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Grusch fala em reptilianos, greys e conflito entre inteligências não humanas. Mas onde estão as provas?

David Grusch afirmou no Joe Rogan que Greys e seres reptilianos estariam envolvidos em conflitos e que forças dos EUA mataram sobreviventes de uma queda. A história incendiou a comunidade UAP, mas permanece sem evidências públicas e ecoa narrativas antigas da própria ufologia.

Grusch 'quebra' a Internet UAP com revelação de suposta batalha entre Greys e Reptilianos (montagem com IA - Reprodução JRE)

Grusch 'quebra' a Internet UAP com revelação de suposta batalha entre Greys e Reptilianos (montagem com IA - Reprodução JRE)

O denunciante David Grusch voltou a agitar a comunidade UAP ao fazer algumas das declarações mais extraordinárias desde que apareceu publicamente, em 2023. Em nova participação no The Joe Rogan Experience, o ex-oficial de inteligência dos Estados Unidos afirmou que diferentes inteligências não humanas estariam entrando em conflito entre si e descreveu um suposto episódio envolvendo Greys, seres reptilianos e uma nave abatida.

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A entrevista, episódio 2560 do podcast de Joe Rogan, foi publicada em 30 de setembro de 2026. Uma ficha do episódio está disponível na JRE Library.

A história chamou atenção pela riqueza de detalhes. Mas, como em várias alegações anteriores de Grusch, nenhuma evidência verificável foi apresentada publicamente para sustentá-la.

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Uma suposta guerra nos céus

Durante a conversa, Rogan pergunta a Grusch sobre seres de aparência reptiliana que teriam sobrevivido à queda de uma nave. Grusch responde que algumas quedas não seriam acidentes nem resultado de ação humana, mas de confrontos que chama de “NHI versus NHI” — inteligência não humana contra inteligência não humana.

Segundo ele, uma nave semelhante aos objetos popularmente chamados de Tic Tac teria caído após um desses confrontos. No local estariam reptilianos ainda vivos e corpos de entidades descritas como Greys.

Quando Rogan pergunta se Greys e reptilianos estariam literalmente combatendo entre si, Grusch responde: “Yeah, I guess” — algo como “sim, suponho”. E acrescenta:

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“Eu conheço as pessoas que estavam lá.”

O trecho aparece em transcrições disponíveis no Ulisten e no Happy Scribe.

Mais adiante, Rogan pergunta o que teria acontecido com os reptilianos sobreviventes. Grusch responde que foram mortos e confirma que teriam sido baleados por norte-americanos porque “representavam uma ameaça”.

Ele também estima que poderiam existir “uma dúzia ou duas” de ocorrências envolvendo acidentes provocados por confrontos entre inteligências não humanas.

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A afirmação vai muito além de seu depoimento público de 2023 no Congresso. Na ocasião, Grusch falou sobre supostos programas de recuperação e engenharia reversa de objetos anômalos e mencionou a existência de “biológicos não humanos”, mas nada semelhante a uma guerra entre diferentes espécies. A audiência permanece disponível no site oficial da Câmara dos Representantes.

Liberação para falar não significa confirmação

Parte da repercussão se apoiou na ideia de que, por Grusch ter submetido declarações ao processo de revisão do Departamento de Defesa, o governo estaria confirmando implicitamente seu conteúdo.

Não é assim.

O Defense Office of Prepublication and Security Review (DOPSR) analisa materiais para impedir a divulgação de informações classificadas ou controladas. A própria documentação oficial deixa claro que uma autorização para publicação não implica endosso nem confirmação da precisão factual. A finalidade do processo está descrita nesta página do Departamento de Defesa.

O mesmo expediente já foi usado antes por outro denunciante polêmico, Luis Elizondo, por ocasião do lançamento de seu livro Imminent que, como se veria mais tarde, é repleto de imprecisões e exageros e, novamente, nenhuma prova.

A ideia não nasceu com Grusch

O conceito de conflitos envolvendo seres não humanos circula pela ufologia há décadas.

Um dos exemplos mais conhecidos é Philip J. Corso, tenente-coronel aposentado do Exército dos Estados Unidos e autor de The Day After Roswell, de 1997. Corso descreveu uma espécie de “segunda Guerra Fria” entre humanos e uma presença extraterrestre potencialmente hostil.

