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Marinha dos EUA libera mais de mil páginas de e-mails sobre UAP após espera de quatro anos

Após quatro anos de espera, a Marinha norte-americana liberou mais de mil páginas de e-mails relacionados a Scott Bray e aos UAPs. Os documentos expõem bastidores da UAP Task Force, briefings ao Congresso e a estratégia do Pentágono — mas outras 302 páginas permanecem integralmente retidas.

Marinha dos EUA libera mais de mil páginas de e-mails sobre UAP após espera de quatro anos (Ilustração por IA)

Marinha dos EUA libera mais de mil páginas de e-mails sobre UAP após espera de quatro anos (Ilustração por IA)

Mais de quatro anos depois de receber um pedido baseado na Lei de Liberdade de Informação dos Estados Unidos (FOIA), a Marinha norte-americana finalmente liberou uma extensa coleção de e-mails e documentos relacionados ao período em que o fenômeno UAP passou de assunto marginal dentro do governo a tema de audiências no Congresso e de programas oficiais do Pentágono.

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O material foi obtido pelo pesquisador John Greenewald Jr., responsável pelo arquivo documental The Black Vault, que apresentou o pedido em maio de 2022. A busca tinha como alvo mensagens enviadas, recebidas ou copiadas ao então vice-diretor da Inteligência Naval Scott W. Bray contendo expressões como “UAP”, “UFO”, “UAP Task Force”, “AATIP” e “AAWSAP”, entre outros termos relacionados ao assunto. (Veja o material completo neste link).

A resposta só chegou em 23 de setembro de 2026. Segundo a Marinha, foram localizadas 1.321 páginas correspondentes aos critérios da solicitação. Dessas, 302 foram retidas integralmente, enquanto outras 1.019 páginas foram entregues com diferentes níveis de censura, amparados nas exceções previstas pela legislação norte-americana de acesso à informação.

Scott Bray e a estrutura UAP

Bray ocupou os cargos de vice-diretor da Inteligência Naval e diretor da Naval Intelligence Activity justamente durante um período decisivo para a reorganização do tratamento oficial dispensado aos UAPs nos Estados Unidos.

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Os documentos ajudam a reconstruir parte dessa estrutura administrativa. Uma das mensagens, por exemplo, descreve John “Jay” Stratton como responsável pelo esforço da UAP Task Force dentro da Marinha e afirma que ele trabalhava diretamente para Bray. Stratton acabaria se tornando uma das figuras mais conhecidas da fase inicial da investigação contemporânea dos UAPs pelo governo norte-americano.

Bray, por sua vez, ganhou projeção pública em 17 de maio de 2022, quando compareceu ao lado do então subsecretário de Defesa para Inteligência e Segurança Ronald Moultrie à primeira audiência pública no Congresso norte-americano dedicada especificamente aos UAPs em décadas.

A nova documentação oferece agora uma visão muito mais ampla dos bastidores que antecederam e acompanharam aquela exposição pública.

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E-mails mostram bastidores da resposta do Pentágono

A correspondência envolve integrantes da Marinha, do Departamento de Defesa e da comunidade de inteligência norte-americana, além de assessores de comunicação e oficiais de alta patente.

Em uma troca de mensagens de março de 2020, por exemplo, Neill Tipton, então ligado à área de inteligência, coleta e programas especiais do Departamento de Defesa, informa a Bray possuir um documento relacionado a uma conversa anterior entre os dois, mas prefere entregá-lo fisicamente em vez de transmiti-lo por e-mail.

Outras mensagens tratam de preparativos para briefings destinados ao Comitê de Inteligência do Senado, envolvendo Bray, Stratton, Tipton e a contra-almirante Kelly Aeschbach. Há ainda discussões sobre a linguagem pública que deveria ser usada para apresentar o esforço relacionado aos UAPs e sobre quais declarações precisariam passar previamente por revisão.

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A coleção também inclui comunicações ligadas à divulgação oficial, em abril de 2020, dos três conhecidos vídeos da Marinha que se tornariam popularmente identificados como FLIR1, Gimbal e GoFast.

Famoso UAP Gimbal
Famoso UAP Gimbal

O conteúdo percorre temas como briefings ao Congresso, estratégia de comunicação, pedidos de imprensa, classificação de documentos, respostas a solicitações via FOIA, atividades da UAP Task Force e a preparação da avaliação preliminar sobre UAP publicada pelo Escritório do Diretor de Inteligência Nacional em 2021.

Nem tudo que circulava internamente era considerado verdadeiro

Talvez um dos cuidados mais importantes ao analisar essa coleção seja distinguir o que o governo discutia daquilo que efetivamente endossava.

Os arquivos contêm reportagens encaminhadas entre funcionários, anexos, perguntas de jornalistas e alegações sobre UAP que circulavam publicamente naquele período. A presença desses materiais nas caixas de e-mail de autoridades não constitui, por si só, confirmação oficial de seu conteúdo.

O próprio The Black Vault faz essa ressalva: em muitos casos, os registros mostram apenas informações que funcionários estavam recebendo, acompanhando ou se preparando para responder.

É uma distinção particularmente importante num tema em que documentos governamentais frequentemente são apresentados nas redes sociais como se o simples fato de uma alegação aparecer dentro de um arquivo oficial significasse que ela foi investigada e considerada verdadeira. Na prática, burocracias armazenam correspondências, notícias, rumores, perguntas externas e documentos produzidos por terceiros pelas mais variadas razões.

Mais de 300 páginas continuam secretas

A liberação também está longe de representar um retrato completo das atividades de Bray ou da antiga UAP Task Force. Além das numerosas supressões presentes nos documentos divulgados, 302 páginas identificadas como pertinentes ao pedido foram retidas integralmente. Também é preciso considerar que a pesquisa foi realizada a partir de uma lista específica de palavras e expressões, o que significa que comunicações relacionadas ao assunto que não utilizassem aqueles termos podem não ter sido capturadas pela busca.

Ainda assim, mais de mil páginas de correspondência contemporânea representam uma fonte documental incomum para compreender a transformação ocorrida dentro do governo norte-americano entre o final da década de 2010 e o início dos anos 2020.

O interesse do material, ao menos neste primeiro momento, parece estar menos na revelação de algum grande “segredo UAP” e mais na possibilidade de reconstruir como o assunto circulava internamente, quem conversava com quem, quais autoridades participavam das decisões e como o Pentágono administrava simultaneamente investigações, pressões políticas, pedidos de informação e crescente exposição pública.

Greenewald disponibilizou o pacote completo divulgado pela Marinha, com mais de 1.300 páginas contabilizando a documentação da resposta, para análise pública no The Black Vault (alternativamente, também é possível baixar o arquivo neste link). Diante do volume, é provável que cadeias específicas de mensagens ainda revelem detalhes que não aparecem numa leitura inicial do conjunto.

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Redação Vigília

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