O surgimento recente de três novos vídeos na plataforma YouTube, publicados pelo canal identificado como @QTECQot, reacendeu o debate sobre uma das figuras mais icônicas e controversas da ufologia digital moderna: o alienígena apelidado de Skinny Bob. As novas produções tentam “emprestar” a narrativa e a identidade visual dos famosos vazamentos de 2011 feitos pelo misterioso usuário Ivan0135, apresentando clipes curtos em preto e branco que supostamente mostram a mesma entidade biológica extraterrestre em diferentes contextos e proporções.
A motivação por trás desse novo conjunto de imagens, que começou a circular intensamente em julho de 2026, seria dar continuidade à divulgação de materiais supostamente confidenciais que teriam sido capturados entre as décadas de 1940 e 1960 por agências de inteligência. No entanto, a forma como o conteúdo foi disponibilizado — através de um canal sem histórico prévio e com técnicas de edição que remetem a ferramentas contemporâneas — levantou suspeitas imediatas de que se trata de uma tentativa de capitalizar sobre a mística em torno dos arquivos originais do suposto visitante de Zeta Reticuli.
O canal @QTECQot iniciou suas atividades em 22 abril desse ano (2026) publicando clipes que muitos entusiastas rapidamente compararam ao material de 2011, exibindo o que parece ser um ser de aparência cinzenta, com grandes olhos e pele delgada. Diferente das filmagens originais, que focavam em planos mais fechados e movimentos sutis, estas novas inserções mostram detalhes das mãos, diferentes ângulos faciais e até cenas que sugerem o exterior de uma suposta espaçonave. A estética claramente busca replicar o granulado, o alto contraste e o desgaste de fita típico da estética analógica soviética que consagrou o primeiro “vazamento”.
Sobre essa nova leva de imagens, um usuário identificado como draven33l comentou no fórum Reddit que o material parece carecer “da fluidez orgânica vista anteriormente”.
“Este parece menos convincente. É quase como se alguém tivesse tentado fazer um vídeo do Skinny Bob. Parece rígido e não tem a musculatura e os movimentos realistas do original”, afirmou o internauta na comunidade r/UFOs.
Essa percepção de “rigidez” é um dos pontos centrais que alimentam o ceticismo sobre a origem dessas novas filmagens, contrastando com o fascínio gerado há quinze anos.
A análise crítica se estende para a própria natureza do canal divulgador, que, embora tente se conectar ao legado de Ivan0135, não apresenta nenhuma credencial de autenticidade. O apresentador do canal UFOs Around The World no YouTube, ao analisar o caso, expressou uma opinião contundente sobre a fraude.
“Acho que este novo é bobagem. Acho que é potencialmente o mesmo cara… ele quer voltar à cena e criou um novo canal”, declarou o produtor de conteúdo em seu vídeo de análise.
Mesmo com as tentativas de emular o “feeling” de material de arquivo, a recepção inicial tem sido marcada por uma descrença baseada no avanço das ferramentas de criação digital. A facilidade de acesso a softwares de edição e a ausência de uma fonte verificável colocam o novo vazamento em uma posição de desvantagem técnica em relação ao mistério que o precede. A narrativa de desclassificação e disseminação pela internet parece saturada, exigindo agora provas que vão além da simples estética de filme antigo.
Sombras de uma lenda ufológica inconclusiva
Para compreender o impacto desses novos vídeos, é necessário resgatar o contexto do caso original, que o Portal Vigília já acompanhava como uma peça de análise inconclusiva e altamente suspeita. Em 2011, os vídeos de Ivan0135 surpreenderam pela qualidade da animação, que para muitos parecia avançada demais para um simples embuste doméstico na época. Contudo, investigações técnicas subsequentes já apontavam falhas críticas na autenticidade daquela filmagem, como o uso de sobreposições de danos de filme pré-fabricadas, conhecidas como Sapphire plugins.
Outro fator que pesava contra os “originais” era a presença de um código de tempo digital que utilizava a fonte Consolas, lançada pela Microsoft apenas em 2006, invalidando a premissa de que os vídeos teriam sido gravados em câmeras Super 8 décadas antes.
A mística em torno dos segredos da KGB também desempenha um papel fundamental na construção dessa narrativa, sendo um tema recorrente em fraudes ufológicas desde o final dos anos 90. Casos anteriores, como o documentário apresentado por Roger Moore sobre arquivos secretos soviéticos, já haviam demonstrado como produções cinematográficas modernas podem ser disfarçadas de material de arquivo para enganar o público. O fenômeno Skinny Bob herdou essa tradição de mistério estatal para validar visualmente o que muitos desejavam que fosse real.