O paralelo, porém, é apenas conceitual. Corso falava essencialmente em humanos contra extraterrestres, não em Greys contra reptilianos.

A batalha de Dulce

Mais semelhante à história contada agora por Grusch é o relato de Phil Schneider, que nos anos 1990 afirmou ter trabalhado em instalações subterrâneas secretas do governo norte-americano.

Segundo Schneider, em 1979 sua equipe teria encontrado seres extraterrestres durante obras próximas a Dulce, no Novo México. O encontro teria terminado em um confronto armado no qual dezenas de integrantes de forças governamentais morreram. Uma transcrição de uma de suas palestras pode ser consultada neste arquivo.

Nunca surgiu documentação independente capaz de comprovar a suposta batalha, os mortos ou a própria instalação.

A mitologia de Dulce, aliás, é anterior a Schneider e remonta ao empresário Paul Bennewitz, que nos anos 1980 passou a acreditar na existência de uma base alienígena subterrânea no Novo México. O caso ficou ainda mais nebuloso por envolver desinformação alimentada por pessoas ligadas à inteligência militar.

Um paralelo brasileiro

Há também uma história brasileira curiosamente próxima das declarações de Grusch.

O brasileiro Ted B. Heidk, apresentado em eventos ufológicos como ex-integrante de forças de operações especiais, relata ter participado de missões envolvendo entidades não humanas.

Em material divulgado em 2019 para uma de suas palestras, Heidk foi descrito como ex-FOpEsp e ex-instrutor de combate terrestre. O mesmo texto atribui a ele a seguinte afirmação:

“Atuo em missões secretas Exo-militar […] a entidades biológicas não humanas.”

Segundo esse relato, em 1998, durante uma suposta missão multinacional no Zimbábue, a unidade de Heidk teria encontrado seres reptilianos ligados à coleta de corpos e órgãos humanos e animais. Teria ocorrido um confronto armado, com militares mortos e a captura de uma das entidades.

O relato aparece em material de divulgação publicado em 2019.

Heidk também publicou, com Fábio Santos, o livro Intervenção Planetária, apresentado como baseado em uma história real e envolvendo operações militares, bases subterrâneas e confrontos com seres extraterrestres. A obra pode ser consultada no Skoob.

A Internet UAP entra em combustão

Naturalmente, os trechos da entrevista se espalharam rapidamente pelas comunidades dedicadas ao tema. No Reddit, discussões no r/UFOs destacaram a suposta guerra entre Greys e reptilianos e a alegação de que sobreviventes teriam sido mortos por forças norte-americanas. Entre os principais tópicos estão este, este e este.

A reação, porém, ficou longe de ser unânime. Enquanto alguns participantes interpretaram as declarações como parte de um processo gradual de revelação, outros passaram a questionar a escalada das histórias contadas por Grusch sem a apresentação de provas correspondentes.

As credenciais profissionais de Grusch são reais, assim como seu depoimento no Congresso. Isso torna suas declarações relevantes. Mas credencial não é evidência da alegação.

Até agora, não foram apresentados publicamente documentos do episódio, imagens, registros médicos, destroços, corpos ou qualquer outro elemento independente que permita testar a história.

Em seu relatório histórico publicado em 2024, o AARO afirmou não ter encontrado evidência empírica de programas governamentais de engenharia reversa de tecnologia extraterrestre ou confirmação de que algum UAP investigado oficialmente representasse tecnologia extraterrestre. Isso significa dizer que não existe nenhum lastro de documentação, artefato ou registro definitivo para fazer uma afirmação categorica. O documento pode ser consultado no site oficial do AARO.

É claro que, para a comunidade UAP, posicionamento oficial só vale na admissão da existência de alienígenas, dimensionais ou o que quer que seja por traz dos OVNIs; qualquer outra explicação é apenas acobertamento. Mas é fato que, por enquanto, a suposta guerra entre Greys e reptilianos permanece no mesmo terreno de Dulce, de Phil Schneider e das histórias narradas por Ted Heidk: uma alegação extraordinária ainda sem evidência verificável apresentada ao público.

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Redação Vigília

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