O Dr. Steven Greer, fundador do Disclosure Project, emitiu um ultimato formal ao governo dos Estados Unidos e a lideranças globais, exigindo a liberação imediata de evidências sobre tecnologias extraterrestres e operações secretas ilegais. Em uma carta datada de 29 de junho de 2026, endereçada ao presidente Donald Trump e a membros do Congresso, o ex-médico de emergência afirma que pretende divulgar publicamente “evidências contundentes” — incluindo provas biológicas, documentação de engenharia reversa e dados de operações clandestinas — caso não receba uma justificativa legal por escrito que o impeça até o dia 29 de agosto.
Segundo o autor, a ofensiva lançada a poucos dias do aniversário de 250 anos da fundação dos Estados Unidos, utiliza um sistema de blockchain para garantir que os arquivos não possam ser removidos por interesses que ele classifica como corruptos.
A narrativa de Greer, apresentada em um anúncio global em vídeo, sustenta que o esforço oficial de transparência sobre Fenômenos Anômalos Não Identificados (UAPs) foi “sequestrado” por um grupo ilegal que mantém o segredo há oito décadas. Ele argumenta que essas operações operam fora da autoridade constitucional e, portanto, não possuem direito a proteções de segurança nacional, justificando seu apelo para que denunciantes (whistleblowers) delatem desses programas e entreguem materiais sob total confidencialidade.
“É hora de as outras nações do mundo darem um passo à frente e fazerem sua parte para levar adiante a revelação”, declarou Greer em sua transmissão.
O ufólogo fez ainda um apelo direto a países como Rússia, China e Reino Unido para que ignorem preocupações geopolíticas e compartilhem seus arquivos secretos em prol da humanidade.
Dr. Steven Greer to release “hard evidence” in the next 60 days unless the government tells him in writing otherwise
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UFOs
O peso das promessas e o histórico de sombras
Greer baseia sua autoridade no depoimento de mais de 800 supostos informantes e em décadas de atuação no movimento de revelação, mas sua trajetória é marcada por um ciclo recorrente de anúncios iminentes que raramente se traduzem em provas materiais verificáveis. Para muitos observadores e veteranos da comunidade ufológica, este novo prazo de 60 dias soa como uma repetição exaustiva de estratégias anteriores, como as previsões feitas em janeiro e fevereiro de 2025. Naquela ocasião, ele afirmou com “100% de certeza” que uma revelação significativa ocorreria antes da posse presidencial, um evento que, conforme destacado por críticos em fóruns especializados, jamais se materializou conforme o prometido.
A insistência em estabelecer datas fatais tem gerado um desgaste profundo em sua credibilidade junto ao público mais cético e até mesmo entre entusiastas do tema. Analistas apontam que a carreira de Greer parece seguir um padrão de criar suspense para manter o engajamento de sua base de seguidores, uma técnica descrita por alguns como a “narrativa da cenoura pendurada”.
“A carreira de décadas de Steven Greer é construída sobre um ciclo contínuo e recorrente de anunciar revelações iminentes”, comentou um usuário identificado como CyberRenegade no fórum Reddit, sintetizando a frustração de uma comunidade que aguarda por dados concretos há décadas.
Além da questão das datas não cumpridas, a faceta comercial das atividades de Greer levanta suspeitas éticas sobre as motivações por trás de seus ultimatos. Suas expedições para o que ele chama de “Embaixadores do Universo”, onde promete contatos imediatos por meio de meditação, chegam a custar entre 3.500 e 8.000 dólares por participante. Existem relatos persistentes de que, quando os fenômenos não se manifestam naturalmente, recursos artificiais seriam utilizados para manter a ilusão do contato, o que, embora negado pelo Disclosure Project, alimenta a percepção de que o movimento funciona mais como um empreendimento lucrativo do que como uma investigação científica rigorosa.
Dessa forma, o ultimato de 2026 é visto por analistas como uma manobra de autoproteção jurídica ou uma tentativa de forçar um confronto legal que o valide como figura central no cenário ufológico. Ao desafiar o governo a provar a legalidade de seus programas secretos, Greer tenta criar um precedente onde denunciantes poderiam falar sem o risco de acusações de traição. Contudo, o ceticismo prevalece, pois a ausência de resultados em ultimatos anteriores faz com que muitos acreditem que, em 29 de agosto, Greer apresentará apenas mais uma justificativa para o silêncio, perpetuando o ecossistema econômico que sustenta sua organização.
Episódios de avistamentos sob suspeita
A legitimidade de Greer para lançar desafios dessa magnitude é frequentemente confrontada com o que críticos chamam de um rastro de fracassos empíricos documentados desde a década de 1990. Em 1992, ele afirmou que uma projeção mental de seu grupo resultou no surgimento de um agroglifo em Alton Barnes, na Inglaterra, e no pouso de uma nave física a poucos metros de distância. Entretanto, a prova visual desse evento extraordinário nunca foi apresentada devido a uma falha instrumental descrita como “oportuna” por investigadores independentes, restando apenas um relato em áudio de Greer.
O padrão de inconsistências seguiu Greer até Gulf Breeze, na Flórida, em 1993, onde ele declarou estar em contato telepático em tempo real com luzes vermelhas no céu. Enquanto Greer descrevia uma interação inteligente e solicitava um pouso, observadores da Mutual UFO Network (MUFON) realizaram triangulações que desmentiram dramaticamente suas alegações de proximidade. Testemunhas e gravações revelaram que o objeto estava a quilômetros de distância de Greer, contradizendo seu relatório oficial de que a nave havia “pairado diretamente acima de sua cabeça”, o que gerou acusações graves de falsificação de testemunho e inflação deliberada de dados.
A desconstrução mais pública e embaraçosa ocorreu durante uma expedição internacional ao México, acompanhada pela equipe do programa investigativo 48 Hours da rede CBS. Greer assegurou triunfalmente que havia estabelecido um diálogo luminoso interativo com naves sobre Metepec. Contudo, após o retorno aos Estados Unidos, peritos ópticos independentes analisaram as fitas e provaram que as luzes eram, na verdade, jatos comerciais em rota para o Aeroporto Internacional da Cidade do México. As interações celebradas foram identificadas como a mera coincidência entre os disparos de luz do grupo em terra e a ativação periódica de luzes estroboscópicas de navegação das aeronaves.
Esses episódios forçaram uma transição estratégica na atuação de Greer, que passou a focar na advocacia política e na teoria do “embuste cósmico” como uma forma de blindagem metodológica. Sob essa premissa, qualquer falha em avistamentos ou refutação científica é classificada como uma operação de “bandeira falsa” do complexo militar-industrial para ocultar a verdade. Essa narrativa transforma a ausência de provas em um indício de conspiração, garantindo que sua base de seguidores permaneça imune ao método científico e continue financiando documentários e treinamentos que prometem a revelação final que sempre parece estar a poucos meses de distância.