Apesar do esforço analítico de sites dedicados, como o skinnybob.info, o caso nunca chegou a uma conclusão definitiva que ratificasse a filmagem como sendo de um ser vivo real. A falta de movimentos corporais compensatórios e a natureza robótica de alguns ângulos de cabeça sugerem, segundo especialistas em CGI, que mesmo a versão de 2011 era uma construção digital refinada para os padrões da época. É sob essa sombra de dúvida persistente que os novos vídeos tentam se sustentar, enfrentando um público muito mais instruído tecnicamente.

Indícios de inteligência artificial e fraudes baratas
Ao contrário do trabalho detalhado atribuído a Ivan0135, os novos vídeos parecem sofrer da síndrome da “fraude barata” gerada com prompts em ferramentas gratuitas na era da Inteligência Artificial (IA). Observadores mais atentos notaram que os clipes são extremamente curtos e apresentam deformações sutis, mas perceptíveis, tanto nas formas dos objetos quanto na anatomia do ser e pessoas que aparencem nas peças, características típicas de ferramentas de geração de vídeo por IA. Em tempos de modelos como o Seedance 2, a criação de imagens que simulam o passado tornou-se uma tarefa de poucos cliques, eliminando a necessidade do esforço artístico visto no passado.
A artificialidade também é denunciada pelos efeitos de envelhecimento, que parecem aplicados de forma genérica sobre o conteúdo gerado digitalmente. No fórum Reddit, internautas apontaram que as novas imagens carecem da profundidade de campo e da consistência de iluminação que o material de 2011 conseguia simular com relativa competência.
“Os mais recentes são gerados com Seedance 2, enquanto o mais antigo parece CGI de nível de PlayStation 2”, comentou o usuário Trash_Thumper, expondo a disparidade técnica entre as eras de manipulação.
Outro ponto de dúvida recai sobre a “vontade” do suposto vazador em interagir nas redes sociais, algo que diverge radicalmente do silêncio absoluto mantido por Ivan0135 por mais de uma década. A tentativa de emprestar credibilidade através de postagens no X.com (antigo Twitter) sugere uma estratégia de marketing ou um desejo de reconhecimento que não condiz com o perfil de um informante de alto nível. Essas interações, por vezes rápidas e superficiais, reforçam a tese de que o material é fruto de uma criação rápida utilizando ferramentas gratuitas de IA.
As mudanças de forma nos objetos, conhecidas no jargão técnico como morphing, são visíveis quando os vídeos são analisados frame a frame — em especial no caso do suposto OVNI em forma de zepelim — expondo a incapacidade da ferramenta usada em manter a consistência temporal perfeita em sequências complexas. Diferente do Skinny Bob original, que exibia movimentos que alguns ainda defendem como “biológicos” devido à complexidade muscular simulada, os novos seres parecem “derreter” levemente entre as transições de luz e sombra. Essa degradação técnica é o maior indício de que o mistério atual é apenas um subproduto da democratização da manipulação digital.

Repercussão online e as novas teses interpretativas
A repercussão desses vídeos nas comunidades ufológicas foi imediata, mas dividida entre a nostalgia e o deboche. No Reddit, a tese predominante é que se trata de uma tentativa de “farmar” visualizações ou seguidores através do nome de Skinny Bob, aproveitando que o canal original de Ivan0135 permanece inativo. Muitos usuários expressaram que, após a explosão das IAs generativas, qualquer filmagem que surja com estética de “batata” (baixa resolução) deve ser tratada como fraude até que se prove o contrário.
“Sem fontes originais ou evidências adicionais, é apenas mais um vídeo/imagem gerado por IA”, sentenciou o usuário sergejsh.
Paralelamente, surgiu uma figura no X.com sob o nome de @qtecqot, alegando ser um intermediário que mantém contato intermitente com o próprio Ivan0135 desde abril de 2026. Em uma postagem curiosa, o perfil afirmou:
“Eu não sou Ivan0135. Eu não o conheci, mas tenho mantido contato intermitente por meios eletrônicos conforme as circunstâncias ditaram”.
Essa tentativa de personificar um novo “vazador” ou um porta-voz do original é vista por muitos como uma camada extra de ficção para dar sustento à nova série de vídeos, criando um jogo de realidade alternativa que tenta engajar o público mais jovem.
Os “novos vídeos”, são, em essência, um reflexo do estado atual da ufologia na internet: um campo onde a linha entre a evidência documental e a criação sintética tornou-se quase invisível. Numa época em que até o governo dos EUA e o Pentágono publicam no pacote dos avistamentos “inexplicáveis” registros claramente pueris, a comunidade continua à espera de uma evidência que resista a uma análise forense básica, algo que este novo “vazamento” claramente não conseguiu entregar.



