Trump determina desclassificação de arquivos sobre OVNIs e alienígenas

Trump determina desclassificação de arquivos sobre OVNIs e alienígenas
Perguntado sobre alienígenas, presidente dos EUA, Donald Trump, disse que ouviu "coisas interessantes" sobre o Caso Roswell, no Novo México, e sugeriu que pode pensar em liberar informações (Foto Youtube/Reprodução)

Na última quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, utilizou sua plataforma Truth Social para anunciar uma diretriz oficial que ordena a identificação e a desclassificação de documentos governamentais relacionados a fenômenos aéreos não identificados e vida extraterrestre.

----publicidade----

A determinação foi encaminhada ao Secretário da Guerra, Pete Hegseth, além de outros chefes de agências federais e departamentos relevantes, com o objetivo de dar transparência a arquivos sobre Objetos Voadores Não Identificados (OVNIs), Fenômenos Anômalos Não Identificados (UAPs) e o que Trump descreveu como “vida alienígena e extraterrestre”. Segundo a postagem presidencial, a decisão foi motivada pelo “enorme interesse demonstrado” pelo público em temas que ele considera “altamente complexos, porém extremamente interessantes e importantes”.

O anúncio caiu como uma bomba e inflamou discussões acaloradas nas redes sociais além de provocar manchetes impactantes nas mídias tradicionais. A decisão de Trump ocorre em um momento de intensa ebulição midiática, logo após declarações do ex-presidente Barack Obama terem viralizado ao afirmar, em uma rodada de perguntas rápidas em um podcast, que os alienígenas “são reais”.

Trump reagiu prontamente à fala de seu antecessor, acusando-o publicamente de ter cometido um erro grave “ao expor segredos de Estado”. Ao assinar a nova ordem de desclassificação, o atual presidente sugeriu que sua iniciativa poderia, inclusive, poupar Obama de problemas legais ao tornar públicas as informações que o democrata teria mencionado de forma supostamente indevida.

Donald Trump comunicou em sua rede social que expediu ordem executiva pela desclassificacao
Donald Trump comunicou em sua rede social que expediu ordem executiva pela desclassificação

O embate entre presidentes e a sombra do segredo

O contexto da declaração de Donald Trump é intrinsecamente ligado à entrevista concedida por Barack Obama ao apresentador Brian Tyler Cohen, na qual o ex-presidente afirmou: “Eles são reais, mas eu não os vi, e eles não estão sendo mantidos na, como é mesmo? Área 51”. Obama ainda brincou que não existiria uma instalação subterrânea escondendo naves ou seres, “a menos que haja uma conspiração enorme e eles tenham escondido isso do presidente dos Estados Unidos”. Pouco tempo depois, diante da repercussão global, Obama utilizou suas redes sociais para esclarecer que sua fala se baseava em uma probabilidade estatística de vida no vasto universo, e não em evidências concretas de visitas à Terra observadas durante seu mandato.

A reação de Trump, no entanto, ignorou o tom de esclarecimento de Obama e focou na suposta quebra de protocolo de segurança nacional. A bordo do Air Force One, Trump declarou aos repórteres:

“Eu não sei se eles são reais ou não”, mas acrescentou, sobre a fala de Obama, que “ele divulgou informação classificada, não deveria estar fazendo isso”.

Essa postura levanta uma questão analítica importante: Trump não detalhou se o caráter confidencial residia na afirmação genérica de que alienígenas existem ou se dizia respeito aos detalhes operacionais da Área 51, mantendo a ambiguidade que costuma cercar o tema.

----publicidade----

Obama esclarece entrevista sobre alienigenas e fala de probabilidade estatistica

Curiosamente, a acusação de “crime” contra Obama por revelar dados sensíveis contrasta com o histórico recente de outros indivíduos que fizeram afirmações semelhantes perante as instituições americanas. Diversos denunciantes e ex-oficiais de inteligência, como David Grusch, já compareceram ao Congresso para prestar depoimentos sob juramento afirmando que o governo possui evidências de inteligência não humana (NHI) e materiais recuperados de naves não identificadas. Apesar da gravidade de tais alegações, esses indivíduos não enfrentaram processos criminais por revelarem o que consideram ser a verdade sobre a presença extraterrestre, o que coloca a crítica de Trump a Obama sob uma ótica mais política do que estritamente jurídica.

A insistência de Trump em desclassificar tais arquivos também ocorre sob a suspeita de setores da crítica política e da comunidade online de que o assunto estaria sendo utilizado como uma “cortina de fumaça”. O anúncio sobre OVNIs coincide com o avanço das apurações dos chamados “Epstein Files”, que resultaram na liberação de mais de 3,5 milhões de páginas de documentos e vídeos relacionados à rede do financista Jeffrey Epstein. Como o nome de Donald Trump aparece repetidamente nesses arquivos, críticos sugerem que a urgência em falar sobre alienígenas seria uma estratégia de distração para embaralhar o cenário de escrutínio público sobre o escândalo Epstein.

----publicidade----

 

Trump on Obama’s comments and aliens“he gave classified information. He’s not supposed to be doing that. I don’t know if they’re real or not… I can tell you he gave classified information. He made a big mistake” “Maybe I’ll get him out of trouble. I may get him out of trouble by declassifying.”
by
u/InstanceMuted2514 in
UFOs

Entre a transparência prometida e a frustração histórica

A iniciativa de Trump de abrir os arquivos do Pentágono não pode ser considerada uma novidade absoluta em sua plataforma política, mas sim a retomada de promessas anteriores que deixaram um rastro de ceticismo entre entusiastas da ufologia.

