Drones de cartéis, testes militares ou OVNIs: o mistério do fechamento aéreo de El Paso

Na noite de ontem, 10 de fevereiro de 2026, a Administração Federal de Aviação (FAA) dos Estados Unidos determinou a suspensão total das operações no Aeroporto Internacional de El Paso, no Texas, e na região vizinha de Santa Teresa, Novo México, citando “razões especiais de segurança”. A medida, que inicialmente previa um bloqueio de 10 dias, paralisou dezenas de voos comerciais e proibiu até mesmo transportes médicos e policiais em um raio de 18 quilômetros da fronteira com o México.
A interrupção teria sido motivada por operações militares nas proximidades da base de Fort Bliss, envolvendo o uso de tecnologias de defesa contra aeronaves não tripuladas. Mas a história rapidamente ficou bem estranha…
Embora a administração oficial tenha atribuído o incidente a uma incursão de drones de cartéis mexicanos, fontes ligadas ao setor de aviação e ao Pentágono sugeriram que o fechamento teria sido provocado por um impasse burocrático e operacional entre agências federais sobre o uso de armas de energia dirigida em áreas civis.

Quando caiu na Internet, questionada por perfis ligados à comunidade ufológica, a notícia já trazia especulações sobre novas invasões de drones misteriosos, potenciais acidentes com aeronaves não-humanas e todos os tipos de outras ilações.
Divergências sobre a origem da ameaça
A versão oficial apresentada pela Casa Branca sustenta que o fechamento ocorreu devido à violação do espaço aéreo por drones de narcotraficantes. O Secretário de Transportes, Sean Duffy, reforçou essa narrativa ao declarar em rede social que “a FAA e o Departamento de Defesa agiram rapidamente para lidar com uma incursão de drones de cartéis” e que “a ameaça foi neutralizada”. No entanto, essa explicação é contestada por autoridades locais e fontes internas do governo.
A congressista democrata Veronica Escobar, que representa El Paso, manifestou ceticismo público em relação à justificativa da administração. Durante uma coletiva de imprensa, ela afirmou que “a declaração da administração de que este fechamento estava ligado a um drone de um cartel mexicano que entrou no espaço aéreo dos EUA — esse não é o meu entendimento”. Escobar ressaltou que incursões de drones são comuns há anos e nunca exigiram medidas tão drásticas.
Investigações da CBS News revelaram que o Pentágono estava realizando testes com tecnologias militares perto de Fort Bliss, o que gerou atrito com a agência reguladora de aviação. Segundo fontes próximas ao assunto, o fechamento repentino derivou de “desentendimentos entre a Administração Federal de Aviação e funcionários do Pentágono sobre testes relacionados a drones”. O impasse teria ocorrido porque os militares operavam drones fora das rotas normais sem compartilhar informações adequadas com a FAA.
Um oficial da indústria, que pediu anonimato ao conversar com o The Texas Tribune, explicou que a decisão da FAA se deveu à “incapacidade da agência de prever onde sistemas de aeronaves não tripuladas poderiam estar voando”. Essa falta de transparência entre os órgãos de defesa e a aviação civil teria forçado o administrador da FAA, Bryan Bedford, a suspender as operações para garantir a segurança dos passageiros até que os conflitos com o Departamento de Defesa fossem resolvidos.
Uso de tecnologia experimental e ecos do passado
A natureza da resposta militar também levanta questões sobre a gravidade do incidente, uma vez que fontes indicaram o uso de sistemas de contramedidas a laser. Duas fontes identificaram a tecnologia empregada como um “laser de alta energia”, uma arma experimental de energia dirigida. Especialistas e críticos argumentam que tal armamento raramente seria mobilizado contra simples drones comerciais usados por cartéis, sugerindo que a ameaça poderia ser mais complexa.
A situação em El Paso remete ao padrão observado no final de 2023 na Base Aérea de Langley, onde enxames de drones não identificados penetraram instalações militares sensíveis por semanas. Naquela ocasião, o Pentágono reconheceu uma lacuna de capacidade para identificar ou deter as aeronaves. Mais tarde, no final de 2024 e boa parte do ano de 2025, os chamados drones misteriosos ou dróvnis ocuparam grande parte do debate público nos EUA com a situação escalando em Nova Jersey e outros estados, chegando a afetar mesmo bases militares e aeroportos na Europa.

Fontes ouvidas pela imprensa norte-americana sugerem que o episódio atual pode ser uma repetição dessa falha de segurança nacional, possivelmente mascarada por uma versão oficial simplificada sobre atividades de cartéis.
A tensão aumentou quando se descobriu que, dias antes do fechamento, a tecnologia anti-drone foi acionada na fronteira sul para derrubar o que se pensava ser uma aeronave estrangeira, mas que se revelou ser apenas um balão de festa. “Um balão foi derrubado”, confirmaram várias fontes à CBS News, evidenciando o estado de alerta elevado e a sensibilidade dos novos sistemas de defesa. Esse contexto de incerteza operacional teria contribuído para a decisão unilateral da FAA de paralisar o tráfego aéreo.
O fechamento foi classificado como “Espaço Aéreo de Defesa Nacional”, uma designação que autoriza o uso de força letal contra aeronaves transgressoras consideradas “ameaça iminente”. De acordo com relatórios, essa é uma medida sem precedentes desde os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001. A autorização para abater drones com armas de energia dirigida em uma zona urbana densamente povoada como El Paso reflete a gravidade do impasse entre os reguladores civis e os estrategistas militares.
It’s fine.
It’s all fine… pic.twitter.com/563WaarPmF
— John Greenewald, Jr. (@theblackvault) February 11, 2026
Impactos e a falta de comunicação
Apesar da autoridade de força letal e da previsão de dez dias de bloqueio, o espaço aéreo foi reaberto apenas oito horas após o anúncio inicial. A reversão ocorreu após uma reunião de emergência no gabinete da chefe de gabinete da Casa Branca, Susie Wiles, onde os dados foram analisados e a restrição foi levantada em minutos. A rapidez da resolução levanta dúvidas sobre se a ameaça era de fato tão persistente quanto o alerta original sugeria.
O impacto econômico e logístico foi imediato, com cerca de 19% dos voos programados para o dia 11 de fevereiro sendo cancelados. Companhias como a Southwest Airlines e a American Airlines tiveram suas operações paralisadas, afetando milhares de passageiros. O aeroporto de El Paso, que movimentou quase 3,5 milhões de pessoas em 2025, é um centro vital para o transporte na região sul dos Estados Unidos e sua interrupção repentina causou caos nas escalas aéreas.
A falta de comunicação prévia gerou indignação entre as autoridades locais e estaduais. A congressista Escobar denunciou que “a FAA não notificou ninguém localmente”, deixando o prefeito de El Paso e os administradores do aeroporto completamente desinformados até que o aviso público fosse emitido. O representante Chris Canales comentou ao Wall Street Journal que “nunca tínhamos visto algo tão radical” quanto esse bloqueio total sem aviso prévio às lideranças da cidade.
Agora, o Congresso dos EUA e o governo mexicano buscam esclarecimentos sobre o ocorrido. Enquanto a presidente do México, Claudia Sheinbaum, afirmou não ter informações sobre o uso de drones na fronteira, legisladores americanos prometem investigar por que uma agência federal tomou uma decisão de tamanha magnitude sem consulta prévia. A discrepância entre o discurso oficial de “ameaça de cartel” e os relatos de “testes militares desordenados” permanece como o ponto central de uma crise de transparência.







