Departamento de Guerra dos EUA libera segundo lote de arquivos secretos sobre OVNIs

Departamento de Guerra dos EUA libera segundo lote de arquivos secretos sobre OVNIs
Departamento de Guerra dos EUA libera segundo lote de arquivos secretos sobre OVNIs (captura de frame do registro DOW-UAP-PR051, war.gov)

O Departamento de Guerra dos Estados Unidos publicou nesta sexta-feira, 22 de maio de 2026, o segundo lote de arquivos desclassificados sobre Fenômenos Anômalos Não Identificados (UAPs), popularmente conhecidos como OVNIs. A iniciativa, coordenada pelo Sistema Presidencial de Abertura e Relato de Encontros com UAPs (PURSUE), disponibilizou ao público dezenas de vídeos e centenas de documentos históricos que estavam sob sigilo no Pentágono, acessíveis agora por meio do portal oficial da inteligência militar.

----publicidade----

Esta liberação massiva ocorre sob diretriz direta do presidente Donald Trump, que instruiu as agências governamentais a darem transparência total sobre encontros com objetos voadores não identificados. O objetivo da administração é responder ao crescente interesse público e acadêmico, expondo registros que, até então, alimentavam décadas de especulações e teorias conspiratórias dentro e fora da comunidade científica, permitindo que a sociedade civil analise dados brutos antes exclusivos dos serviços de inteligência.

O novo pacote de dados inclui mais de 50 vídeos e registros documentais que totalizam centenas de páginas, abrangendo desde incidentes em bases militares estratégicas até relatos de astronautas em missões espaciais históricas. Diferente da primeira remessa ocorrida em 8 de maio, este lote traz depoimentos detalhados de militares da ativa e algumas análises iniciais de sensores infravermelhos capturados em áreas de conflito operacional, como o Oriente Médio e a fronteira da Síria.

O Escritório de Resolução de Anomalias em Todos os Domínios (AARO) mantém a postura oficial de que não há evidências conclusivas de tecnologia alienígena, mesmo que à primeira vista a natureza das manobras registradas pareça desafiar a física convencional. Ainda assim, especialistas apontam que a transparência atual é um marco histórico, visto que o portal oficial já registrou mais de 1 bilhão de acessos, demonstrando o impacto global desta política de desclassificação contínua.

Análise preliminar dos registros audiovisuais inéditos

A segunda remessa de arquivos destaca-se pela inclusão de vídeos obtidos por sensores infravermelhos de visão frontal (FLIR) em plataformas militares operando em zonas de responsabilidade do Comando Central dos Estados Unidos. Um dos registros considerados mais impactantes, datado de 2021 sobre a Síria, mostra um objeto misterioso supostamente acelerando de forma súbita, em uma velocidade descrita por analistas como comparável à aceleração instantânea vista em obras de ficção científica.

Apesar disso, o material já havia vazado sem tarjas semanas atrás e, segundo a avaliação do experiente analista de imagens Jorge Uesu Jr, as condições de captação podem enganar o observador incauto. Reconstruindo a trajetória do objeto e o ponto de vista a plataforma de captação, incluindo seu padrão de voo, Uesu Jr. já havia demonstrado que a aceleração aparentemente instantânea pode ser apenas resultado de um efeito de paralaxe (diferença entre o deslocamento da câmera, do objeto e do fundo) para um objeto comum, ainda que o objeto em si permaneça não identificado. Ou seja: não “quebra a física”.

----publicidade----

Em outro vídeo de 2019, três fenômenos anômalos são capturados voando em formação sobre o Golfo Pérsico, demonstrando um padrão de voo coordenado que intriga especialistas em aviação. Neste caso, assim como em vários outros, há suspeitas de tratarem-se de aves voando em formação.

Declaração oficial confirma a continuidade das liberações UAP

O porta-voz do Pentágono, Sean Parnell, destacou em comunicado oficial que a coleção continuará sendo ampliada e que o governo trabalha ativamente na preparação de um terceiro lote de arquivos. Segundo Parnell, “arquivos adicionais serão liberados de forma contínua” à medida que forem localizados e desclassificados pelos órgãos de defesa. Esta postura sinaliza uma mudança profunda na gestão da informação militar, priorizando o acesso público em detrimento do sigilo histórico que cercava o tema.

Os vídeos liberados também mostram objetos com formatos atípicos, distantes do design tradicional de discos voadores ou esferas perfeitas. Um clipe de outubro de 2022, gravado em local não revelado, exibe uma entidade em formato de charuto cruzando o céu sobre o que parece ser uma área residencial. Outros registros apresentam objetos amorfos com oscilações intensas de luminosidade, movendo-se a velocidades extremas sobre o oceano, o que reforça a natureza anômala das detecções capturadas pelos sensores avançados da marinha e da força aérea.

----publicidade----

“O Departamento de Guerra está em sintonia com o presidente Trump para trazer uma transparência sem precedentes em relação à compreensão do nosso governo sobre Fenômenos Anômalos Não Identificados”, afirmou o Secretário de Guerra dos Estados Unidos, Pete Hegseth, em declaração oficial.

Para Hegseth, esses arquivos, outrora ocultos por classificações de segurança, alimentaram uma especulação justificada e “é hora de o povo americano ver por si mesmo” o que as forças de defesa têm registrado ao longo das décadas.

Casos históricos e a conexão com a Nasa

Entre os 222 arquivos liberados, um dossiê de 116 páginas detalha uma série de investigações ocorridas entre 1948 e 1950 nas instalações de Sandia, no Novo México. O documento cataloga 209 avistamentos de “orbes verdes”, “discos” e “bolas de fogo” relatados nas proximidades da base militar, sugerindo uma atividade intensa de fenômenos não identificados em áreas de testes sensíveis logo após o fim da Segunda Guerra Mundial. Esses registros históricos são fundamentais para a construção de uma linha do tempo sobre a presença desses objetos em espaço aéreo restrito.