Em dezembro de 2024, pouco tempo antes de assumir, Trump havia prometido um relatório detalhado sobre os “drones misteriosos” que sobrevoavam Nova Jersey e outras áreas da Costa Leste, sugerindo que a administração anterior ocultava a verdade. “Eles sabem de onde veio e para onde foi”, afirmou Trump na época, prometendo revelações impactantes que colocariam um fim ao mistério.

Entretanto, quando a resposta oficial foi finalmente divulgada pela nova secretária de imprensa, Karoline Leavitt, o conteúdo foi considerado vago e frustrante para a comunidade ufológica. O governo afirmou que os dispositivos eram apenas drones autorizados pela FAA para pesquisa, operados por entusiastas e indivíduos privados, descartando qualquer origem inimiga ou extraterrestre. Para muitos pesquisadores, a explicação oficial foi uma forma de o governo admitir que “mentiu sobre não saber nada sobre isso”, gerando um pânico desnecessário na população.

Presidente Donald Trump promete relatório sobre drones misteriosos depois que tomar posse, em 20 de janeiro (montagem sobre foto de Gage Skidmore, Wikimedia)
Presidente Donald Trump já prometeu um relatório sobre drones misteriosos que nunca saiu. Agora fará a revelação final?

Essa frustração histórica molda a recepção atual da nova ordem executiva, pois as agências de defesa, como a AARO (Escritório de Resolução de Anomalias em Todos os Domínios), já mantêm em seus relatórios oficiais que não há evidência confirmada de tecnologia não humana. Especialistas alertam que a desclassificação pode não resultar em esclarecimentos definitivos, mas sim em um grande volume de documentos com pesadas tarjas pretas (redações) sob a justificativa de segurança nacional.

Haley Morris, cofundadora da organização Americans for Safe Aerospace, destacou ao Salon: “Mantenha em mente que a desclassificação não vem necessariamente acompanhada de explicações”.

Apesar do tom assertivo de Trump na Truth Social, onde escreveu: “Devido ao enorme interesse demonstrado, instruirei o Secretário da Guerra e outros Departamentos e Agências relevantes a iniciarem o processo de identificação e divulgação de arquivos governamentais”, ainda não há clareza se agências como a CIA ou a NSA cumprirão a ordem integralmente.

O histórico de tentativas anteriores de presidentes de acessarem dados sensíveis sobre OVNIs, como o caso relatado do presidente George H. W. Bush, que teria recebido um “você não precisa saber” como resposta, reforça a dúvida sobre o real poder da caneta presidencial diante do sistema de segredos militares.

Reações de Washington e o futuro da revelação

A classe política reagiu de forma polarizada, mas com um interesse renovado que atravessa as linhas partidárias no Congresso Americano. Membros da chamada “bancada UAP”, como a deputada republicana Anna Paulina Luna, comemoraram a decisão de Trump como um passo fundamental para a supervisão legislativa. Em suas redes sociais, Luna afirmou:

“Parece que teremos muitas audiências sobre isso :)! Obrigada @POTUS !!! Agora o Departamento de Defesa não pode mais se esconder dos nossos pedidos de documentos!”.

O deputado Tim Burchett, conhecido por sua defesa da transparência no tema, também agradeceu ao presidente, declarando simplesmente que “é a hora”.

Do outro lado do corredor, o líder democrata Chuck Schumer desafiou o presidente a ir além das promessas superficiais, postando um direto “Agora faça os OVNIs” após Trump ordenar a desclassificação de outros arquivos históricos. Schumer tem sido um proponente de legislações mais robustas, como a Lei de Divulgação de UAPs (UAPDA), que busca criar uma comissão de revisão independente para tratar desses arquivos. A pressão de figuras como Schumer sugere que, se Trump for sério em sua proposta, ele encontrará um caminho institucional já pavimentado por esforços bipartidários anteriores que exigem o fim do que chamam de décadas de sigilo excessivo.

Na comunidade científica, o professor de astronomia de Harvard, Avi Loeb, expressou apoio à transparência, mesmo mantendo o rigor investigativo sobre a origem dos objetos. Loeb declarou ao Salon que é sempre positivo para os cientistas terem acesso a dados sobre sua “vizinhança cósmica”, acrescentando: “O pior cenário, da minha perspectiva como cientista curioso, é que todos esses objetos sejam feitos por humanos. Isso seria bastante entediante, no que me diz respeito”. Para Loeb e outros pesquisadores, a desclassificação de vídeos de alta definição e dados de sensores, mencionados como existentes em posse das agências, seria a maior descoberta científica da história humana, se comprovada a origem não humana.

Astrofísico Avi Loeb: Dados de satélites poderiam ser usados para ajudar na pesquisa científica dos UAPs
Astrofísico Avi Loeb: “O pior cenário, da minha perspectiva como cientista curioso, é que todos esses objetos sejam feitos por humanos”

Contudo, entre os entusiastas e o público em geral, o clima é de uma cautela que beira o ceticismo absoluto diante das possíveis motivações políticas. Em fóruns de discussão como o Reddit, muitos usuários apontam que a promessa de Trump pode ser apenas um “espetáculo de palco” para inflar seu apoio popular, que estaria em níveis baixos. Enquanto o pesquisador Jeremy Corbell vê o anúncio como “uma oportunidade, não apenas um anúncio” e um “pequeno passo para o homem” em direção à transparência, outros temem o que a analista financeira Helen McCaw chamou de “choque ontológico”. McCaw alertou que uma revelação genuína de inteligência superior poderia desencadear instabilidade financeira e volatilidade nos mercados, provando que as consequências dessa desclassificação, se real, transcenderiam em muito o campo das curiosidades espaciais.

Redação Vigília

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

×