O caso que o FBI não consegue fechar: cinco anos de ‘orbes’ luminosos no Nordeste dos EUA

O caso que o FBI não consegue fechar: cinco anos de ‘orbes’ luminosos no Nordeste dos EUA

Em novembro de 2021, às cinco da manhã, uma pessoa acostumada àquela área isolada do Nordeste dos Estados Unidos apontou um iPhone 12 Pro para uma luz que não deveria estar ali. O que ela filmou — uma fonte luminosa intensa que se desdobrou em múltiplos pontos de luz em rotação errática e formou um triângulo no céu — foi o primeiro registro documentado de um fenômeno que o FBI ainda não conseguiu explicar quase cinco anos depois.

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Os documentos desclassificados publicados em 12 de junho de 2026 no portal oficial de divulgação de UAP do governo norte-americano revelam que aquele avistamento não foi um evento isolado. Ele é o ponto de partida de um caso investigativo contínuo, com pelo menos dez registros públicos, entrevistas formais de testemunhas, vistorias de campo, e um detalhe que distingue este caso de praticamente todos os outros no catálogo governamental: os próprios agentes especiais do FBI que investigavam o fenômeno passaram a vê-lo.

Mais ainda: a recorrência e o empenho do FBI no tema, além de mostrarem a seriedade com que o Bureau Federal de Investigação trata os relatos UAP, indica que o conceito de setor “Arquivos X” não é uma mera ficção.

O mesmo local, o mesmo tipo de objeto, ano após ano

Entre novembro de 2021 e julho de 2025, ao menos quatro avistamentos foram registrados em vídeo no mesmo ponto geográfico — descrito nos documentos apenas como “uma área pouco habitada do Nordeste dos Estados Unidos, bem conhecida pelos testemunhos”. Contrariando o discurso de transparência da iniciativa Pursue, no entanto, o governo não divulga a localização exata.

Os objetos descritos seguem um padrão físico consistente ao longo de todos os episódios: esferas ou orbs luminosos, vermelhos ou brancos, silenciosos, capazes de permanecer estacionários por longos períodos, de se separar em múltiplas fontes de luz e de se mover em formação sem qualquer som associado.

Em março de 2022, o segundo avistamento registrado (denominado “Red Orb Rotation” nos documentos) mostrou dois orbs vermelhos a aproximadamente 750 metros de distância. O inferior rotacionava lentamente em relação ao superior, movendo-se de uma posição equivalente às seis horas de um relógio para além das nove horas. Nenhum som foi ouvido. O FBI classificou a testemunha como “altamente credível”.

Em outubro de 2024, um terceiro avistamento — “Orbs Over the Pond” — acrescentou um novo dado ao padrão: um objeto descrito como “esfera de plasma” pairou sobre uma lagoa por aproximadamente 45 minutos, mudando de forma e luminosidade de forma intermitente, enquanto uma fonte secundária flutuava logo acima da superfície da água. O vídeo, gravado em iPhone por um civil, foi posteriormente “autenticado pelo governo dos Estados Unidos”, segundo o próprio descritivo oficial.

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Quando os investigadores se tornam testemunhas

O caráter incomum do caso fica ainda mais evidente na sequência de formulários FD-1057 — o registro interno do FBI para atividades investigativas — que documenta a entrada da agência no caso a partir de outubro de 2024.

O primeiro contato registrado publicamente, o FD-1057-02, documenta agentes do FBI coletando o vídeo de outubro de 2024 e entrevistando o civil. O FD-1057-04 registra uma entrevista mais extensa sobre “vários incidentes nos últimos três anos”, consolidando os avistamentos de 2021 a 2024 como histórico de um único caso em andamento.

Em novembro de 2024, agentes realizaram uma vistoria física do local. O que aconteceu durante essa vistoria está registrado no FD-1057-06, cujo descritivo oficial é direto: “observações em primeira mão feitas por dois agentes especiais do FBI durante o curso de uma investigação em andamento.” Os investigadores viram o fenômeno.

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Documento FD-1057-06 registra o contato de dois agentes do FBI com o fenômeno (Reprodução)
Documento FD-1057-06 registra o contato de dois agentes do FBI com o fenômeno (Reprodução)

No mês seguinte, dezembro de 2024, um segundo relatório de vistoria — FD-1057-07 — documenta o retorno dos mesmos agentes ao local “onde dois agentes especiais do FBI haviam previamente observado UAP”. Não foi uma visita de rotina. Foi um retorno deliberado ao ponto exato onde eles próprios tinham sido testemunhas.

Nenhum desses relatórios foi divulgado sem redação.

Julho de 2025: o quarto avistamento e o detalhe que não apareceu antes

Em julho de 2025, às 21h, dois membros de um mesmo casal estacionavam o carro ao voltar do trabalho quando uma luz intensa pairava a cerca de oito metros do chão no jardim dos fundos, abaixo da copa das árvores, a uma distância estimada de 27 metros. Um deles entrou em casa para buscar o celular.