A inclusão de áudios e transcrições de missões espaciais também compõe este segundo lote, com destaque para o debriefing médico da tripulação da Apollo 12, em 1969. Os astronautas descreveram a observação de flashes ou “feixes de luz” enquanto tentavam dormir, fenômeno que se assemelha a relatos feitos por Buzz Aldrin na missão Apollo 11, a maioria considerados efeitos de raios cósmicos atingindo a retina dos astronautas. Aliás, dessa vez, a maioria dos registros da NASA inclui a hipótese provável da causa do avistamento.

Além disso, arquivos da missão Mercury-Atlas 8 de 1962 revelam que o astronauta Wally Schirra relatou ao controle da missão ter visto “pequenos objetos brancos” que pareciam derivar da própria cápsula espacial.

Essa aproximação entre os registros militares e os dados da agência espacial, no entanto, gerou críticas de figuras proeminentes da ciência. O astrofísico Neil deGrasse Tyson, em declaração ao seu canal StarTalk, afirmou que a inclusão de documentos da agência espacial nas liberações do Departamento de Guerra é “um pouco enganosa”, já que muitos desses arquivos nunca foram confidenciais e podem ter explicações racionais. Tyson argumenta que a justaposição desses materiais com casos militares não resolvidos pode induzir o público ao erro por uma espécie de “culpa por associação”.

Apesar das críticas acadêmicas, os documentos agora públicos revelam que a curiosidade dos astronautas sobre o que viam no espaço era genuína e frequentemente reportada aos centros de comando. Os arquivos mostram que, embora a Nasa e o Pentágono mantenham bases de dados distintas, a fenomenologia observada compartilha características comuns, como a luminosidade intensa e movimentos que fogem ao padrão de detritos espaciais conhecidos ou satélites da época.

Anomalia física e evidências de intrusão

Um dos documentos mais detalhados deste lote apresenta o relato de primeira mão de um alto oficial de inteligência dos Estados Unidos, referente a um incidente ocorrido no final de 2025. Durante uma missão de investigação em uma zona de testes nas montanhas do oeste norte-americano, a equipe a bordo de um helicóptero teve encontros próximos com UAPs que duraram mais de uma hora. O relato descreve um objeto detectado por sensores infravermelhos como “super quente”, que realizava movimentos rápidos em várias direções antes de se dividir em dois e acelerar para longe da aeronave de perseguição.

Além das incursões aéreas, a desclassificação trouxe à tona registros de Objetos Submersos Não Identificados (OSNIs), ampliando o escopo do fenômeno para o domínio marítimo. Um vídeo datado de março de 2022 registra múltiplos objetos descritos como “esféricos” operando nas proximidades de um submarino, entrando e saindo da água com facilidade, sem apresentar sinais visíveis de sistemas de propulsão ou superfícies de controle aerodinâmico. Esse tipo de transmidialidade — a capacidade de operar em diferentes meios, como ar e água — é um dos principais focos de interesse dos pesquisadores de defesa.

Sem mais dados da observação — em todos os vídeos, as informações de rastreamento e telemetria estão tarjadas — os analistas terão dificuldade em separar tecnologia potencialmente avançada e desconhecida de bandos de golfinhos ou cardumes de outros peixes. Dilema similar deve afetar os muitos vídeos de voos em “formações” irregulares de pontos de calor que em nada se diferenciam de pássaros.

Vários registros apresentam vôos em formação típicos de pássaros, como o identificado como DOW-UAP-PR052 (War.gov)
Vários registros apresentam voos em formações irregulares típicas de pássaros, como o identificado como DOW-UAP-PR052 (War.gov)

Em ao menos uma das gravações, um sensor parece ter registrado um objeto que realiza movimentos erráticos em “ziguezague”, com guinadas aparentemente impossíveis para aeronaves comuns ou pássaros, antes de desaparecer instantaneamente da visão dos instrumentos. Para os entusiastas da Ufologia, para além das imagens borradas e pouco definidas da nova liberação, a comprovação dessa capacidade seria, por si só, um indicador relevante da presença de tecnologias cujas capacidades não possuem paralelo em qualquer projeto aeroespacial humano conhecido atualmente.

O volume de materiais recentemente divulgados é considerado histórico por expandir significativamente o conjunto de dados disponíveis para análise independente. Pesquisadores independentes e o setor privado são agora incentivados pelo Departamento de Guerra a aplicar sua experiência para ajudar a identificar as naturezas desses fenômenos, que em sua maioria permanecem classificados como “não resolvidos” pelo governo. A transparência atual, embora não entregue uma “arma fumegante” da um vislumbre da dificuldade dos governo em classificar o fenômeno UAP, ao mesmo tempo em frustra os espectadores da revelação de algum tipo de posse de tecnologias impossíveis ou reconhecimento da visitação de seres  extraterrestre (ou entidades não-humanas) ao nosso planeta (ou à nossa realidade).

Jeferson Martinho

Jornalista, o autor é empresário de comunicação, dono de agência de marketing digital e assessoria de imprensa, publisher de um portal de notícias regionais na Grande São Paulo, fundador e editor do Portal Vigília. Apaixonado por Ufologia de um ponto de vista científico, é autor do livro "Nem Todo OVNI é Extraterrestre - Um guia para entusiastas da ufologia que não querem ser iludidos", disponível na Amazon.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

×