tudo.

Mas uma ressalva é necessária: para os analistas do PURSUE, esses registros representam casos não resolvidos, onde a falta de dados definitivos na época impede uma conclusão final, mantendo o mistério em um estado oficial de dubiedade. Não são, portanto, automaticamente manifestações “não humanas” no espaço.

A análise científica de Avi Loeb e o Projeto Galileu

Sobre a ressalva, aliás, é reveladora a contribuição do astrofísico de Harvard, Avi Loeb, diretor do Projeto Galileu, um notório defensor de indícios da possível presença extraterrestre no espaço próximo à Terra. Loeb trouxe uma perspectiva rigorosa e ao mesmo tempo instigante para a análise deste primeiro lote de documentos, argumentando que a divulgação tem um impacto principalmente psicológico, trazendo o tema dos UAPs para o domínio público e científico convencional.

Ele ressaltou que “saber a distância, velocidade e aceleração desses objetos abordaria a questão de saber se algum deles está fora do envelope de desempenho das tecnologias feitas pelo homem”. No entanto, após revisar os arquivos com sua equipe, Loeb concluiu que nenhum dos objetos apresentados neste lote inicial é extraordinário o suficiente para exigir, por si só, uma origem exótica.

Astrofísico Avi Loeb: Dados de satélites poderiam ser usados para ajudar na pesquisa científica dos UAPs
Astrofísico Avi Loeb: Dados de satélites poderiam ser usados para ajudar na pesquisa científica dos UAPs

Sobre os relatos de Buzz Aldrin a respeito de flashes de luz dentro da cabine, Loeb sugere uma explicação fundamentada na física: “os flashes de luz descritos por Buzz Aldrin podem ser raios cósmicos” interagindo com a retina em um ambiente de baixa magnetosfera. Em relação aos clarões na Lua, o professor aponta para dados recentes da missão Artemis II, onde os astronautas observaram flashes causados pelo impacto de rochas na superfície lunar, mas não notaram nada de incomum orbitando o satélite de maneira atípica. Para Loeb, o que se vê nas imagens da Apollo são “impactos de asteroides na superfície ou artefatos ópticos da câmera”.

Apesar de seu ceticismo inicial com este lote, Loeb afirma que “o melhor ainda está por vir”, pois os dados de maior qualidade e sensibilidade exigem mais tempo de tratamento burocrático antes de serem liberados. Ele destaca que o governo dos EUA possui satélites capazes de monitorar a Terra com resolução de centímetros, dados que poderiam provar manobras que desafiam a física. “A Nasa nunca fará uma declaração que possa ser controversa”, critica Loeb, sugerindo que a agência é excessivamente cuidadosa e que a verdadeira descoberta pode residir em materiais recuperados de locais de acidentes, algo que ainda não apareceu nos documentos desclassificados.

A visão de Loeb é de que a ciência tem o privilégio de “manter nossa curiosidade infantil” e de que é um dever civil dos cientistas ajudar o governo a resolver esses mistérios. Ele observa que, se apenas um em um milhão desses objetos for de fato de origem extraterrestre, isso representaria a maior descoberta da humanidade. Enquanto o Projeto Galileu continua a triangular objetos no céu com inteligência artificial, neste momento Loeb permanece como uma voz que equilibra o entusiasmo pelo desconhecido com a necessidade absoluta de evidências instrumentais de alta qualidade.

O debate no Metabunk e a ciência das lentes e filmes

Enquanto a comunidade ufológica celebra a abertura, a plataforma Metabunk, liderada por analistas como o cético Mick West, mergulhou em uma análise técnica profunda das imagens liberadas, especialmente a foto AS17-147-22470 da Apollo 17. O debate central gira em torno de um suposto “triângulo” visível no céu lunar em versões granuladas fornecidas pelo governo. Ao comparar esses arquivos com escaneamentos de alta fidelidade do Smithsonian, os analistas notaram que a nitidez do triângulo contrasta fortemente com a granularidade da superfície lunar, sugerindo que o objeto não é físico, mas um defeito de emulsão ou uma falha ocorrida durante o processamento do filme.

A análise do Metabunk introduz o conceito crucial de Low Information Zone (LIZ), ou Zona de Baixa Informação. Conforme explica o analista Flarkey, um dos cofundadores da comunidade, todos os sensores têm um limite físico; a LIZ é a faixa de imagem onde o sensor detecta a presença de algo, mas não possui resolução suficiente para identificá-lo. Isso cria a “contradição do OVNI”: imagens de alta qualidade permitem identificar objetos comuns (balões, pássaros, drones) e, portanto, esses casos são resolvidos e descartados, deixando para a pilha de “não identificados” apenas o material que opera no limite da capacidade técnica dos sensores.

A exposição de outras imagens históricas da NASA reforça essa tese. Na foto AS14-66-9274 da Apollo 14 (que não consta na liberação PURSUE), dois pontos azuis aparecem fora da área de exposição do filme, o que prova que tais artefatos podem ser gerados por processos químicos ou físicos no filme, e não por objetos no cenário. Especialistas sugerem que reflexos internos na placa Réseau (uma placa de vidro colocada à frente do filme para medições) e a interação com a radiação solar intensa através das janelas de vidro triplo das espaçonaves são responsáveis por criar essas “imagens fantasmagóricas” que agora, sob escaneamento moderno, são confundidas com naves estruturadas.

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Foto AS14-66-9274 da Apollo 14 (que não consta na liberação PURSUE), dois pontos azuis aparecem fora da área de exposição do filme (NASA)

Além disso, a deterioração dos filmes ao longo de décadas e o manuseio inadequado antes da digitalização introduziram ruídos que não existiam originalmente. Analistas experientes como John Greenewald, mantenedor do site The Black Vault — especializado em ações para liberação de documentos do governo através da Lei de Liberdade de Informação (FOIA, nos EUA), comentando imagens de outras agências de inteligência liberadas neste lote, destacam que a maioria das capturas térmicas militares contemporâneas sofre de limitações de largura de banda, resultando em “pixels borrados” que impedem a identificação clara.

Acima: Várias imagens públicas das missões Apollo com defeitos de emulsão gerando artefatos nas fotografias (Crédito: usuário Mysterious, Metabunk)

A conclusão, para o pessoal do Metabunk, é a de que a “arma fumegante” ainda não foi apresentada; o que a iniciativa PURSUE entregou seria apenas uma vasta coleção de erros instrumentais e ilusões ópticas que, embora fascinantes, ainda não provam a presença de inteligência não humana, mas sim os limites da tecnologia de captura do século XX. Já para os entusiastas da Ufologia, o banquete está servido, com supostas provas de uma realidade oculta. Mesmo que, entre os pratos, não estejam a admissão definitiva do governo da existência de naves que passaram por engenharia reversa, a posse de entidades biológicas aprisionadas em laboratórios subterrâneos ou qualquer coisa similar. “Logo mais, isto é só o começo”, dizem eles. Quem viver, verá! Ou não.

Jeferson Martinho

Jornalista, o autor é empresário de comunicação, dono de agência de marketing digital e assessoria de imprensa, publisher de um portal de notícias regionais na Grande São Paulo, fundador e editor do Portal Vigília. Apaixonado por Ufologia de um ponto de vista científico, é autor do livro "Nem Todo OVNI é Extraterrestre - Um guia para entusiastas da ufologia que não querem ser iludidos", disponível na Amazon.

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