O descritivo oficial do FBI descreve o que ambos viram: “uma esfera vermelha brilhante de aproximadamente um metro de diâmetro. O centro da esfera vermelha parecia ser um plasma branco, semelhante a um sol, do tamanho de uma bola de basquete.” Um segundo orb idêntico pairava acima do primeiro.

Os dois objetos se moveram para o oeste juntos, silenciosos e suaves, “como se estivessem voando em formação ou amarrados um ao outro.” Ao desaparecerem, as testemunhas relataram que os orbs “pareceram se fundir”.

O descritivo confirma explicitamente a continuidade geográfica: o avistamento de julho de 2025 ocorreu “dentro de 25 milhas” dos três anteriores — Triangle Orbs, Red Orb Rotation e Orbs Over the Pond —, “em um local bem conhecido” pelos envolvidos.

A escalada documental: de relatórios investigativos a depoimentos formais

A mudança de formulário entre 2024 e 2026 é um sinal estrutural relevante. Até o fim de 2024, todos os registros do caso usavam o FD-1057 — o formulário padrão para atividade investigativa interna do FBI. A partir de 2026, surgem os FD-302: o formulário que o bureau usa para registrar entrevistas formais, o mesmo utilizado em investigações criminais e de contrainteligência.

Os registros FBI-UAP-D009 (FD-302-67) e FBI-UAP-D010 (FD-302-71) documentam entrevistas realizadas em fevereiro de 2026 com “pessoas norte-americanas” sobre “relatos em primeira mão de incidentes potencialmente envolvendo fenômenos anômalos não identificados”. Ambos estão redacionados. Ambos foram marcados como “Featured” — a categoria de destaque reservada a apenas dez documentos em todo o catálogo de 294 registros.

Esse salto de FD-1057 para FD-302 indica que o caso passou de uma fase de coleta informal de informações para um processo de registro de depoimento com implicações legais distintas.

O que os documentos não mostram

A análise dos registros revela ausências sistemáticas que não parecem acidentais.

Os seriais FD-1057-01 e FD-1057-03 estão ausentes do dataset público. O primeiro contato documentado é o serial 02 — o que precedeu a entrada formal do FBI no caso permanece desconhecido. O serial 03, situado entre os dois primeiros registros investigativos, também não foi divulgado.

Mais significativo ainda: entre o FD-302-67 (D009) e o FD-302-71 (D010), há três entrevistas formais — seriais 68, 69 e 70 — que simplesmente não constam do catálogo. Se os depoimentos que foram tornados públicos já estão redacionados, o conteúdo dos três ausentes é desconhecido por definição.

O descritivo de ambos os FD-302 utiliza a mesma formulação-padrão para vincular os documentos: “a matéria descrita nos arquivos FBI-UAP-D009 e FBI-UAP-D010 e retratada nas imagens de vídeo FBI-UAP-PR004 corresponde a relatos originários da mesma área geral no Nordeste dos Estados Unidos.” O governo confirma a continuidade. O conteúdo específico dos depoimentos, não.

Um caso aberto em junho de 2026

O descritivo do único registro da Intelligence Community Agency no catálogo — ICA-UAP-D001, sobre o incidente separado do Colorado Springs — termina com uma frase que pode ser lida como emblema de todo o programa de divulgação: “este incidente permanece não resolvido em junho de 2026.”

Imagem de reconstituicao de cena do FBI FBI UAP D003 caso Colorado Springs 2022
Imagem de reconstituição de cena do FBI – FBI-UAP-D003, caso Colorado Springs, 2022

O caso Northeastern Orb não tem essa frase. Não tem conclusão alguma. Os documentos simplesmente param, com dois depoimentos formais redacionados, três entrevistas intermediárias ausentes, e agentes do FBI que passaram de investigadores a parte integrante do registro que estavam construindo.

O fenômeno foi filmado quatro vezes, no mesmo ponto, ao longo de quase cinco anos. O FBI autenticou ao menos um dos vídeos. Dois de seus agentes o viram pessoalmente. A agência escalou o processo para depoimentos formais em 2026.

O que está nos três FD-302 que faltam é a pergunta que os documentos divulgados não respondem — e que, ao que tudo indica, o governo ainda não respondeu para si mesmo.

Jeferson Martinho

Jornalista, o autor é empresário de comunicação, dono de agência de marketing digital e assessoria de imprensa, publisher de um portal de notícias regionais na Grande São Paulo, fundador e editor do Portal Vigília. Apaixonado por Ufologia de um ponto de vista científico, é autor do livro "Nem Todo OVNI é Extraterrestre - Um guia para entusiastas da ufologia que não querem ser iludidos", disponível na Amazon.

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